de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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29.3.12

gostaria

preciso que criem um campo de interação nova na internet: curtir, comentar, compartilhar, corrigir ortografia.

hoje não me contive ao ler uma matéria do g1 sobre a betha e fiz um cadastro só pra corrigir o texto que tinha uma informação errada, que pegaram de orelhada. parece que foi direitinho só pra confirmar o que maribeth diz na coletiva: "O mundo tá grosseiro, sem classe, sem delicadeza, sem querer prestar atenção aos detalhes."

estou escrevendo muita coisa fora do blog - até penso em publicar, mas às vezes acho pessoal demais. são imitações de anne carson. me lembro de quando clarice me inspirava a criar arte nova assim, a partir do que ela escrevia. é uma sensação boa (e inédita), porém, saber que o  ser que você imita tá vivo.

aliás, tá cheio de escritor morrendo. pessoal já pode começar a pedir licença no trabalho pra se trancar um pouquinho em casa, viver tá muito perigoso (Rosa). em uma semana foram antonio tabucchi e o millôr, dois escritores e tradutores, valha-me deus.

vamos falar de coisa boa, vamos falar de cd (ou de coisa de acender): adorei esse título do djavan, os anos 90 (o começo) foram também muito bregas. e outro dia ouvi em aula essa expressão, "numa de horror", da boca do eduardo portella, ou seja, fiquei me sentindo a erudita por ter ouvido djavan, porque ninguém na sala captou, e é uma expressão nordestina.

20.10.10

: (ou - "o que é seguir"?)

continuação daquela vírgula do começo do ano: culminei em dois pontos, agora.
ou: será que é uma culminância, se continuo?

hoje foi minha prova de aula, falei de clarice. fiz muita coisa com um cuidado muito maior que tinha outrora, pareceu até que eu era uma pessoa organizada, com planos de aula, idas ao quadro, handouts, celular avisando de 5 em 5 minutos pra eu não me perder no tempo. não foi dito tudo. tudo muito bem, porque "todas as coisas do mundo não cabem numa idéia. Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo".

reconsidero algumas coisas: meu voto, que talvez fosse nulo e agora vai pra dilma; meu ex-voto de "nunca vou dar aula, não nasci pra isso". é tudo uma aprendizagem mesmo, só para quando a gente morre. de modo que essa coisa cresceu na minha concepção, a coisa do magistério, e também cresceu, com muito trabalho e auto-disciplina (ainda minada e sabotada, mas tô melhorando), minha auto-confiança pra dar aula. só de ver os sorrisos daquelas pessoas... parecia, por um momento, que todos nós tínhamos mesmo que estar ali: que desfrutávamos. e é isso que tinha falado no último post - se até ali não tinha me apropriado do magistério, me vendo naquela profissão, hoje, em fulgurações epifânicas, tive momentos felizes. seria feliz fazendo isso, gosto mesmo e é bom fazer o que se gosta, pronto. saber que os outros gostam do resultado daquilo que você faz e gosta também é bom.

pra não sucumbir ao pânico nervosismo, antes, fiz tudo devagar e organizei o quarto, e respirei, e saí, vi as coisas, as pessoas, vivi no presente (como não vivo agora); pensei que não queria ficar elocubrando e sim prestar atenção às coisas que aconteciam ao redor. foi muito presentificante.

no depois da aula, ainda no mesmo processo voltei pra casa, aí vi: "os fios do urucúia". acho que se não tivesse presente o dia inteiro, nunca teria prestado atenção àquela exposição que estava no meio do caminho. como ela deve ter estado há vários dias no meio do caminho e só hoje vi. conhecendo a palavra por causa dos sertões roseanos, senti uma palpitação: que lindo, o sertão veio pra beira do mar! se a montanha não vai ao sertão, o sertão vai à montanha! e veio. é claro que eu ia encontrar uma citação de rosa: encontrei. "o sertão é dentro da gente". e hoje ia sair com a camisa com outra citação: "pão ou pães é questão de opiniães". mas sujei de feijão, no almoço. feijão ou feijães, deixei em casa, troquei, mas rosa me encontrou depois!

30.10.09

digo ao senhor: e foi menino nascendo

meu terceiro sobrinho nasceu ontem. com cronologização do parto cesariano, aquele ambiente hotelerizado das maternidades, aquele monte de gente entrando e saindo dos quartos, será que dá pra ter noção do milagre? não.

mas "minha senhora dona: um menino nasceu - o mundo tornou a começar!" é nesse ciclo, nascimento em botão, juventude em flor, procriação em frutos é que ele continua.

e continua como? tive que dar continuidade à minha vida como se eu não soubesse que outra vida começava, como se essa vida nova, e outras tantas acontecendo ao mesmo tempo - e também tantas outras mortes - passassem numa "indiferença enorme".

mireveja.

11.3.09

hoje eu sonhei contigo, amor, nem te digo...

acordei super assustada, choramingando, com o surrealismo do meu sonho.
eu não vou nem tentar encadear as imagens que me vinham numa narrativa lógica...

- porque dizem que nós sonhamos com imagens e depois ficamos tentando achar ordenação pra elas. daí o cão andaluz de buñuel fez muito sentido pra mim -

mas rolava eu e o pessoal de poética, depois da defesa de alguém, num lugar meio grajaú-fim-de-linha. a gente sentava pra comer/beber, e até foi parar no telhado (parecido com debaixo da mangueira do pedro II. tenho sonhado muito com o meu colégio...).

jun era queimado com uma coisa que vinha do céu e começava a rir, que estava numa área de risco, e que finalmente isso acontecera com ele. ele se agarrava em mim e eu o ajudava a correr dos foguetinhos que apareciam pelo céu e pelo chão que queimavam a gente. mas às vezes eu lembrava que se ele ficasse muito encostado em mim eu ia ficar queimada também, e meus membros ficariam tortos.

estava na FLIP e isso começava a acontecer, era um lugar parecido com disney com o qual já tinha sonhado antes. só que no fim, eu descobri o que fazia a gente ficar doidão E queimado: eram uns incensos do tamanho de fósforos que ficavam queimando pelo chão. se a gente não desviasse dele ficava queimado e molenga, que nem a cera de uma vela. daí me ocorreu que era só tacar água em cima, e apagar o bagulhinho. o thiago e alguns conhecidos DO MAL é que espalhavam isso pela FLIP (que tinha um prédio só pra teatro e um camarim imenso, parecido com a infra-estrutura de um navio com o qual eu já sonhei antes), e estavam atrás de mim porque eu tinha descoberto como eles faziam isso... eu tentava recrutar pessoas pra apagar os fósforos, mas todo mundo só queria saber de ficar doidão. o andré mongol até começou a me ajudar, mas foi parar no colo de alguém no final. taquei um tipo de adoçante (zerocal) melado num fosforozinho e ele se transformou numa pilha tamanho D que rodopiava e emitia coisas azuis e queimadoras se a gente deixava encostar na pele - tipo um cd no microondas.

e aí eu lembrei - acordada - que sonho é pra ser isso mesmo. um monte de acontecimentos embolados, imagens que você já viu antes, que prescindem de lógica, explicação e narrativa para aparecerem juntos, mas que, se você tentar tirar um sentido da coisa, vai sair um monte de interpretação bizarra do seu inconsciente. ou sei lá da onde. s.n.goenka (a.k.a. business man) diz que "não existe inconsciente, até quando não estamos controlando, ou sonhando, as sensações estão aí, e ficam se registrando na gente" (um negócio assim, eu não posso escrever no retiro, então nem lembro...), o que pra mim logo evoca "o que em mim sente 'stá pensando", do pessoa. agora não sei se o que ele disse foi SUBCONSCIENTE, o que faz uma diferença... o efeito era: quando estamos sonhando, não são níveis do (in/sub/des)consciente que vêm à tona - até quando estamos sonhando somos conscientes.

e quando eu fui dormir eu li uma frase de ronaldes de melo e souza que dizia algo assim: "a consciência da ilusão jamais elimina ilusão da consciência", que deveria rebater o argumento do guru (já que ele não é um iluminado).

graças ao borges (o jorge luis, não o moto) eu tenho esse fragmento de shakespeare:
we are such stuff as dreams are made on
tá bom, somos essa coisa. mas o que é esse AS? seria um ás na manga do tio will? chegou o tradutor do borges e botou lá: "somos aquela matéria de que os sonhos são feitos". eu até tinha aceitado isso passivamente, mas aí fui ler em inglês, direito: "we are such stuff as dreams are made on". somos a coisa enquanto os sonhos são feitos? somos a coisa EM QUE os sonhos são feitos? será? os versos completos, n'a tempestade, dizem:

we are such stuff
as dreams are made on, and our little life
is rounded with a sleep
nós somos essa coisa. enquanto os sonhos são feitos, nossa pequena vida é rodeada por um sono.
a tradução moderna foi e fez isto:
We are similar stuff to that
That dreams are made of, and our little life
Is surrounded with a sleep.
ou SEJE: que merda, esse shakespeare morreu antes de terminar essa peça. foi COROADO (rounded) com o sono mortal.

15.11.08

deus fez o mundo em sete dias porque não tinha ninguém enchendo o saco, perguntando quando ia ficar pronto.

eis que eu voltei antes do que esperava.
mas é que tô numa segunda lua-de-mel com sophia, aí vim aqui pesquisar umas coisas e tal.
e deixar aqui estas anotações:
vocês sabem dos meus preconceitos com essa gente de letras que tenta escrever literatura. tudo é vanguarda-envelhecida. é muito autoconsciente, no pior dos sentidos, sempre tentando ser genial. desconstruir tudo até não sobrar fiapo. não é que nem o rosa que só pode inovar tudo o que inovou porque tinha uma narrativa que é uma historinha muito bem amarrada e perfeita, com encadeamentos. ninguém é como rosa, né? parei. acho o rosa maior que o machado de assis, que a clarice lispector, que todos.