de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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20.12.12

estou amando.

a vida.

fim.

Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos.  

27.6.12

estou voltando àquela época em que leio 95 coisas ao mesmo tempo e todo dia (re)começo um livro. eu detesto isso. prefiro me casar com um livro e ir até o final. 

cidade: é para se fazerem princesas. sua feição - os sapatinhos, o vestido, as mãos, as unhas esmaltadas de carmesim, o perfume, o penteado. tudo inesperado, tão absurdo, a gente não crê estar enxergando insto, aqui nas brenhas, na boca dos gerais. esta fazenda do buriti bom tem um enfeite. dona lalinha não é de verdade. no primeiro dia, pensei que ela não tivesse o juízo normal, e por ser louca a deixavam assim. será que os roceiros de perto não vão dando notícia de ali haver aquela diferente criatura, e o caso não corre distâncias, no sertão?
[guimarães rosa.buriti.corpo de baile]

20.10.10

: (ou - "o que é seguir"?)

continuação daquela vírgula do começo do ano: culminei em dois pontos, agora.
ou: será que é uma culminância, se continuo?

hoje foi minha prova de aula, falei de clarice. fiz muita coisa com um cuidado muito maior que tinha outrora, pareceu até que eu era uma pessoa organizada, com planos de aula, idas ao quadro, handouts, celular avisando de 5 em 5 minutos pra eu não me perder no tempo. não foi dito tudo. tudo muito bem, porque "todas as coisas do mundo não cabem numa idéia. Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo".

reconsidero algumas coisas: meu voto, que talvez fosse nulo e agora vai pra dilma; meu ex-voto de "nunca vou dar aula, não nasci pra isso". é tudo uma aprendizagem mesmo, só para quando a gente morre. de modo que essa coisa cresceu na minha concepção, a coisa do magistério, e também cresceu, com muito trabalho e auto-disciplina (ainda minada e sabotada, mas tô melhorando), minha auto-confiança pra dar aula. só de ver os sorrisos daquelas pessoas... parecia, por um momento, que todos nós tínhamos mesmo que estar ali: que desfrutávamos. e é isso que tinha falado no último post - se até ali não tinha me apropriado do magistério, me vendo naquela profissão, hoje, em fulgurações epifânicas, tive momentos felizes. seria feliz fazendo isso, gosto mesmo e é bom fazer o que se gosta, pronto. saber que os outros gostam do resultado daquilo que você faz e gosta também é bom.

pra não sucumbir ao pânico nervosismo, antes, fiz tudo devagar e organizei o quarto, e respirei, e saí, vi as coisas, as pessoas, vivi no presente (como não vivo agora); pensei que não queria ficar elocubrando e sim prestar atenção às coisas que aconteciam ao redor. foi muito presentificante.

no depois da aula, ainda no mesmo processo voltei pra casa, aí vi: "os fios do urucúia". acho que se não tivesse presente o dia inteiro, nunca teria prestado atenção àquela exposição que estava no meio do caminho. como ela deve ter estado há vários dias no meio do caminho e só hoje vi. conhecendo a palavra por causa dos sertões roseanos, senti uma palpitação: que lindo, o sertão veio pra beira do mar! se a montanha não vai ao sertão, o sertão vai à montanha! e veio. é claro que eu ia encontrar uma citação de rosa: encontrei. "o sertão é dentro da gente". e hoje ia sair com a camisa com outra citação: "pão ou pães é questão de opiniães". mas sujei de feijão, no almoço. feijão ou feijães, deixei em casa, troquei, mas rosa me encontrou depois!

15.10.10

tanta coisa... tudo!

eu não tenho muita certeza se sou/serei professora ou não, o meu compromisso é, efetivamente, com o âmago. seja pela música, teatro ou literatura.
mas... transmitir essa paixão, re-estabelecer alianças com o real, efetivar um compromisso com o seu próximo tendo como ponto de partida a arte...! é isso, sabe? parabéns pra nós todos. ninguém sabe mais que ninguém. o mestre - quando é mestre - aprende, ouve, cala.
“Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...”.