Eu tenho 25 anos, né,
essa é a novidade. E estive pensando que, mesmo que eu me case
amanhã e desfrute de uma união duradoura, nunca ninguém vai me
conhecer há tanto tempo quanto a minha família. Se eu tiver sorte e
o casamento durar 25 anos, eu com 50 não vou ter passado com o/a
cônjuge tanto tempo quanto a minha família passou comigo. Os
populares diziam que era preciso ter comido juntos um quilo de sal,
para que os parceiros passem a se conhecer com profundidade. Porque
imaginei aqueles casais que sobrevivem aos próprios parentes – e o
cônjuge passa a ser mais do que um integrante de uma família que
você não escolheu; mas aquela única alma que durou com você,
atravessando juntos o tempo.
de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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20.12.11
9.8.11
"De como filosofar é aprender a morrer"
Jayme Ovalle dizia que "o suicídio é um ato publicitário". E morrer é mesmo um excelente golpe de marketing, como se diz. Amy morreu há umas semanas e só agora atentei pra música dela, e de tanto ouvir nos canais e nas ruas e aquilo gerar uma osmose, acabei achando bom mesmo. Mas não teria ido atrás se ela não tivesse morrido. Me pergunto o que terá acontecido nas mortes de Ella, Nina, Billie, ou mesmo Edith.
7.6.11
dei pra digitar senha de e-mail errada, agora. depois de tantas contas pelos perfis das internets.
li num jornal de letras de portugal que uma moça deixou um recado de suicídio na página do facebook e ninguém ligou. tenho medo de terem curtido. um tempo atrás, uma atriz (who?) tuitou e se jogou da janela. foi retuidada postumamente. não tenho nenhuma apreciação moral sobre isso, estamos tão cegos para o outro como sempre fomos.
17.5.10
a dor
pelo menos o homem em coma, feito pedra, tem alguém que lhe cuide, incessantemente. eu sou feita penha-penhasco, precipitando o abismo, perplexa em abandono. quem é que está sobre meu leito? só tenho quem chore à distância, por sobre a cova, nenhum que tenha estado pacientemente ao lado.
a vida é assim, amigos-da-onça, é muito dura de se enfrentar sozinho (com o mito de que se está na multidão). e sozinhos estamos sempre, até a morte inexorável; não há novidade em termos de morrer desacompanhados.
(meu primeiro passo para a solidão, antes do desencarne, é ter essa consciência, morando sozinha e tentando resolver tudo por mim, mobilizando o mínimo possível o destino alheio. nessa destituição de ego, procuro aprender a pedir ajuda sem me sentir culpada, ou atrapalhando, ou exonerando.)
e o que fazem é querer me dopar, a enfiar-me agulhas com anestésicos, tudo fruto de uma sociedade doente na raiz, que não sabe lidar com a dor. então etiquetam-me de acordo com a intensidade da dor - como se a real dor pudesse ser medida - e visto uma pulseira verde como os verdes campos a mim vetados, porque frequento hospitais de luz fria, corredores verde-doença.
o que me fazem é trocar meu sangue por esse líquido incolor, não sei se tentam me tranquilizar ou me drogar, simplesmente. mas resisto, bravamente, porque estou sozinha, e a droga que me enfraquece o sangue vigoroso acende a indignação. insurjo-me contra me deixarem num canto qualquer, numa cadeira esterilizada em meio à sujeira semi-aparente.
etiqueta verde campo numa mão, líquido verde-morte na outra, espero o diagnóstico que me porá mais uma vez imóvel.
a vida é assim, amigos-da-onça, é muito dura de se enfrentar sozinho (com o mito de que se está na multidão). e sozinhos estamos sempre, até a morte inexorável; não há novidade em termos de morrer desacompanhados.
(meu primeiro passo para a solidão, antes do desencarne, é ter essa consciência, morando sozinha e tentando resolver tudo por mim, mobilizando o mínimo possível o destino alheio. nessa destituição de ego, procuro aprender a pedir ajuda sem me sentir culpada, ou atrapalhando, ou exonerando.)
e o que fazem é querer me dopar, a enfiar-me agulhas com anestésicos, tudo fruto de uma sociedade doente na raiz, que não sabe lidar com a dor. então etiquetam-me de acordo com a intensidade da dor - como se a real dor pudesse ser medida - e visto uma pulseira verde como os verdes campos a mim vetados, porque frequento hospitais de luz fria, corredores verde-doença.
o que me fazem é trocar meu sangue por esse líquido incolor, não sei se tentam me tranquilizar ou me drogar, simplesmente. mas resisto, bravamente, porque estou sozinha, e a droga que me enfraquece o sangue vigoroso acende a indignação. insurjo-me contra me deixarem num canto qualquer, numa cadeira esterilizada em meio à sujeira semi-aparente.
etiqueta verde campo numa mão, líquido verde-morte na outra, espero o diagnóstico que me porá mais uma vez imóvel.
29.6.09
cão pode só ser, não é?
e por que a gente tem essa preocupação de descobrir o que é ser, o que ser eu, em vez de só ser? uma das coisas DOADAS ao ser humano (e ninguém pediu).
"o cão é o mistério livre que não se indaga" (adaptado da CL)
tenho uma pergunta macabeica: ser feliz é pra quê?
mas cão nem macabéa podem negociar com a morte:
que triângulo ou círculo poderá cercar-te
para que te detenhas demorada e minha
para que não desças toda pela escada
(sophia de mello breyner andresen, "morte")
"o cão é o mistério livre que não se indaga" (adaptado da CL)
tenho uma pergunta macabeica: ser feliz é pra quê?
mas cão nem macabéa podem negociar com a morte:
que triângulo ou círculo poderá cercar-te
para que te detenhas demorada e minha
para que não desças toda pela escada
(sophia de mello breyner andresen, "morte")
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