de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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23.11.10


o pasolini é um zé sexo (celso) do cinema italiano! depois de 120 dias de sodoma (que também não gostei muito), vi esse aí de sexo incestuoso e gregos pelados...

outro dia peguei uma tragédia - esse édipo rei - e outra comédia na locadora (alguém inda usa locadora?) e fiquei me achando tragicômica...
tendo a achar que grandes personagens trágicos montados nos séculos XX e XXI ficam histéricos. foi assim com o hamlet do capitão nascimento, é assim com esse édipo, que é mais um membro de uma boy band que qualquer coisa!

serviu para os propósitos da narratividade e desencadeamento da trama das ações, mas o drama das paixões ficou prejudicado...

assisti com isis estudando do lado e ela só ia prestando atenção nos momentos-chave pelas minhas observações: "iiiiiiiiiiih, chegou papai! vai perder, prei!", "mas é claro que ele não sabe que você é mãe dele, olha o tanto de maquiagem e avon anti-aging que cê tá usando...", e ela: "por que ele grita tanto?" - ao que respondo: "porque ele é trágico, né?".

ah, a trilha sonora é uma tortura! se pegarem o dvd, se preparem para a ambientação trágica... tem uma gente que não sabe tocar flauta doce que ficou soprando aquilo desalentadamente e gravou em cima das imagens, ficou uma merda, tem que abaixar o volume...

de resto, é bom.

15.11.10

como ser feliz

  • vá a uma peça que dure 7 horas, em que o pessoal todo tenha que tomar algum tipo de entorpecente pra corresponder aos atos do espetáculo.
  • tenha um dilema moral no meio do desencadeamento de acontecimentos, num drama que não é de eventos, mas de deslindes trágicos, tenha o momento de catábase para depois se purgar em catarse, no fim das sete horas.
  • tome um banho de vinho enquanto baco, pelado (seu tio), entorna uma garrafa pela sua garganta.
  • ao se encerrar a peça, andar até a lapa porque - what the hell - você pode continuar bebendo.
  • ao encerrar a lapa, andar até algum depósito atrás de mais bebida, tudo sem sorte, até achar uma padaria que venda vinho tinto suave e aceite cartões de débito.
  • ande até a sua casa, porque já gastou todo o dinheiro em vinho, acarajé e doações de alimentos não perecíveis, e não tem dinheiro pra custear um cocheiro.
  • chegue em casa com dois indivíduos, um de cada sexo, e um saco de pão na mão às 4:20 da manhã.
  • desfaça-se de um dos indivíduos ao alvorecer.
  • produza, com a cortina, um blackout total que se assemelhe à escuridão da terra às 10 horas da noite no meio do mato.
  • acorde quase à tarde, e despache o convidado remanescente.
  • tome uma ducha bem quente, lavando todos os pecados da noite.
  • ponha sua melhor roupa de ficar em casa e deite-se na cama, sentindo todas as dores do cansaço.
  • leia a peça que deu origem à montagem da noite anterior.
  • recomece o ciclo.

11.9.09

oficina hoje foi melhor ainda, cada vez me dá mais vontade de largar tudo e bater lá na porta do teatro, pedir um empreguinho qualquer pro zé, qualquer coisa é melhor do que essa pelassaquice intelectualizadora.

evohé deus que nos deste
a vida e o vinho
e nele os homens encontraram
o sabor do sol e da resina
e uma consciência múltipla e divina

[sophia de mello breyner andresen.evohé bakkhos]

ps: não dormi!

6.9.09

eu que não digo
mas ardo de desejo

uzyna uzona foi boa ontem, mas sempre gosto mais do primeiro ato porque no segundo eu durmo.
aí no dia seguinte fico de calça jeans apertada (preciso emagrecer de novo) querendo descansar a cabeça. então em vez de procurar um filme da lindsay lohan eu vou ler lygia fagundes telles.

um beijo!