de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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28.9.11

tenho um professor que não gosta de adjetivo. mete o pau teórico nos adjetivos, dizendo que é algo que se projeta de fora pra dentro, o que significa um juízo.

mas percebo que nos vários ajetivos que ele usa, na fala, existe sempre um complemento: (nem adjunto, que seria outro "de fora pra dento") o "pra caralho". "filósofo tal é chato pra caralho", "jogo do fluminense foi sofrido pra caralho".

penso que já sei: é que pra caralho busca também ser uma projeção "de fora para dentro" (de um buraco). pra foder mesmo.

20.4.11

a memória é que nos tem.


pergunta manuélica: i've got your memory/ or has it got me?

14.8.10

sophia, a europeia que gostava de banho

evidente: é tudo isso uma piada, mas o movimento exato, a coluna ereta e a voz firme de sophia não:


(gosto quando ela fala de coisas eternas junto à movimentação da casa, tudo uma bagunça - a vida à beira: "ó, francisco, mas o que é isto?")

olhem, quando eu comecei a pesquisar a sophia, no início de 2008, tinha bem pouca coisa dela no youtube, pela internet - mesmo as obras: eram poucos poemas, o google apontava pra sites com wallpapers de praias e fundos musicais em midi.

de modo que quando vejo tanta coisa assim sendo apresentada, publicada, resgatada - entrevistas, espólios, encantos de leitores com a sophia aqui e ali - fico muito feliz. acredito que sophia também ficava, porque faz precisamente poesia que vive, que se atualiza.

às vezes sinto essa heleno-lusitana-nórdica como se ela fosse uma grande amiga. no entanto só recentemente a vi em movimento, só recentemente ouvi sua voz... e vezes há, suponho, "seres um milagre criado só para mim".

13.8.10

versos anti-heroicos

Tô precisando me apaixonar um pouquinho
chorar um tantinho
benzer meu caminho
trazer pro meu ninho
você, menininho,
t’amar, t’afagar, te lambuzar com carinho

5.7.10

diz quantos desas(três) tem na minha mão

viver poeticamente equivale mais ou menos a colar um verso preferido na tela do meu laptop e me emocionar, qual peixinho dourado, toda vez que me encontro com o papelzinho.

16.9.09

hoje não tô prestando

veja, mal abri essa entrada (de diário, de di[cion]ário) e já fico querendo abarcar o mundo com o que, pela última hora e meia, ou dia e meio, anda povoando meu hemisfério norte.

vamos com calma.

fico querendo não ler os blogs dos amigos queridos pra não me perder, mas sinto que já era (e li tudo mal e porcamente).

será que vou conseguir?

é o seguinte: o mundo está extremamente sério, pra mim, hoje. o personare diria: não fique procurando cabelo em ovo. mas a questão não é o ovo, o cabelo, ou a galinha. a questão é achar nas coisas um significado mais profundo e transformador de vida, quando esse significado não existe. e esse mundo não serve pra nada, vamos todos morrer, estamos aqui só de traquinagem. meu amigo rafael costa concordaria comigo: ora, essa vida não é traquinas!

oscilo entre me achar instrumento essencial ou (mais uma) inútil supérflua pro melhoramento do mundo.

o que espero das pessoas - e talvez esse post devesse se chamar "expectativa" e ser uma entrada no dicionário de poética - é, por vezes, muito mais sério do que elas podem dar e do que eu racionalmente exijo. dito de outra maneira:

passo 1 - conheço melhor um amigo. sinto interconexão. espero que a partir daí, o real me presenteie com frutos gordos, amizade correspondente à excessividade do real.

passo 2 - nos dias seguintes, você espera um abraço e recebe um aperto de mão. (podia ser pior, podiam ter virado a cara; as pessoas reagem de formas diferentes - explicações que vêm de fora do fenômeno e não servem como justificativa)

passo 3 - você acha o que real, que outrora se deu, está no movimento de retração. e isso só pode ser porque: a) é culpa do amigo de ser fechado ou b) é culpa sua de não ser gostável.

passo 4 - a) você determina que o fruto não vingou - a pessoa não vai mais falar com você; b) você espera que seja uma fase e a semente terá clima mais oportuno para vingar.

causas psicológicas: (alô freud! [de imagens freudulentas está a publicidade cheia.]) você detesta desagradar aos outros porque não suporta não ser gostado. e não suporta não ser gostado, portanto não desagrada os outros.

outro exemplo: você tem certeza de que seu relacionamento caminha para um lado, mas ele vai para outro - ou vai tão discretamente para aquele lado que parece que tá indo pro outro. tipo a rua do amendoim, em bh. isso tudo por causa da especulação, da criação de um mundo idealizado que não corresponde ao que é. aí que entra a seriedade: tudo é maior. deve existir uma verdade que nunca vemos como verdade inteira, porque ela se mostra e se vela. então parece que é mentira.

estou levando tudo a sério, preciso seriously take it easy.

loser manos diriam: "quem é mais sentimental que eu?"
fiona diria: "how many times can it escalate 'till it gets to a place where i can't breathe"
djavan diria: "não vá levar tudo tão a sério/ sentindo que dá, deixa correr"

quer dizer, acho que fiz um verbete da uncyclopedia mas não sei qual ele é, tenho só as definições, mas falta a palavra.

"misturei jujuba com arroz e feijão. ainda sou muito imaturo". talvez uma palavra ali, onde ingenuidade e ansiedade se misturem perfeitamente.

12.5.09

colocando-se no centro, determinando a existência de um centro, o ser humano se compraz na infirmação da excessividade do real, precisamente porque lhe apraz a confirmação da validade genérica de sua humanidade. assim se apreende a razão por que a vida se compreende como a vida humana, que se temporaliza historicamente na biografia dos deuses que se humanizam e dos homens que se divinizam. a vida em si mesma é a vida percebida como Zöe, a vida ritmada na coalescência dionisíaca de sua excessividade como matriz abissal da totalidade do real (...)


RMS

11.3.09

hoje eu sonhei contigo, amor, nem te digo...

acordei super assustada, choramingando, com o surrealismo do meu sonho.
eu não vou nem tentar encadear as imagens que me vinham numa narrativa lógica...

- porque dizem que nós sonhamos com imagens e depois ficamos tentando achar ordenação pra elas. daí o cão andaluz de buñuel fez muito sentido pra mim -

mas rolava eu e o pessoal de poética, depois da defesa de alguém, num lugar meio grajaú-fim-de-linha. a gente sentava pra comer/beber, e até foi parar no telhado (parecido com debaixo da mangueira do pedro II. tenho sonhado muito com o meu colégio...).

jun era queimado com uma coisa que vinha do céu e começava a rir, que estava numa área de risco, e que finalmente isso acontecera com ele. ele se agarrava em mim e eu o ajudava a correr dos foguetinhos que apareciam pelo céu e pelo chão que queimavam a gente. mas às vezes eu lembrava que se ele ficasse muito encostado em mim eu ia ficar queimada também, e meus membros ficariam tortos.

estava na FLIP e isso começava a acontecer, era um lugar parecido com disney com o qual já tinha sonhado antes. só que no fim, eu descobri o que fazia a gente ficar doidão E queimado: eram uns incensos do tamanho de fósforos que ficavam queimando pelo chão. se a gente não desviasse dele ficava queimado e molenga, que nem a cera de uma vela. daí me ocorreu que era só tacar água em cima, e apagar o bagulhinho. o thiago e alguns conhecidos DO MAL é que espalhavam isso pela FLIP (que tinha um prédio só pra teatro e um camarim imenso, parecido com a infra-estrutura de um navio com o qual eu já sonhei antes), e estavam atrás de mim porque eu tinha descoberto como eles faziam isso... eu tentava recrutar pessoas pra apagar os fósforos, mas todo mundo só queria saber de ficar doidão. o andré mongol até começou a me ajudar, mas foi parar no colo de alguém no final. taquei um tipo de adoçante (zerocal) melado num fosforozinho e ele se transformou numa pilha tamanho D que rodopiava e emitia coisas azuis e queimadoras se a gente deixava encostar na pele - tipo um cd no microondas.

e aí eu lembrei - acordada - que sonho é pra ser isso mesmo. um monte de acontecimentos embolados, imagens que você já viu antes, que prescindem de lógica, explicação e narrativa para aparecerem juntos, mas que, se você tentar tirar um sentido da coisa, vai sair um monte de interpretação bizarra do seu inconsciente. ou sei lá da onde. s.n.goenka (a.k.a. business man) diz que "não existe inconsciente, até quando não estamos controlando, ou sonhando, as sensações estão aí, e ficam se registrando na gente" (um negócio assim, eu não posso escrever no retiro, então nem lembro...), o que pra mim logo evoca "o que em mim sente 'stá pensando", do pessoa. agora não sei se o que ele disse foi SUBCONSCIENTE, o que faz uma diferença... o efeito era: quando estamos sonhando, não são níveis do (in/sub/des)consciente que vêm à tona - até quando estamos sonhando somos conscientes.

e quando eu fui dormir eu li uma frase de ronaldes de melo e souza que dizia algo assim: "a consciência da ilusão jamais elimina ilusão da consciência", que deveria rebater o argumento do guru (já que ele não é um iluminado).

graças ao borges (o jorge luis, não o moto) eu tenho esse fragmento de shakespeare:
we are such stuff as dreams are made on
tá bom, somos essa coisa. mas o que é esse AS? seria um ás na manga do tio will? chegou o tradutor do borges e botou lá: "somos aquela matéria de que os sonhos são feitos". eu até tinha aceitado isso passivamente, mas aí fui ler em inglês, direito: "we are such stuff as dreams are made on". somos a coisa enquanto os sonhos são feitos? somos a coisa EM QUE os sonhos são feitos? será? os versos completos, n'a tempestade, dizem:

we are such stuff
as dreams are made on, and our little life
is rounded with a sleep
nós somos essa coisa. enquanto os sonhos são feitos, nossa pequena vida é rodeada por um sono.
a tradução moderna foi e fez isto:
We are similar stuff to that
That dreams are made of, and our little life
Is surrounded with a sleep.
ou SEJE: que merda, esse shakespeare morreu antes de terminar essa peça. foi COROADO (rounded) com o sono mortal.