tô com uma mania, desde que me mudei, que faz com que eu faça listas de tarefas e cole na parede, bem na frente do meu computador, que é pra eu me sentir mais no controle da minha vida e das minhas coisas mundanas, sei lá.
a primeira lista foi bem produtiva, consegui ter um aproveitamento bom dos afazeres - que incluíam mandar scraps a pessoas legais, tocar violão e "have a nice day :)". a segunda lista, feita ontem - depois de a minha agenda ter se lotado de letras e números e e-mails e pedaços de poemas que estou fazendo - ficou a manhã inteira me assombrando, porque eu não conseguia priorizar e nem resolver se ia fazer as coisas fora de casa ou não. porque, vamos combinar, está uma merda sair nesse calor saariano, nisso aí todos nós cariocas concordamos.
não escrevi nenhum auto-bilhete alegrinho, como fiz na primeira lista, no estilo e-mails que samuca se escreve, assinando: "beijos, arrasa, samuca". talvez isso tenha ajudado a me causar terror. isso e o fato de a maioria dos afazeres exigirem uma intervenção de terceiros que me confundia e me fazia não saber por onde começar. por exemplo: pra marcar hora no dentista, minha mãe tinha que me dar o telefone; pra pedir meu riocard do metrô, preciso de um laudo da fisioterapeuta e outro de um posto médico; pra ir ao infocentro, precisa... vocês entenderam.
então, depois de botar a roupa pra lavar e fazer um hambúrguer de soja - esse sim, molhadinho, gostoso - resolvi ligar pro pai da minha irmã (que não é meu pai nem padrasto, é complicado), que é otorrino, e marcar uma hora com ele. desde que voltei de friburgo, tendo passado horas naquela piscina sensacional, mergulhando, plantando bananeira e boiando, tô com uma dorzinha chata no ouvido. daí, pimba, consegui que ele me encaixasse, fui lá na saens peña (ô, nome mais inadequado praquele lugar chinfrim!) e ele me receitou colírio pra pingar no ouvido (!).
daí, mudando de ares, andando pra lá e pra cá de metrô, entrando em farmácias tijucanas, consegui dar vazão ao meu estresse e ansiedade, pensei em quarenta coisas pra postar, parece que tudo me encantava, na rua. botei o ipod pra tocar no shuffle e ele me ofereceu uma setlist supimpa: ;'diamante verdadeiro" (por maribeth, versão "álibi"), "muito romântico", "o mundo é grande/quadrinha/cirandas" (termina com "nós queremos navegar, aiá") e "marinheiro só" (por caetano, versão de 1969). isso tudo porque queria ouvir "álibi", cujo trecho inicial rafa me mandou por mensagem:
havia
mais que um desejo
a força do beijo
por mais que vadia
não sacia mais
(...)
mas a gente atura e até
se mostra feliz
e ainda: essa coisa de fila em farmácia é um perigo. só esperando, inocentemente, comprei um esmalte vermelhaço (chama-se "toque de ira") e umas gillettes (adoro!).
sssh tsááá.