de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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24.4.11

a potência da fruta

fodeu, com esse título vai vir um monte de naturalista aí ver esse blog.

mas olha, eu acho que uma fruta nunca é con-sumida ao máximo do seu potencial de delícia enquanto não a comemos de modos exóticos, metendo a cara nela e mordendo/chupando, o que vocês preferirem, até que sobre só a casca, quando houver.

por exemplo, banana só tem aquela realeza de felicidade porque metemos lá, diretamente, a boca e comemos toda aquela massa amarelada, até que se desprenda totalmente, livre, a casca que a natureza soube produzir, num show de design. a casca da banana é das coisas mais fáceis de abrir do mundo, é higiênica, não disperdiça a fruta, não precisa de faca, e você não se lambuza com a água que a fruta contém. de quebra, você consegue até quebrar a perna de um larápio que passa pela rua sem prestar atenção.

por outro lado, nunca soube muito bem descascar uma laranja com grande organização - quando a casca não se solta facilmente com a mão e sobram aquelas fibras brancas um pouco amargas -, então, no meu período no hemisfério norte, resisti a comprar a fruta que é gêmea dessa. ninguém sabe traduzir o nome direito, nos programas de língua inglesa: é a toranja.

a toranja - grapefruit, de que todos que estão em dieta falam mal - é uma versão hemorrágica da laranja, parece que os vasos de uma laranja estouraram todos. e achei uma delícia. ainda mais quando comecei a comê-la daquele modo exótico.

(agora vem toda espécie de pervertido sexual)

e hoje eu comi o melhor kiwi da minha vida, experiência para a qual eu precisei deixar madurar o kiwi duas semanas na geladeira. tentando descascá-lo civilizadamente, e comê-lo em rodelas, o lindíssimo fruto australiano se desmanchou todinho (tipo um urso, com sua casca peluda eriçada)

(pervertidos sexuais chasers)

e eu vi o kiwi de uma perspectiva nuna antes vista, com o miolo se descolando, as sementes como formiguinhas numa linha tortuosa longitudinal através da fruta. só me restou abocanhar. e é por isso que só soube a potência real da fruta quando mergulhei nela com o mergulho trágico que os gregos chamavam de catábase.

se querem conhecer os vegetais na sua completude essencial, basta comê-los crus (toda sorte de pervertidos trocadilhistas) e incorporar suas propriedades.

20.2.09

queer matters

eu tenho a ligeira impressão de que meus amigos estão tentando me arranjar uma parceira. depois de anos PEDINDO pra eles me arranjarem um par, agora eles fazem isso até inconscientemente. acho que cheguei na idade em que preciso acompanhar meus amigos com uma dupla. e estou até querendo isso, sério. mas, segundo a frô, não sou casável. abre-se a enquete:

- eu sou casável?

[ ] sim

[ ] não

de repente, em algum lugar entre como eu me mostro e como quero ser vista, eu tô deixando escapar uma vibe "não sou de ninguém". isso me levou a acreditar que meu destino é ser monja. outra enquete:

devo virar uma meditadora vipassana-full-time?

[ ] sim

[ ] não

de modo que talvez eu não seja, mesmo, de ninguém, seja de todo mundo, sirva pra fazer suíngue enquanto a galera fica se enfiando em um casamento após o outro... talvez eu seja aquela que - como pararraio (aê reforma!) de maluco - fica com a parte rebounce dos relacionamentos, só pegando quem tá na merda logo depois de terminar um relacionamento traumático, enquanto eles não tão preparados para, e nem querendo, namorar de novo.

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enquanto isso...

dois de meus grandes amigos acabam de protagonizar a primeira união civil gay dentre pessoas que conheço. eles queriam, mesmo, era casar no dia em que começaram a ficar, dia de são valentim - 14 de fevereiro. e a califórnia comemorava o aniversário de algum morto aleatório. assim, não conseguiram oficializar a união no dia que queriam. mas agora - à parte da imbecilidade da proposition 8 - estão casados.

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e fui chamada de lesbian cliché ontem. ou bissexual cliché: toda bi é vegetariana, faz yoga, feng shui, acredita em astrologia. em san fran eles me entenderiam.

9.12.06

yes, we too have bananas.

grande sauna gay em ottawa, ontario
é incrível: gente idiota é idiota em qualquer lugar do mundo. não é só a republiqueta das bananas que produz acéfalos metidos a espertinhos.
em fevereiro desse ano, o atual primeiro ministro do parlamento do maple syrop, botou ordem no curral eleitoral: pra que o partido dos big white asses ganhasse, ele prometeu que ia "revisitar" (a.k.a. desfazer) a lei já aprovada, em 2005, em favor do casamento gay.
agora, o que mais dá vontade de dar voadora no pâncreas (créditos aqui) é que o parlamento aprovou a moção (mongolição) de reabrir a discussão já morta e enterrada. a comunidade gay deu chilique, porque não se mexe em time que está ganhando. a reabertura da disussão era obviamente uma manobra política pra ganhar mais votos. a questão já tinha sido encarada como simples cumprimeto da lei de direitos humanos, e a dança proibida por tim maia ("só não vale dançar homi com homi/ e nem mulé cum mulé) valia já em 5 países: estados unidos (estado de massechussets), holanda, espanha, áfrica do sul e bélgica. daí o amigo stephen king - quer dizer, harper - juntou a galera do play pra levantar a mão em uníssono quando ele perguntasse: "e aí, genten? as bissas vão continuar batendo cabelo juntas nos cartório? quem acha que isso é coisa de seguidor de jezabel levanta a mão!"
acontece que a panelinha do steve martin - stephen king, stephen harper - era toda vira-casaca, e eles votaram contra a redefinição de casamento como treco praticado somente por heterossexuais desesperados.
então, eu voto pra shane reaparecer e casar logo com a carmen em niagara falls, e depois elas pegarem os presentes de casamento e apostarem tudo nos bingos de lá.

falou?