de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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9.2.15

quando a procrastinação é tanta que a gente começa a fazer faxina. primeiro lavando a louça. o melhor disco para isso é o grace, do jeff buckley. tem uma parte que a gente ainda tá meio com sono, deprimido, então as baladas do começo do disco são ótimas. lavar a pia, limpar os espelhos. o limpa-vidros é ótimo pras placas de fogão. tenha a certeza de que a luz vermelha já apagou, senão pode queimar o pano. está. 

ódio no piru, a gente já tá varrendo as escadas do prédio e o jeff bluckley tá gritando com toda a sua operística metaleira isto aqui 

os vizinhos rezam para isso acabar logo, a gente acha um prego meio solto na tábua corrida da sala que rasgou a calça enquanto a gente tava ajoelhado fazendo oração ao sol, porque viu, aqui tem que orar mesmo pra ele sair a pleno vapor em pleno inverno, agora a trilha é 
em toda a sua oração nagô-budista, a gente repara: a máquina de lavar canta em sol, conjunção exata com xangô, a gente vem postar, duas da tarde, já tá na hora de fazer almoço, recomeça a limpar - o ciclo: da capo al fine.

6.3.14

você sempre volta com as mesmas notícias



não tenho as mesmas notícias de sempre, mas hoje acordei numa manhã que sabe a ontem. gosto desse dizer português: "saber a", querendo dizer "com gosto de". reaproxima o conhecimento das papilas gustativas, dos cinco sentidos, de um empirismo que não se esgotou com o racional. junta o saber e o sabor, e o sabor tem gosto de lembrança.

pois essa manhã de hoje me deixou em casa, uma nova casa, de novo - nunca vi a pessoa se mudar tanto, e ainda continuar com tanto cacareco, acho que se eu fosse contar eu estaria na 6a mudança desde que comecei esse blog nesse endereço.

a manhã de hoje tá um pouco chuvosa/nublada, fico na internet procrastinando bastante, acho que tenho medo de fazer a coisa que preciso e descobrir que não posso mais me doutorar em portugal (mas é besteira, é um pouco como aquele verso "cê sai de perto, eu penso em suicídio (mas no fundo eu nem ligo)").

li um pouco de proust, estou tentando voltar com aquele plano carsônico de ler "for about half an hour" everyday after breakfast. não entendi nada, fiquei patinando nas mesmas 3 páginas, acho que é por isso que ninguém tem saco de ler proust. mas achei uns sintagmas magníficos na tradução do pedro tamen: "legrandin tinha o verbo infinitamente mais pronto"; "mas essa é uma reputação que não me assusta, de tão verdadeira que é!; "como o ramo de flores que um viajante nos envia de um país aonde não voltaremos, faça-me respirar da distância da sua adolescência essas flores das estações primaveris"; "as ancas de legrandin, que eu não supunha tão carnudas; e, não sei por que, aquela ondulação de pura matéria, aquela vaga inteiramente carnal, sem expressão de espiritualidade e chicoteada em tempestade".



queria ter uma bomba.

18.1.11

ora, pois,

este senhor, luis adriano carlos, quer me fazer acreditar que a poesia de sophia (o que seria de nós, sophiáticos - não sofistas - sem esse eco apropriador?) é um elenco de características metafísicas que nem as que aprendemos na escola, com os movimentos literários. diria estamira: AAAAH NUM DÁ!

a nossa mãe é sempre um saco quando visita a nossa casa: nada está limpo, arrumado, inquebrado o suficiente. o bom era se morássemos com elas, situação em que ela nos cobraria 24 horas por dia para providenciar um arranjo pro que estivesse fora dos eixos. quando tudo está organizado, são coisas da esfera externa que precisam de um ajambramento: sua vida amorosa, problemas no banco, visitas que você precisa fazer, contratos (sociais ou físicos)... enfim, sempre uma cobrança sem fim. mas o pior é aguentar a mãe dos outros na sua casa. perspectiva é tudo, a sua mãe parece um anjinho e não aquela mala sem alça. portanto, coloco o meu aviso de porta "me deixa em paz", da mafalda, e me fecho na minha singularidade.

com essas chuvas todas na região serrana, dou graças a todos os santos, mamãe oxum de águas doces, por ter deixado minha mãe vir pro rio antes do dilúvio. ilhada ao contrário por uma semana, ela já está se coçando para voltar à sua casa - que continua inteira, graças a oxum e yansã!

não me canso de fazer listas do que empacotar e o que resolver antes de ir. meus escritos ficam sempre em último lugar porque i'm a big old fat procrastinator. e esse post é exatamente isso!(lembro de quando eu e samuca descobrimos essa palavra com tantos rr. acho que ele ouviu no saia justa e ficou testando na língua)

para finalizar, minha tia, moradora do porto, em cuja casa planejava ficar por esses meses, resolveu morrer duas semanas antes de eu ir. pena não ter te dado um beijinho nessa tua cabeleira branca! achei um volume d'os lusíadas com que você presenteou teu irmão, meu avô, com quem você já deve estar jogando buraco aí no céu, pelo aniversário dele de 1980! (foi um ótimo presente, eu adorei)