de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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14.5.10

"cor local", por eucanaã ferraz

achei que fosse morrer, porque rolaram esses fogos pela zona sul do rio de janeiro, uns clarões no céu, misturado com helicóptero e - segundo meu ouvido viciado - tiros nos morros. se você visse milhões de luzes explosivas no céu, com o barulho que tavam fazendo, sem ser réveillon, também acharia que ia morrer.

a questão é: será que freud explica eu pensar neste poema, minutos depois?

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que eu desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’in da aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

like a prayer, né?