de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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24.12.11

eu quase nunca tive tanta falta de paciência pra essas festas de fim de ano quanto agora. me irrita ter que parar o que estou fazendo pra confraternizar com as pessoas por obrigação.

aí eu decidi que ano que vem eu vou viajar sozinha pra algum lugar e passar natal e ano novo sem ter que me submeter a nada disso.

24.7.11

what do lovers want from love?

às vezes acho que tudo se desenvolve para culminar num grande fuck you.


vou voltar a morar com a minha mãe e me recolher à minha insignificância no que disser respeito ao seu talento decorativo. é um retrocesso, senhor?

meus irmãos já tavam casados com a minha idade e meus heróis estavam no auge da overdose (sem ter morrido, ainda).

aí a amy se foi um dia depois de eu ter resolvido voltar a ser abstêmia e me refugiar em sangha. agora acho que não quero mais isso. li num twitter que a gente desiste de mudar o mundo e vê que não adianta nada e passa a tentar mudar a si mesmo. aí vê que também é uma batalha inútil. quer dizer: tudo terminará no fuck this shit, i'll grab a beer.



14.7.11

you cringe at the thought of living under the same...

minha namorada hoje me disse assim: "tenta não me ligar hoje...". ao que ri, eu acho tudo engraçado. é que a gente acaba se atrapalhando mutuamente, nessa fusão entre sadia e perdigão.

(por que disse duas marcas de SALSICHA?)

descobri esses dias que o "u" de "bent 4 u" in: feast on scraps não se refere a um só corno, mas a todos os homens com que a alanis se enganchou. de modo que, sendo segunda pessoa do plural (vocês, e não você), não reflete um único padrão de comportamento dela com um indivíduo, mas todos os motivos pelos quais ela fica de 4 for them, e pelos quais fica chata ("i don't get clingy much"), e pelos quais se submete às vontades deles, se anulando sempre. tentando "se transformar para combinar com eles". e descobri também que essa música tem algo a ver com "moratorium", é um preâmbulo com anos de distância para aquela frase: "i declare a moratorium on things-relationship".



esse negócio de desejo é muito complicado, essa vontade de se fundir com o outro é no fundo uma imaturidade. talvez o movimento seja mesmo pra sair de um ninho dos pais, no qual passamos por situações inéditas: de dentro da barriga da mãe para o mundo externo - já está aí uma grande separação; depois passar a um estágio onde são os provedores que te alimentam, que te dão teto; depois casamos pra dentro de uma relação amorosa na qual um depende do outro pra sobreviver (fisicamente). e não pensem que eu acho isso péssimo - é simplesmente desejo de se perpetuar e de continuar existindo e comendo. it's a cycle, really...

18.1.11

ora, pois,

este senhor, luis adriano carlos, quer me fazer acreditar que a poesia de sophia (o que seria de nós, sophiáticos - não sofistas - sem esse eco apropriador?) é um elenco de características metafísicas que nem as que aprendemos na escola, com os movimentos literários. diria estamira: AAAAH NUM DÁ!

a nossa mãe é sempre um saco quando visita a nossa casa: nada está limpo, arrumado, inquebrado o suficiente. o bom era se morássemos com elas, situação em que ela nos cobraria 24 horas por dia para providenciar um arranjo pro que estivesse fora dos eixos. quando tudo está organizado, são coisas da esfera externa que precisam de um ajambramento: sua vida amorosa, problemas no banco, visitas que você precisa fazer, contratos (sociais ou físicos)... enfim, sempre uma cobrança sem fim. mas o pior é aguentar a mãe dos outros na sua casa. perspectiva é tudo, a sua mãe parece um anjinho e não aquela mala sem alça. portanto, coloco o meu aviso de porta "me deixa em paz", da mafalda, e me fecho na minha singularidade.

com essas chuvas todas na região serrana, dou graças a todos os santos, mamãe oxum de águas doces, por ter deixado minha mãe vir pro rio antes do dilúvio. ilhada ao contrário por uma semana, ela já está se coçando para voltar à sua casa - que continua inteira, graças a oxum e yansã!

não me canso de fazer listas do que empacotar e o que resolver antes de ir. meus escritos ficam sempre em último lugar porque i'm a big old fat procrastinator. e esse post é exatamente isso!(lembro de quando eu e samuca descobrimos essa palavra com tantos rr. acho que ele ouviu no saia justa e ficou testando na língua)

para finalizar, minha tia, moradora do porto, em cuja casa planejava ficar por esses meses, resolveu morrer duas semanas antes de eu ir. pena não ter te dado um beijinho nessa tua cabeleira branca! achei um volume d'os lusíadas com que você presenteou teu irmão, meu avô, com quem você já deve estar jogando buraco aí no céu, pelo aniversário dele de 1980! (foi um ótimo presente, eu adorei)


15.11.10

como ser feliz

  • vá a uma peça que dure 7 horas, em que o pessoal todo tenha que tomar algum tipo de entorpecente pra corresponder aos atos do espetáculo.
  • tenha um dilema moral no meio do desencadeamento de acontecimentos, num drama que não é de eventos, mas de deslindes trágicos, tenha o momento de catábase para depois se purgar em catarse, no fim das sete horas.
  • tome um banho de vinho enquanto baco, pelado (seu tio), entorna uma garrafa pela sua garganta.
  • ao se encerrar a peça, andar até a lapa porque - what the hell - você pode continuar bebendo.
  • ao encerrar a lapa, andar até algum depósito atrás de mais bebida, tudo sem sorte, até achar uma padaria que venda vinho tinto suave e aceite cartões de débito.
  • ande até a sua casa, porque já gastou todo o dinheiro em vinho, acarajé e doações de alimentos não perecíveis, e não tem dinheiro pra custear um cocheiro.
  • chegue em casa com dois indivíduos, um de cada sexo, e um saco de pão na mão às 4:20 da manhã.
  • desfaça-se de um dos indivíduos ao alvorecer.
  • produza, com a cortina, um blackout total que se assemelhe à escuridão da terra às 10 horas da noite no meio do mato.
  • acorde quase à tarde, e despache o convidado remanescente.
  • tome uma ducha bem quente, lavando todos os pecados da noite.
  • ponha sua melhor roupa de ficar em casa e deite-se na cama, sentindo todas as dores do cansaço.
  • leia a peça que deu origem à montagem da noite anterior.
  • recomece o ciclo.

3.5.10

pra nunca esquecer

for you, i've kept my hell bubbling under (only underneath, never reacting).