de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

1.12.09

eu cantarei de amor tão docemente

meu coração não se cansa
de ter esperança
de um dia ter tudo o que quer
meu coração de criança
né só a lembrança
de um vulto feliz de mulher
que passou por meus sonhos sem dizer adeus
e fez dos olhos meus um chorar mais sem fim
meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim

a tristeza é senhora
desde que o samba é samba é assim
a lágrima clara sobre a pele escura
a noite e a chuva que cai lá fora
solidão apavora
tudo demorando em ser tão ruim
mas alguma coisa acontece no quando agora em mim
cantando eu mando a tristeza embora

tô com saudade de tu, meu desejo
tô com saudade do beijo e do mel
do teu olhar carinhoso
do teu abraço gostoso
de caminhar no teu céu
é tão difícil ficar sem você
o seu amor é gostoso demais
teu cheiro me dá prazer
quando estou com você
estou nos braços da paz
pensamento viaja
e vai buscar
meu bem querer
não posso ser feliz assim
tem dó de mim
o que é que eu posso fazer?

aconteceu-me do alto do infinito
esta vida.

meu coração é um pórtico partido
dando excessivamente sobre o mar.
vejo em minha alma as velas vãs passar
e cada vela passa num sentido.

eu te peço perdão por te amar de repente
embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
das horas que passei à sombra dos teus gestos
bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
das noites que vivi acalentado
pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
e posso te dizer que o grande afeto que te deixo
não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
é um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
e só te pede que te repouses quieta, muito quieta
e deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade
[o olhar extático da aurora.

Um comentário:

rafael disse...

é nóis (II)