de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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11.12.11

no 91o aniversário de clarice

já quase não tá doendo.

mas.

precisa de segurar a sagitansiosa em mim. "sagitansiosa" é um termo cunhado por samuel na ânsia de nomear aquela nossa sede de viver e amar. que nem "sagitaquário" é aquele ser "age of aquarius" que habita em nós e que nos movimenta.

Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas
 [sophia de mello breyner andresen.pirata]

21.5.10

não posso adiar o amor...

...no sentido mais lato, o amor mais universal, mais compassivo, o que inclui o perdão para mim mesma e para os outros - já dizia antónio ramos rosa.

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

ando esquecida de mim mesma, em detrimento de mim ponho a felicidade do trabalho alienado e do capital que adquirirei para poder esquecer mais de mim, inventar desculpas, pagar mais contas e precisar de mais terapia, indefinidamente... parei esse ciclo vicioso.

Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais acender

e dos bens que repartirás com todos os homens.

Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,

adivinho-te que sobes,

vapor róseo, expulsando a treva noturna.

minha terapeuta tem razão - é tudo escolha, mesmo, e já me sinto melhor. só que pôr meu coração na ordem do dia - para além de me tornar uma vítima da história - não depende de eu me submeter a um tratamento psicológico. não é indo à terapia que eu vou me colocando em dia, passando a me adiar/odiar menos e pondo o meu sentimento, razão e vontade em perfeita harmonia. isso também é uma ilusão, e é o que os doutores psicólogos querem nos fazer acreditar. acabo de perder 71 reais, mas recuperei lendo drummond e ramos rosa. 35,50 cada poema, acho justo. acho justo pelo teor inegável de aprendizagem e libertação que os dois poemas trazem. ou melhor, não é isso. isto é subordinar o poema à lógica mercantil, e ver no preço, no "poder pagar", uma aprendizagem - também mercantilizada, utilitarizada, medida, que pode ser adquirida a qualquer hora, a depender do capital. o que quis dizer é que perder 71 reais não me deixou triste, porque, aquilo que eu não entendi na terapia até agora, drummond e ramos rosa me subsidiaram. muito obrigada, carlos, antónio... (vocês são gente que faz)

11.2.10

to do list

tô com uma mania, desde que me mudei, que faz com que eu faça listas de tarefas e cole na parede, bem na frente do meu computador, que é pra eu me sentir mais no controle da minha vida e das minhas coisas mundanas, sei lá.

a primeira lista foi bem produtiva, consegui ter um aproveitamento bom dos afazeres - que incluíam mandar scraps a pessoas legais, tocar violão e "have a nice day :)". a segunda lista, feita ontem - depois de a minha agenda ter se lotado de letras e números e e-mails e pedaços de poemas que estou fazendo - ficou a manhã inteira me assombrando, porque eu não conseguia priorizar e nem resolver se ia fazer as coisas fora de casa ou não. porque, vamos combinar, está uma merda sair nesse calor saariano, nisso aí todos nós cariocas concordamos.

não escrevi nenhum auto-bilhete alegrinho, como fiz na primeira lista, no estilo e-mails que samuca se escreve, assinando: "beijos, arrasa, samuca". talvez isso tenha ajudado a me causar terror. isso e o fato de a maioria dos afazeres exigirem uma intervenção de terceiros que me confundia e me fazia não saber por onde começar. por exemplo: pra marcar hora no dentista, minha mãe tinha que me dar o telefone; pra pedir meu riocard do metrô, preciso de um laudo da fisioterapeuta e outro de um posto médico; pra ir ao infocentro, precisa... vocês entenderam.

então, depois de botar a roupa pra lavar e fazer um hambúrguer de soja - esse sim, molhadinho, gostoso - resolvi ligar pro pai da minha irmã (que não é meu pai nem padrasto, é complicado), que é otorrino, e marcar uma hora com ele. desde que voltei de friburgo, tendo passado horas naquela piscina sensacional, mergulhando, plantando bananeira e boiando, tô com uma dorzinha chata no ouvido. daí, pimba, consegui que ele me encaixasse, fui lá na saens peña (ô, nome mais inadequado praquele lugar chinfrim!) e ele me receitou colírio pra pingar no ouvido (!).

daí, mudando de ares, andando pra lá e pra cá de metrô, entrando em farmácias tijucanas, consegui dar vazão ao meu estresse e ansiedade, pensei em quarenta coisas pra postar, parece que tudo me encantava, na rua. botei o ipod pra tocar no shuffle e ele me ofereceu uma setlist supimpa: ;'diamante verdadeiro" (por maribeth, versão "álibi"), "muito romântico", "o mundo é grande/quadrinha/cirandas" (termina com "nós queremos navegar, aiá") e "marinheiro só" (por caetano, versão de 1969). isso tudo porque queria ouvir "álibi", cujo trecho inicial rafa me mandou por mensagem:

havia
mais que um desejo
a força do beijo
por mais que vadia
não sacia mais

(...)

mas a gente atura e até
se mostra feliz


e ainda: essa coisa de fila em farmácia é um perigo. só esperando, inocentemente, comprei um esmalte vermelhaço (chama-se "toque de ira") e umas gillettes (adoro!).

sssh tsááá.

29.1.10

efeitos de ontem à noite

ter raiva da aniversariante no fim da festa e ir embora do nada,
dar vários foras mau humorados nas pessoas que tentam te cantar na fila para pagar,
chegar em casa bêbada que nem um gambá, tropeçando sozinha no caminho do táxi até a porta do prédio,
mandar um monte de scraps pra pessoas aleatórias,
tremer de frio durante a noite mais quente do brasil,
acordar três horas depois de ter ido dormir, falando no msn com pessoas igualmente aleatórias, que estão no trabalho enquanto você ainda está bêbada e falando besteira,
combinar um date hoje à noite,
acordar de verdade ao meio-dia,
espirrar e ficar menstruada,
ter uma vontade imensa de comer ovo,
sentir-se quente pelo corpo todo, como se o organismo estivesse tentando muito arduamente expulsar a bebida de dentro dele.

9.2.09

a girl who couldn't choose between the shower or the bath

grow my hair long and/or dye it blond*?

i just gotta live through one summer.

in portuguese we call it "contemporizar".

*no AS blond as before, maybe just some highlights.
** it is called COMING OF AGE.

19.1.09

palavra de ordem: CONTEMPORIZAR

tá todo mundo sentindo minha vibe.
ou a vibe de 2009.

sei que canto e a canção é TUDO.

ACHO que é melhor mudar logo a fonte do blog.

na verdade estou me irritando um pouco com esse negócio de itálico que cismou em aparecer aleatoriamente no post.

estou aprendendo a não reprimir tanto a minha raiva. eu preciso let it out sometimes pra não explodir na cara de quem não a merece. :P

então

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah

amanhã vou viajar pra contemporizar um pouquinho.

sendo houaiss: contemporizar = dar tempo ao tempo.

sendo manuel: com-tempo-rizar = estar COM o tempo, se mover COM o tempo, estar NO tempo, imergir NO tempo e NA linguagem, originariamente...

"nesta dimensão".

quer dizer, PREFERENCIALMENTE NESTA.

em outra eu acho que eu não vou conseguir chegar ainda (ou de novo).

why do i feel frantic when i first wake up in the morning?