de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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9.11.13

penso no que fazer com a penca de poemas que através dos tempos escrevi pra você.
nas duas ou três vezes isoladas em que estivemos juntas.
era
   uma transa
uma lembrança
uma semana com poemas-justificativas
uma lista de livros recomendados por você
que eu nunca consegui ler.

vasculho os arquivos cadernos links
atrás dessa reunião das datas esparsas
em que nunca sempre você era minha

não consigo juntar nada  deixo assim
porque fomos fragmentariamente
unidas, afim de não quebrar a imaginária
linha

que você mantinha
entre a gente
- ou era eu que a tinha?

30.6.13

tentando, no espaço de dois dias, reembarcar pro rio, depois de, na porta do portão de embarque, resolver voltar e rever o porto, gaia, (são) pedro, tudo.

já ouvi mais ou menos 3 discos, arrumei o álbum do facebook do porto em ordem cronológica, e até agora não chorei nem senti febre. parece que hoje vai ser menos dramático chegar ao rio. não sei. não há como prever. mas sei que fiquei calejada em: emagrecer minha mala (elas ficaram com 3 quilos a menos! sem eu ter jogado nada fora!); pular a fila do check-in já que tinham-no feito pra mim quando eu cheguei pra moça sobrecarregada no balcão do portão e embarque e falei:

- olha, desculpe, veja só: há a possibilidade de eu desistir desse voo pro rio de janeiro hoje e embarcar na segunda-feira? eu estou doente e sem dormir, vou chegar ao rio de madrugada... 

mal sabia ela que o que eu queria era responder ao vivo uma mensagem de texto que recebi e desencadeou um choro que acompanhou a redação do post anterior. não respondi nada verbalmente, ao reencontrá-lo, mas com a minha presença física: sou alguém de quem não se sente saudades. forjo a minha onipresença onde estiver. refaço todos os caminhos se for preciso.

a moça disse que só havia voo no domingo, eu achei que tudo bem, contanto que fosse direto pro rio. na madrugada de sábado de são pedro d'afurada para domingo, dormi no sofá vendo um filme francês de comédia quase mudo. sonhei com o avião fazendo um pouso forçado e eu ficando puta porque tinha pagado caro e não ia direto pro rio. mas todos sobrevivíamos. 

vim conversando com ele, no caminho pro aeroporto, sobre sonhos macabros que tinha durante minha depressão. ele insiste que nunca faria psicoterapia, a não ser que pudesse controlar e analisar exatamente o que o médico estava fazendo com ele. essa gente é completamente louca.

mas o meu sonho recorrente dos dentes caindo teve uma explicação que eu achei muito coerente: a gente só sente falta de uma coisa que já perdeu. nunca podemos sonhar com um membro mutilado, porque nunca ficamos sem um braço. mas como já estivemos banguelas, podemos abrir um precedente pra sonhar com a falta do dente. sabemos como é isso. aí o inconsciente nos faz desdentados e sangrando, representativo de algo que nos falta e sabemos como é.

me lembra trechos do eros, the bittersweet, agora que penso nisso: aquelas assertivas sobre o amor ser aquilo que nos falta, o desejo de preencher o espaço entre dois corpos. mas esse espaço lacunar existirá sempre. quando a anne analisa aquele poema da safo, o fragmento 31. então talvez sentirei a falta dele como se ele tivesse sido um dente meu. vai sangrar, que nem nos meus sonhos. mas depois de se desprender da gengiva, restará o dente inútil, sem função e não-amadurecido. posso fazer um colar com todos os dentes-amantes que sofri. e posso abrir espaço para que nasçam uns pela raiz. e que durarão até a velhice.

outra coisa que me inquietou enquanto tava na casa dele, e ele passava a tarde inteira de cueca na minha frente: acordei enquanto sonhava com umas frases assim, que não pude capturar como era no sonho, mas o sentido está aí:


você não acha que há de haver sempre uma pessoa feita para a outra, que as duas se dão muito bem, e que se deixassem de palhaçada iam ser muito felizes?

achar eu acho, se a natureza os fez assim é que é outro problema.

mas reconditamente eu acho. senão não tinha esperanças.

então é vergonha de admitir o que se acha? pros outros?

vergonha de admitir pra natureza. o que ela faz é sempre tão maior que as nossas escolhas, como: ficar de palhaçada. ficar de palhaçada é uma escolha.

2.12.12

i blew it all through the air

escrevi um texto sobre o pedro. no meio do texto tive uma ideia de presente pra dar pra ele, e achei que uma parte do texto podia servir de dedicatória. já que minhas chances, pelo menos por enquanto, se esgotaram, achei por bem postar aqui. porque eu tolhi a parte em que era extremamente clara sobre minhas más intenções para com ele. e agora é hora de ir a lume. lá está-

Minha paixão pelo Pedro já virou uma paixão por oposição, se intensifica por causa dessa oposição, e me movimenta, me irrita, me tira da inércia, ou, como dizem, me ofende, me fere, me demove, comove, compõe e decompõe, me morre, me erra, me faz ser a pessoa mais ignorante do mundo - e talvez a mais sábia por reconhecê-lo, é uma paixão Lóri/Ulisses. Talvez deva ser esse o livro para eu dar a ele, essa a aprendizagem que eu tenha a oferecer-lhe, é um livro de amor, de lógos, de desorientação, deslocamento, persona, lágrimas, táxis, rio.
esse Rio que é mais mar que o mar
Um Douro muito controverso, sem cantadores, que (en)torno em: eu.
Não é assim que começa, nem bem assim que termina,
é vasto, vai durar

19.6.12

não existe amor em portugal


DOBRADA À MODA DO PORTO
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
s.d.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
  - 310.

3.6.12

é uma perna que passa, é um olhar demorado

betha dando entrevista sobre como faz sexo é quase um "águas de março".

estive com um cara - que eu não espero que chegue aqui, mas... - fiquei com um cara que não me aguentei: tive que dizer "pra quê tanta perna, meu deus?", e o melhor é que ele entendeu a referência.

me defrontei com uns momentos maravilhosos dos meus encontros com ele e com mais uns outros, de dentro dos obscuros das minhas reações psico-físicas, (momentos horrorosos) que me deixaram super triste. era assim: um "relaxamento", olhos fechados, sentindo o peso todo na cadeira, uma coisa deixando-ser. todos abriram os olhos se sentindo mais leves, mais inteiros, e eu tava péssima.

primeiro vinham os gestos de proximidade: ouvir a voz até que ela se tornasse um sopro na minha boca, depois partes do corpo, peito pernas pescoço; e segundo vinham os golpes de não. assustador. ouvi a verdade do poema que estava aprendendo, e ela acabou sendo mais parecida com o meu primeiro jeito de lê-lo. 

31.12.11

o dobro

posts gêmeos pra situações e modos de lidar com a vida quase antagônicos - embora sejamos tão parecidos.
astrologia não me resolve: eu e samuel temos quase o mesmo mapa astral, mas quando ele fala que amou demais, ele sai quase por cima, com aquela sapiência de quem nem deixa se envolver tanto assim.


ainda não me considero curada do meu recolhimento afetivo. mas estou tentando não jogar esse ano todo na privada, só por causa do meu desapontamento, ao fim dele.

para isso, e pra esse blog ter algum senso de fechamento, para o ano que vem, vou botar três músicas que são, uma vez e de novo, o resumo de tudo o que eu quero pra todos nós:





22.12.11

No um

Engraçado...

outro dia o Tadeu esteve comentando algo sobre não acreditar nesse homem que é obrigado a ser personificação do hóllon - com vontade, razão e emoção em uma tríplice união perfeitamente equilibrada.

Aí eu desci do ônibus pensando bem nesse mito. Minutos depois, me vem à cabeça isto:
eu gosto das pessoas que são, em algum aspecto - umzinho que seja - muito envolvidas em algo: sua própria arte, ou meditação, ou outra religião (não-monoteísta) ou política, ou suas profissões, ou viver plenamente - sublinhando as coisas bonitas da vida...

Todas as pessoas por quem me apaixonei tinham essa característica.

Então cheguei à casa e recebi um e-mail lindo de um amigo, com toda a carcaça de um e-mail de fim-de-ano-da-empresa, mas que reverberava essa propriedade do total, do engajamento, de ser verdadeiro consigo mesmo e seguir uma mundivisão própria, de que ninguém pode te alienar.

Fiquei feliz, porque isso é prova da unidade do universo.

20.12.11

para comer um quilo de sal


Eu tenho 25 anos, né, essa é a novidade. E estive pensando que, mesmo que eu me case amanhã e desfrute de uma união duradoura, nunca ninguém vai me conhecer há tanto tempo quanto a minha família. Se eu tiver sorte e o casamento durar 25 anos, eu com 50 não vou ter passado com o/a cônjuge tanto tempo quanto a minha família passou comigo. Os populares diziam que era preciso ter comido juntos um quilo de sal, para que os parceiros passem a se conhecer com profundidade. Porque imaginei aqueles casais que sobrevivem aos próprios parentes – e o cônjuge passa a ser mais do que um integrante de uma família que você não escolheu; mas aquela única alma que durou com você, atravessando juntos o tempo.

26.10.11

revista, signo, blog, num sei quê lá



  • acordei com essa música na cabeça, fiz meu breakfast e vim procurá-la enquanto comia: é uma delícia ouvir isso aí de manhã. sei muito bem que samuca se viciou na ruiz (na raiz da ruiz) e foi da maior importância eu ter topado com esse vídeo antes da versão da gal, pra ter a chance de de repente ele não ter visto ainda e se maravilhar. adorei a interpretação, tem umas coisas debochadas - imprimidas naquela voz preguiçosa que a gente faz quando não quer articular as palavras. a verdade é que eu fiquei presa nesse círculo de otário, gal bethânia elis clara, e tenho o maior preconceito com cantoras mais jovens da êmepêbê - quando na verdade é mentira: eu só ouço mesmo bethânia e até pra ouvir a gal levou um tempão, mas gostei do que vi. a mesma coisa pra clara nunes: que feeling, meodeus. mas gostei dessa tulipa, sim (e que nome de pais hippies, nem sei se é o nome dela de verdade - evocou essa coisa de pseudo-flautista-pseudo-militante-pseudo-pobre-que-mora-em-santa-teresa de que o povo anda falando tanto mal... [e que na verdade acho isso um papo de otário, num sei quê lá]).

    e olha que o vídeo é produzido pela veja - ou seja, namorada de comunista não pode nem pensar em.
  • eu minto muito (mas minha voz não mente): na verdade eu acordei com lovesick blues, nessa versão deliciosa em que a norah jones finge que é fancha e canta pra uma mulher - quando a versão standard pras mulheres (patsy cline etc) é cantar HE e não SHE, GUY, e não GAL. mas a música da tulipa fez muito melhor pra mim do que ouvir "lovesick". talvez isso queira dizer que eu já superei certas coisas a respeito de abandono, já tô no esfriamento irônico e não tô "sittin' here feeling sorry for myself". pois, acordei com "lovesick" na cabeça e tinha sonhado com alturas. era eu passeando sozinha num metrô ETERNO na itália (acho que era roma, que não conheci), tentando chegar num museu no meio do nada. mas eu tinha dormido no meio da viagem e chegado ao fim da linha, daí fui perguntar pra um italiano com cara de tarado - falando um italiano totalmente cagado pra misturar com inglês - como é que chegava na estação tal. ele ficou pensando, pensando e decidiu que no fim o trajeto que ele tinha sugerido ia tomar tempo demais, que era pra eu perguntar no guichê da estação final em que a gente ia descer.

    no guichê já cheguei direto falando inglês, tentando me fazer entender, e aí a mulher foi checar as informações alhures, chamou um outro cara pra me explicar - e eles falavam português de portugal entre si. quando eu descobri que falavam português ficou tudo mais fácil, mas a sensação geral era que eles queriam ficar me prendendo ali e não me ensinando porra nenhuma, e eu não sabia como sair - ou seja, me prendia àquele lugar, de qualquer forma. no meio da espera, recebia um sms da isis com uma mensagem carinhosa e embaixo uma cifra de uma música que fale da nossa situação, mas dizendo que me queria. e enquanto isso eu achava que todos queriam ficar comigo, e davam em cima de mim.

    era só sair da estação de metrô que tinha um lugar com piscina bacana e vazio, e só os locais frequentavam-no. eu fiquei just chillin' lá e acordei (com a música na cabeça).
  • por exemplo, morar com o jun tem me feito um bem que é o seguinte: ele compra as coisas de modo que eu não preciso comprar. ele trouxe essa semana aquela "trip" temática de diversidade sexual, que eu tinha curtido, já, nas internets. tem uma matéria sobre uma amoreba (adorei o nome), uma comunidade (citadina) de gente que se ama tudo junto, num novo modelo de relacionamento. fiquei com vontade de conhecer - e se eu levasse mais um pouquinho de tempo não tendo encontrado o amor, eu ia querer morar lá com eles.

    e aí tem a vantagem de a gente ler algumas outras revistas, coisa que desde o fim da minha assinatura de "piauí" eu não fazia. um pouco entre besteira e coisa séria, é uma sensação de estar fazendo mais do que lendo aqueles horóscopos errados que saem. e a gente fica naquela de perguntar o meu signo, escorpião sagitário, num sei quê lá o tempo todo, quando na verdade não tem signo nenhum que explique o por quê de a gente ser tão cagado assim.
  • o que eu ia falar de blog que não tem nada a ver com isso tudo acima: estive pensando num grupo muito restrito, geracional, que somos eu e dois amigos que ainda escrevem em blogs. não é pouca coisa, se a gente pensar que as redes sociais tão aí e tudo evolui paulatinamente para o grunhido, como diz o saramago. a gente fala cada vez menos, mas fala o tempo todo no twitter e facebook. e nada gera o devido tempo de reflexão, é reblogagem e repetição o tempo inteiro - que também tem as suas vantagens, eu admito: senão não tinha contas nesses lugares e também no tumblr. mas o fato de a gente sempre voltar ao blog, ao nosso moleskine que seja - onde eu tenho escrito as coisas mais interessantes dentre as que tenho escrito - quer dizer alguma coisa (que ainda não sei o que é). mas o motivo dessa minha abertura de tópico foi, nomeadamente, os blogs de samuca - que acompanho desde 2001, vão 10 anos, e de rafa, que leio desde 2006. o que faz a gente continuar sendo interlocutor um do outro depois de tantos anos? e postar coisas parecidas, mas diferentes, fazendo referências um ao outro? e um traduzir o outro tão frequentemente?

    é uma modalidade contemporânea dos grupos e revistas literários, de repente - ou, mais modestamente, aquela coisa de que a clarice fala, às vezes, sobre pertencer:
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. (...)
sinto-me no entanto feliz de pertencer à literatura brasileira. Não, não é por orgulho, nem por ambição. Sou feliz de pertencer à literatura brasileira por motivos que nada têm a ver com literatura, pois nem ao menos sou uma literata ou uma intelectual. Feliz apenas por "fazer parte".

(in: A descoberta do mundo. crônica de 15 de junho de 1968)

5.10.11

vênus em escorpião

meus olhos lacrimejam seu corpo
exposto à mentira
do calor da ira
do afã de um desejo
que não contraíra no amor
a tortura está por um triz

mas a gente atura, e até se mostra feliz
quando se tem o álibi de ter nascido ávido
e convivido inválido
(mesmo sem ter havido).


11.7.11

só que minha violência para com deus tem que ser comigo mesma. tenho que me violentar para precisar mais. para que eu me torne tão desesperadamente maior que eu fique vazia e necessitada. assim terei tocado na raiz do precisar. o grande vazio em mim será o meu lugar de existir; minha pobreza extrema será uma grande vontade. tenho que me violentar até não ter nada, e precisar de tudo; quando eu precisar, então eu terei, porque sei que é de justiça dar mais a quem pede mais, minha exigência é o meu tamanho, meu vazio é minha medida. (...)

a tentativa de comer mais do que podemos para aumentarmos artificialmente a nossa fome - na exigência de vida tudo é lícito, mesmo o artificial, e o artificial é às vezes o grande sacrifício que se faz para se ter o essencial.

mas, já que somos pouco e portanto só precisamos de pouco, por que não nos basta o pouco? é que adivinhamos o prazer. como cegos que tateiam, nós pressentimos o intenso prazer de viver.
(...)

para termos, falta-nos apenas precisar. precisar é sempre o momento supremo. assim como a mais arriscada alegria entre um homem e uma mulher vem quando a grandeza de precisar é tanta que se sente em agonia e espanto: sem ti eu não poderia viver. a revelação do amor é uma revelação de carência - bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o dilacerante reino da vida.

se abandono a esperança, estou celebrando a minha carência, e esta é a maior gravidade do viver. e, porque assumi a minha falta, então a vida está à mão. muitos foram os que abandonaram tudo o que tinha, e foram em busca da fome maior.

a paixão segundo gh.

13.12.10

como eu ia dizendo...

eu fico muito chata quando descubro uma música e só ouço ela no repeat do youtube.


eu descobri essa música quando fabriquei um domingo de gente normal, sem trabalho e sem ensaios, me esforçando pra durar através do fantástico, enquanto a namorada estudava na cama. achei fofa essa fala do início - depois descobri a obviedade de ele fazer isso em todas as línguas, em todos os shows. mas ela vai ficar pra eu ouvir além-mar e dar uã choradinha de saudades, com suspiros poéticos.

And when I go away
I know my heart can stay with my love
It's understood
It's in the hands of my love
And my love does it good
Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa
My love does it good

And when the cupboard's bare
I'll still find something there with my love
It's understood
It's everywhere with my love
And my love does it good

23.9.10

…!.,

e dos venenos humanos
sois a mais fina retorta
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!

gosto de me sentir no mundo com a cinda. outro dia nos deixaram lá na praça onze, entramos no metrô, tudo depois de uma aula sobre o futurismo. passamos por vias com antenas que se semelhavam com teias de aranha com as pernas abertas para o céu e… balcões, prédios inteiriços, tudo muito colorido e acaixotado.

entrei no vagão, ela me contava absurdidezes sobre poetas por ela apaixonados, poetas narcisistas como os amantes das abnegadas não podem ser. “mas amor a gente não recusa – nem de padre”. aquela aura de fora-do-tempo, que eu só encontrava nas montanhas e nos descampados, esteve na cidade!

2.9.10

vou te dizer: estou ficando de saco cheio dessa gente cheia de opinião sempre. e é sempre contra os outros (e faço o mesmo, claro). ora, se tem coisa que me broxa imediatamente é falar mal de nietzsche; desempossar as pessoas do direito de desacreditarem no mundo; e também, paradoxalmente, de expressarem seus desejos, vontades, essas coisas que ARDEM.

pra encerrar, chorei de rir com este vídeo.

12.8.10

a noite estava fria lá fora e dentro dele o nome boiando. sussurou-o baixinho para a noite.

- paula.

era preciso dizer para que sentisse, para ficar livre a passagem por onde o amor se intrometeria. arrependia-se de ter dito o nome, preferia guardá-lo esquecido. não era tão puro o som como imaginava. precisava barrar o caudal de lembranças que viria. antes que fosse tarde, antes que o remorso se lhe apoderasse da consciência, procurou afastar de si o nome de tantas lembranças tristes, porque o amor era um prolongamento de sua tristeza. de novo o nome caía de seus lábios: ácido roendo o peito, unha arranhando a carne.

- paula... paula... de mansinho, como quem dorme.

[autran dourado.tempo de amar]

já vi tudo, vou acabar escrevendo sobre esse, e não barca dos homens...

15.6.10

estou pensando se agora devo escrever notícias quentes sobre as maravilhas do casamento. "would she go out at 2 am to buy groceries?"/ "and everytime i buy a diamond ring i hope you wear it - well, can you wear it?".

ah, who am i kidding, né? é o mesmo de sempre:

como é estranho o coração humano, ele comporta mais de um amor! dois amores diferentes, simultaneamente vivos, quero dizer. o meu amor desesperado por ismael, que parece não querer acabar nunca e o amor tranquilo por tote, persistente.

[autran dourado.ópera dos fantoches]

8.6.10

hey, dude,

rapaz, mas eu tô muito corny. tenho que parar com isso. parar de digitar bêbada de sono.

alguém me dá uma graninha só pra eu ir bater cabelo por aí e caçar uns (umas) cafuçus do bem?

25.5.10

vem, nem que seja só pra dizer adeus

amigos, paz e bem:



agora que já passou a solenidade, prestem atenção no sorriso de maribeth ao "não, eu comi bolacha...".

6.4.10

poetas portugueses explodindo em: eu

por teus olhos negros, negros,
trago eu negro o coração,
de tanto pedir-lhe amores...
e eles a dizer que não.

e mais não quero outros olhos,
negros, negros como são;
que os azuis dão muita esp'rança,
mas fiar-me neles, não.

só negros, negros os quero;
que, em lhes chegando a paixão,
se um dia disserem sim...
nunca mais dizem que não.

(almeida garrett)

peguei a citação clariana favorita de rafa para dizer que em matéria de saudades e dor do amor ardente os portugueses são mestres. eis que hoje, dia de dilúvio no rio de janeiro (e de que mais fala a internet brasileira?), em que da janela vejo cena parecida com as nevascas inacreditáveis do canadá, resolvo procurar em camões o que antes era ba-ta-ta encontrar no vinicius. epigrafei o post com o garrett, mas logo volto ao Poeta maior.

veja, minha vida:

erros meus, má fortuna, amor ardente
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que pera mim bastava amor sòmente.

tudo passei; mas tenho tão presente
a grande dor das cousas que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.

errei todo o discurso dos meus anos;
dei causa [a] que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.

de amor não vi senão breves enganos.
(...)


tão verdade.

diz ele no canto V dos lusíadas:
Ó Ninfa, a mais formosa do Oceano,
Já que a minha presença não te agrada,
Que te custava ter-me neste engano,
Ou fosse monte, nuvem, sonho, ou nada?
que te custava? já não sei o que amo: "o amador", "a coisa amada" ou o desejo. não precisamos do amor real, já que:

Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

diz sophia de mello breyner sobre o poeta:
A poesia de amor de Camões é escrita dentro de uma tradição de poesia do amor impossível, que vem quase até aos nossos dias.

Na maioria dos seus poemas líricos corre esse longo pranto do amor inacessível. Num mundo de madrugadas e névoas, de separações, de ausências e de naufrágios, passam os rostos das amadas mortas, distantes, negadas, inatingíveis, afogadas no Índico.

(grifos meus)

diz sophia, ainda: "Camões resiste e, porque resiste, sofre, vê e denuncia essa desatenção, essa surdez asfixiante". embora estivesse falando especificamente de portugal, isso pode - muito bem - servir ao amor, também. a gente resiste, "a gente vai contra a corrente/ até não poder resistir". a gente resiste em chamar essa indiferença - esse olhar blasé, essa desatenção e desprezo em relação ao amor - de vitória nossa de cada dia.

por isso minha sereia cinda gonda sempre diz: o bom é amar o amor! porque se você ama um objeto e ele se vai, você fica sem amar. agora, se você ama o amor, está sempre amando. acho que por isso as pessoas me acham tão perdida, tão destinada a sofrer de amor pra sempre. e que assim seja, amém.

31.3.10

sorriso grátis

sorria agora mesmo! é só fazer o seguinte:
lembre de 5 coisas que te fazem sorrir e, em seguida, sorria 5 vezes.

eis as minhas coisas:
  • ganhar um beijo na bochecha de alguém inesperado
  • receber um retweet de uma frase minha
  • o cheiro de fósforo recém queimado
  • ternurinhas de guimarães rosa
  • acordar com mensagem de celular carinhosa

já dei minha marthastewartzada hoje! e você?

ps: não posso deixar de falar da alegria que é cozinhar uma coisa pela primeira vez e dar certo e ficar inesperadamente gostoso E da alegria que é ouvir uma música que... uhul, sabe?