- vá a uma peça que dure 7 horas, em que o pessoal todo tenha que tomar algum tipo de entorpecente pra corresponder aos atos do espetáculo.
- tenha um dilema moral no meio do desencadeamento de acontecimentos, num drama que não é de eventos, mas de deslindes trágicos, tenha o momento de catábase para depois se purgar em catarse, no fim das sete horas.
- tome um banho de vinho enquanto baco, pelado (seu tio), entorna uma garrafa pela sua garganta.
- ao se encerrar a peça, andar até a lapa porque - what the hell - você pode continuar bebendo.
- ao encerrar a lapa, andar até algum depósito atrás de mais bebida, tudo sem sorte, até achar uma padaria que venda vinho tinto suave e aceite cartões de débito.
- ande até a sua casa, porque já gastou todo o dinheiro em vinho, acarajé e doações de alimentos não perecíveis, e não tem dinheiro pra custear um cocheiro.
- chegue em casa com dois indivíduos, um de cada sexo, e um saco de pão na mão às 4:20 da manhã.
- desfaça-se de um dos indivíduos ao alvorecer.
- produza, com a cortina, um blackout total que se assemelhe à escuridão da terra às 10 horas da noite no meio do mato.
- acorde quase à tarde, e despache o convidado remanescente.
- tome uma ducha bem quente, lavando todos os pecados da noite.
- ponha sua melhor roupa de ficar em casa e deite-se na cama, sentindo todas as dores do cansaço.
- leia a peça que deu origem à montagem da noite anterior.
- recomece o ciclo.
de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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15.11.10
como ser feliz
12.5.10
como tudo se transforma
tava eu na aula de didática, tendo seminário sobre paulo freire (clichê e escreve mal) e ppppppooooow, cai o mundo em chuva lá fora. daí a professora começou a fazer uma metáfora dizendo que "algumas questões estão exatamente como esta tarde, anuviadas," mas o tempo já tinha mudado. aí eu acreditei mesmo que tudo se transforma, e é possível a mudança social. se o tempo já tinha clareado, né?
então eu peguei um ônibus pra fora de lá, e quando estou ali no viaduto do frio-na-barriga da praia de botafogo - e já pensei em escrever sobre como é linda essa cidade e as paisagens pelas quais tenho passado todo dia... quando chega ali naquele meinho entre botafogo e flamengo é um desvelamento só; e quando tem feira? aquele cheiro de peixe, real - enquanto desço ali, no começo de botafogo, eu vejo, ó que maravilha: um arco-íris liiiiiindo arqueando um parêntesis no pão de açúcar. vou parar, pra não provocar síncopes nos meus colegas que não moram no rio, então eu digo: sabe o que eu pensei bem nessa hora?
primeiro, que ninguém tava vendo esse milagre da refração da luz. segundo: que adorno não serve pra ver arco-íris. pode servir pra muitas coisas (acho que não, mas em todo caso...), e pra ver arco-íris não serve.
então eu peguei um ônibus pra fora de lá, e quando estou ali no viaduto do frio-na-barriga da praia de botafogo - e já pensei em escrever sobre como é linda essa cidade e as paisagens pelas quais tenho passado todo dia... quando chega ali naquele meinho entre botafogo e flamengo é um desvelamento só; e quando tem feira? aquele cheiro de peixe, real - enquanto desço ali, no começo de botafogo, eu vejo, ó que maravilha: um arco-íris liiiiiindo arqueando um parêntesis no pão de açúcar. vou parar, pra não provocar síncopes nos meus colegas que não moram no rio, então eu digo: sabe o que eu pensei bem nessa hora?
primeiro, que ninguém tava vendo esse milagre da refração da luz. segundo: que adorno não serve pra ver arco-íris. pode servir pra muitas coisas (acho que não, mas em todo caso...), e pra ver arco-íris não serve.
8.5.10
por que buzinam tanto no meu ouvido?
eu estava errada, apareceram 6 meninas lindas e patricinhas interessadas em saber as características de três períodos literários, em plena 6a à tarde. me enrolei porque sempre quero combater tudo, então fiz uma introdução longa demais falando em como a divisão historiográfica da literatura é uma idiotice e pedindo a elas pra ler direitinho os textos antes de botar cegamente que o poema tem linguagem rebuscada ou procura o léxico da fala coloquial; que o romance é cientificista e diz que o meio justifica o homem etc.
no fim, meu dia (e vida profissional) foi ganho porque elas falaram que a aula foi muito boa, mesmo eu falando tudo com uma pressa a jato de dar aula de linguistica e literatura em uma hora.
depois me apaixonei por um metaleiro da aula de psicologia da educação (4a eu me apaixonei por um da aula da didática, são sempre os que fazem colocações sarcásticas, inteligentes e tem algum gosto parecido com o meu), que faz história junto com meu ex namorado.
voltando da terapia, uma menina falou pro motorista do ônibus, que nos levava - fatigados - pra casa, depois de uma semana exaustiva:
- para de buzinar!
e porra, o cara buzinava a cada 10 metros, eu não tô de brincadeira! e por QUALQUER motivo. comecei, de repente, a ouvir TODAS as buzinas de copacabana, fechei o augusto dos anjos, e constatei que as buzinas de copacabana são INTERMINÁVEIS.
cheguei em casa e nossa nova roomate está escutando um emo gospel enquanto eu ouço algo de mozart. tó ón legétai pollachós.
no fim, meu dia (e vida profissional) foi ganho porque elas falaram que a aula foi muito boa, mesmo eu falando tudo com uma pressa a jato de dar aula de linguistica e literatura em uma hora.
depois me apaixonei por um metaleiro da aula de psicologia da educação (4a eu me apaixonei por um da aula da didática, são sempre os que fazem colocações sarcásticas, inteligentes e tem algum gosto parecido com o meu), que faz história junto com meu ex namorado.
voltando da terapia, uma menina falou pro motorista do ônibus, que nos levava - fatigados - pra casa, depois de uma semana exaustiva:
- para de buzinar!
e porra, o cara buzinava a cada 10 metros, eu não tô de brincadeira! e por QUALQUER motivo. comecei, de repente, a ouvir TODAS as buzinas de copacabana, fechei o augusto dos anjos, e constatei que as buzinas de copacabana são INTERMINÁVEIS.
cheguei em casa e nossa nova roomate está escutando um emo gospel enquanto eu ouço algo de mozart. tó ón legétai pollachós.
25.3.10
céus, não ganhei a caixa da maribeth autografada, oferecida pela mpb.com.
eles pediam pra fazer uma frase dizendo da importância de bethânia pra mpb. eu falei algo como: "se maria bethânia não tivesse segurado o carro que joão gilberto dirigia, e eles tivessem se acidentado, onde estaria a mpb agora, sem os dois? maribeth segura!". achei minha resposta bem mais jovem que as dos outros. mas tudo bem, queria mais pelos cds do que pelo autógrafo. :P
eles pediam pra fazer uma frase dizendo da importância de bethânia pra mpb. eu falei algo como: "se maria bethânia não tivesse segurado o carro que joão gilberto dirigia, e eles tivessem se acidentado, onde estaria a mpb agora, sem os dois? maribeth segura!". achei minha resposta bem mais jovem que as dos outros. mas tudo bem, queria mais pelos cds do que pelo autógrafo. :P
11.2.10
to do list
tô com uma mania, desde que me mudei, que faz com que eu faça listas de tarefas e cole na parede, bem na frente do meu computador, que é pra eu me sentir mais no controle da minha vida e das minhas coisas mundanas, sei lá.
a primeira lista foi bem produtiva, consegui ter um aproveitamento bom dos afazeres - que incluíam mandar scraps a pessoas legais, tocar violão e "have a nice day :)". a segunda lista, feita ontem - depois de a minha agenda ter se lotado de letras e números e e-mails e pedaços de poemas que estou fazendo - ficou a manhã inteira me assombrando, porque eu não conseguia priorizar e nem resolver se ia fazer as coisas fora de casa ou não. porque, vamos combinar, está uma merda sair nesse calor saariano, nisso aí todos nós cariocas concordamos.
não escrevi nenhum auto-bilhete alegrinho, como fiz na primeira lista, no estilo e-mails que samuca se escreve, assinando: "beijos, arrasa, samuca". talvez isso tenha ajudado a me causar terror. isso e o fato de a maioria dos afazeres exigirem uma intervenção de terceiros que me confundia e me fazia não saber por onde começar. por exemplo: pra marcar hora no dentista, minha mãe tinha que me dar o telefone; pra pedir meu riocard do metrô, preciso de um laudo da fisioterapeuta e outro de um posto médico; pra ir ao infocentro, precisa... vocês entenderam.
então, depois de botar a roupa pra lavar e fazer um hambúrguer de soja - esse sim, molhadinho, gostoso - resolvi ligar pro pai da minha irmã (que não é meu pai nem padrasto, é complicado), que é otorrino, e marcar uma hora com ele. desde que voltei de friburgo, tendo passado horas naquela piscina sensacional, mergulhando, plantando bananeira e boiando, tô com uma dorzinha chata no ouvido. daí, pimba, consegui que ele me encaixasse, fui lá na saens peña (ô, nome mais inadequado praquele lugar chinfrim!) e ele me receitou colírio pra pingar no ouvido (!).
daí, mudando de ares, andando pra lá e pra cá de metrô, entrando em farmácias tijucanas, consegui dar vazão ao meu estresse e ansiedade, pensei em quarenta coisas pra postar, parece que tudo me encantava, na rua. botei o ipod pra tocar no shuffle e ele me ofereceu uma setlist supimpa: ;'diamante verdadeiro" (por maribeth, versão "álibi"), "muito romântico", "o mundo é grande/quadrinha/cirandas" (termina com "nós queremos navegar, aiá") e "marinheiro só" (por caetano, versão de 1969). isso tudo porque queria ouvir "álibi", cujo trecho inicial rafa me mandou por mensagem:
e ainda: essa coisa de fila em farmácia é um perigo. só esperando, inocentemente, comprei um esmalte vermelhaço (chama-se "toque de ira") e umas gillettes (adoro!).
sssh tsááá.
a primeira lista foi bem produtiva, consegui ter um aproveitamento bom dos afazeres - que incluíam mandar scraps a pessoas legais, tocar violão e "have a nice day :)". a segunda lista, feita ontem - depois de a minha agenda ter se lotado de letras e números e e-mails e pedaços de poemas que estou fazendo - ficou a manhã inteira me assombrando, porque eu não conseguia priorizar e nem resolver se ia fazer as coisas fora de casa ou não. porque, vamos combinar, está uma merda sair nesse calor saariano, nisso aí todos nós cariocas concordamos.
não escrevi nenhum auto-bilhete alegrinho, como fiz na primeira lista, no estilo e-mails que samuca se escreve, assinando: "beijos, arrasa, samuca". talvez isso tenha ajudado a me causar terror. isso e o fato de a maioria dos afazeres exigirem uma intervenção de terceiros que me confundia e me fazia não saber por onde começar. por exemplo: pra marcar hora no dentista, minha mãe tinha que me dar o telefone; pra pedir meu riocard do metrô, preciso de um laudo da fisioterapeuta e outro de um posto médico; pra ir ao infocentro, precisa... vocês entenderam.
então, depois de botar a roupa pra lavar e fazer um hambúrguer de soja - esse sim, molhadinho, gostoso - resolvi ligar pro pai da minha irmã (que não é meu pai nem padrasto, é complicado), que é otorrino, e marcar uma hora com ele. desde que voltei de friburgo, tendo passado horas naquela piscina sensacional, mergulhando, plantando bananeira e boiando, tô com uma dorzinha chata no ouvido. daí, pimba, consegui que ele me encaixasse, fui lá na saens peña (ô, nome mais inadequado praquele lugar chinfrim!) e ele me receitou colírio pra pingar no ouvido (!).
daí, mudando de ares, andando pra lá e pra cá de metrô, entrando em farmácias tijucanas, consegui dar vazão ao meu estresse e ansiedade, pensei em quarenta coisas pra postar, parece que tudo me encantava, na rua. botei o ipod pra tocar no shuffle e ele me ofereceu uma setlist supimpa: ;'diamante verdadeiro" (por maribeth, versão "álibi"), "muito romântico", "o mundo é grande/quadrinha/cirandas" (termina com "nós queremos navegar, aiá") e "marinheiro só" (por caetano, versão de 1969). isso tudo porque queria ouvir "álibi", cujo trecho inicial rafa me mandou por mensagem:
havia
mais que um desejo
a força do beijo
por mais que vadia
não sacia mais
(...)
mas a gente atura e até
se mostra feliz
e ainda: essa coisa de fila em farmácia é um perigo. só esperando, inocentemente, comprei um esmalte vermelhaço (chama-se "toque de ira") e umas gillettes (adoro!).
sssh tsááá.
24.11.08
namastê
nove da manhã e já aconteceu algo pra me deixar feliz o dia inteiro e curar o estresse ideológico de ontem.
dispensei um 485-sem-ar-lotado por uma van cheirosa, acolchoada, espaçosa e fresquinha (R$ 2,50) pra chegar vapt-vupt na faculdade. eis que surge um engarrafamento na entrada do túnel. os passageiros se assustam, logo pensam em assalto no túnel, tiroteio no catumbi, avalanche do morro etcétera e perguntam:
- moço, mas esse engarrafamento é por quê, hein?
ao que o motorista responde: "não sei".
entrando no túnel, eu já ligando o controlador de respiração, com medo da claustrofobia, não podia continuar lendo o ondjaki, então fechei os olhos.
o motorista se volta contra os chiados do rádio sem sinal e o cd player fagocita um disco. uma voz grave e lenta, uma língua estranha. saímos do túnel, volta a jb fm (¬¬).
- moço, que música era essa, era um cd?
- era, um disco de música indiana. mantras.
meu coração ficou morninho. sorri largo ainda com a prosa breve de ondjaki na cabeça.
- estou imaginando você no meio de um engarrafamento infernal entoando mantras, ficando bem zen.
- tem que ser, não é? e vamos nos estressar com engarrafamento? tem que ter mantras pra shiva, pra ganesha... quando não tem jeito, não tem jeito...
- tá muito certo...
o ponto da letras é a primeira parada do motorista yogi. dou feliz a tarifa e desço desejando:
- namastê.
- obrigado, bom dia.
:)
dispensei um 485-sem-ar-lotado por uma van cheirosa, acolchoada, espaçosa e fresquinha (R$ 2,50) pra chegar vapt-vupt na faculdade. eis que surge um engarrafamento na entrada do túnel. os passageiros se assustam, logo pensam em assalto no túnel, tiroteio no catumbi, avalanche do morro etcétera e perguntam:
- moço, mas esse engarrafamento é por quê, hein?
ao que o motorista responde: "não sei".
entrando no túnel, eu já ligando o controlador de respiração, com medo da claustrofobia, não podia continuar lendo o ondjaki, então fechei os olhos.
o motorista se volta contra os chiados do rádio sem sinal e o cd player fagocita um disco. uma voz grave e lenta, uma língua estranha. saímos do túnel, volta a jb fm (¬¬).
- moço, que música era essa, era um cd?
- era, um disco de música indiana. mantras.
meu coração ficou morninho. sorri largo ainda com a prosa breve de ondjaki na cabeça.
- estou imaginando você no meio de um engarrafamento infernal entoando mantras, ficando bem zen.
- tem que ser, não é? e vamos nos estressar com engarrafamento? tem que ter mantras pra shiva, pra ganesha... quando não tem jeito, não tem jeito...
- tá muito certo...
o ponto da letras é a primeira parada do motorista yogi. dou feliz a tarifa e desço desejando:
- namastê.
- obrigado, bom dia.
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