de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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30.9.11
13.4.11
depois de uma manhã de quem sou eu.
heart-revealing are the times in which i stop and revisit my childhood idols, such as hanson and alanis morissette. i hadn't even understood these sort of days were coming while i analysed "where's the love" video clip yesterday.
why pleased with
your low
maintenance?
you loved us more than we could've loved
you
back.
8.7.10
there is a song for you from joni
"case of you" era dele. descobri o blue numa época em que absolutamente nada fazia sentido, e tudo o que eu fazia era elope. but not to get married. i eloped to canada.
de modo que a única coisa que fazia sentido era a vida que eu tinha vivido, brevemente, junto da "vida que poderia ter sido e que não foi". e tudo o que eu queria era um "rio em que eu pudesse patinar pra longe".
o rio em que não neva, "fica bem verdinho", estava aqui: uns 40 graus acima da temperatura do gelo pra patinar. eu chorava porque eu sabia que depois eu ia rir, até que eu chorasse de novo - e dava um desespero de essa inconclusividade levar inexoravelmente ao mesmo ciclo vicioso. o que queria dizer: eu ia chorar, de novo, de novo, de novo, e querer fugir.
estava de viagem marcada para o gelo, pra passear beira-rios congelados. numa dessas manhãs de confusão - é horrível, toda vez, acordar, nessas épocas em que o sonho te dá perspectivas muito melhores do que a realidade -, engolido um café, encontrei no suplemento cultural do jornal um artigo sobre blue, que é, nomeadamente, o objeto desse texto. o jornalista qualificava o álbum de joni "triste pra chuchu", e a verdade era: não há disco que entenda mais fundamente a solidão do que blue. "the bed is too big/the frying pan is too wide". "if you want me i'll be in the bar". "only a dark cocoon before i get my goooooorgeous wings and fly away". "we don't need a piece of paper from the city hall keeping us tied and true, you know".
eu tinha feito isso, perdido "o best baby that i'd ever had" (e não era o best baby, que besteira isso!), ainda querendo beber caixas e caixas do néctar agridoce daquela pessoa, embora nosso término tivesse sido horrível: eu quis magoar pra me vingar, mas sabia que essa não era a resposta, sabia que eu não podia reagir, eu tinha passado por uma educação estoica poucos meses antes, um mergulho na autoconsciência que ia mudar minha prática pro resto da minha vida. não devia reagir jogando gasolina no fogo da dor que ele tinha me causado. e era principalmente esse silêncio, minha impossibilidade de ser honesta e em contato com o que eu realmente sentia, eram os vinte mil eu-te-amos engasgados... era isso que prejudicava só a mim - infelizmente -, de modo que derramar tudo isso, explodir maldosamente na cara dele todo o mal que eu mesma me causei só ia me trazer sofrimento. era isso que eu não entendia. a partir de como eu agia, silenciando, posso até pensar que eu entendia: não causava mal a ele. mas não compreendia como essa atitude era maléfica pra mim, me deteriorava, me aniquilava, me dissolvia.
a mãe dele me avisou. eu tinha conhecido essa mulher, com o "rosto parecido com o teu, que conhecia a tua vida, os teus demônios, os teus feitos". ela me disse: "go to him, stay with him if you can, but be prepared to bleed". ela sabia que os relacionamentos do filho dela nunca passavam dos três meses (os meus também não). o que eu estava achando? desde o início eu já tinha me enrolado, já estava sangrando, mas nunca deixava isso transparecer. porque se eu sinalizasse o quanto aquela paixão estava me consumindo... ele ia embora. eu não disse. e ele foi. fiquei com o blue. fui para o norte.
é, joni, canções são como tatuagens. agora finalmente entendo: "crown and anchor me or let me sail away". meio-termo não dá. ele sempre me deixara navegar. e eu já naveguei tanto, ai...
de modo que a única coisa que fazia sentido era a vida que eu tinha vivido, brevemente, junto da "vida que poderia ter sido e que não foi". e tudo o que eu queria era um "rio em que eu pudesse patinar pra longe".
o rio em que não neva, "fica bem verdinho", estava aqui: uns 40 graus acima da temperatura do gelo pra patinar. eu chorava porque eu sabia que depois eu ia rir, até que eu chorasse de novo - e dava um desespero de essa inconclusividade levar inexoravelmente ao mesmo ciclo vicioso. o que queria dizer: eu ia chorar, de novo, de novo, de novo, e querer fugir.
estava de viagem marcada para o gelo, pra passear beira-rios congelados. numa dessas manhãs de confusão - é horrível, toda vez, acordar, nessas épocas em que o sonho te dá perspectivas muito melhores do que a realidade -, engolido um café, encontrei no suplemento cultural do jornal um artigo sobre blue, que é, nomeadamente, o objeto desse texto. o jornalista qualificava o álbum de joni "triste pra chuchu", e a verdade era: não há disco que entenda mais fundamente a solidão do que blue. "the bed is too big/the frying pan is too wide". "if you want me i'll be in the bar". "only a dark cocoon before i get my goooooorgeous wings and fly away". "we don't need a piece of paper from the city hall keeping us tied and true, you know".
do you see
do you see
do you see
how you hurt me, baby?
so i hurt you too
and we both get so blue
eu tinha feito isso, perdido "o best baby that i'd ever had" (e não era o best baby, que besteira isso!), ainda querendo beber caixas e caixas do néctar agridoce daquela pessoa, embora nosso término tivesse sido horrível: eu quis magoar pra me vingar, mas sabia que essa não era a resposta, sabia que eu não podia reagir, eu tinha passado por uma educação estoica poucos meses antes, um mergulho na autoconsciência que ia mudar minha prática pro resto da minha vida. não devia reagir jogando gasolina no fogo da dor que ele tinha me causado. e era principalmente esse silêncio, minha impossibilidade de ser honesta e em contato com o que eu realmente sentia, eram os vinte mil eu-te-amos engasgados... era isso que prejudicava só a mim - infelizmente -, de modo que derramar tudo isso, explodir maldosamente na cara dele todo o mal que eu mesma me causei só ia me trazer sofrimento. era isso que eu não entendia. a partir de como eu agia, silenciando, posso até pensar que eu entendia: não causava mal a ele. mas não compreendia como essa atitude era maléfica pra mim, me deteriorava, me aniquilava, me dissolvia.
a mãe dele me avisou. eu tinha conhecido essa mulher, com o "rosto parecido com o teu, que conhecia a tua vida, os teus demônios, os teus feitos". ela me disse: "go to him, stay with him if you can, but be prepared to bleed". ela sabia que os relacionamentos do filho dela nunca passavam dos três meses (os meus também não). o que eu estava achando? desde o início eu já tinha me enrolado, já estava sangrando, mas nunca deixava isso transparecer. porque se eu sinalizasse o quanto aquela paixão estava me consumindo... ele ia embora. eu não disse. e ele foi. fiquei com o blue. fui para o norte.
é, joni, canções são como tatuagens. agora finalmente entendo: "crown and anchor me or let me sail away". meio-termo não dá. ele sempre me deixara navegar. e eu já naveguei tanto, ai...
21.5.10
não posso adiar o amor...
...no sentido mais lato, o amor mais universal, mais compassivo, o que inclui o perdão para mim mesma e para os outros - já dizia antónio ramos rosa.
ando esquecida de mim mesma, em detrimento de mim ponho a felicidade do trabalho alienado e do capital que adquirirei para poder esquecer mais de mim, inventar desculpas, pagar mais contas e precisar de mais terapia, indefinidamente... parei esse ciclo vicioso.
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
ando esquecida de mim mesma, em detrimento de mim ponho a felicidade do trabalho alienado e do capital que adquirirei para poder esquecer mais de mim, inventar desculpas, pagar mais contas e precisar de mais terapia, indefinidamente... parei esse ciclo vicioso.
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
minha terapeuta tem razão - é tudo escolha, mesmo, e já me sinto melhor. só que pôr meu coração na ordem do dia - para além de me tornar uma vítima da história - não depende de eu me submeter a um tratamento psicológico. não é indo à terapia que eu vou me colocando em dia, passando a me adiar/odiar menos e pondo o meu sentimento, razão e vontade em perfeita harmonia. isso também é uma ilusão, e é o que os doutores psicólogos querem nos fazer acreditar. acabo de perder 71 reais, mas recuperei lendo drummond e ramos rosa. 35,50 cada poema, acho justo. acho justo pelo teor inegável de aprendizagem e libertação que os dois poemas trazem. ou melhor, não é isso. isto é subordinar o poema à lógica mercantil, e ver no preço, no "poder pagar", uma aprendizagem - também mercantilizada, utilitarizada, medida, que pode ser adquirida a qualquer hora, a depender do capital. o que quis dizer é que perder 71 reais não me deixou triste, porque, aquilo que eu não entendi na terapia até agora, drummond e ramos rosa me subsidiaram. muito obrigada, carlos, antónio... (vocês são gente que faz)
23.4.10
pensatempos [roubado de mia couto]
sabe, de vez em quando eu tenho uma saudadezinha do tempo em que eu não estava em tratamento psicológico, tendo que esquadrinhar todas as minhas atitudes e pensamentos, numa neurose sem fim:
- será que medito e vegetarianizo pra mostrar a ele o quanto sou legal?
- será que eu tinha ressentimento com o meu padrasto por me "roubar" a mãe?
- será que já não era hora de eu parar de ser analisada mas continuo lá na perspectiva de ter um grande breakthrough nos próximos dias, sendo que esse mecanismo de pensamento só serve pra me deixar mais presa às sessões?
björk de maria-chiquinha, uma graça:
- será que medito e vegetarianizo pra mostrar a ele o quanto sou legal?
- será que eu tinha ressentimento com o meu padrasto por me "roubar" a mãe?
- será que já não era hora de eu parar de ser analisada mas continuo lá na perspectiva de ter um grande breakthrough nos próximos dias, sendo que esse mecanismo de pensamento só serve pra me deixar mais presa às sessões?
björk de maria-chiquinha, uma graça:
14.4.09
toda vez que eu vou pra terapia pensando que já é hora de me livrar dela, acontece uma sessão bizarra e eu vejo que não estou pronta e nem estarei tão cedo. a hora é grave e da sinceridade. deixei o carrasco em casa e tudo fluiu com mais Verdade. sem mentalização.
se tem uma coisa que eu aprendi com certos escritores foi a não me prender a essa ética burguesa. e o que eu fazia? tentava ser boa, legal, politicamente correta no meu próprio discurso curador. aí raiva, vingança, manipulação, desejo e dominar eram palavras que não apareciam no meu vocabulário.
EPA ARREIA, IANSÃ!
se tem uma coisa que eu aprendi com certos escritores foi a não me prender a essa ética burguesa. e o que eu fazia? tentava ser boa, legal, politicamente correta no meu próprio discurso curador. aí raiva, vingança, manipulação, desejo e dominar eram palavras que não apareciam no meu vocabulário.
EPA ARREIA, IANSÃ!
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