de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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30.7.13

da póiesis enquanto práxis da pólis

lendo o livro do henrique (e da érica) - que é ebook, e é online, e é de graça - tive uma iluminação: que bom trazer a ética e política pra estética (a baixa estética, a baixa cultura/costura, a pluralidade de vozes).  botar, antropofagicamente, a voz de luane dias e a de inês brasil, num manifesto-poemático. tudo isso não para de ser atual, e avant garde, nem nem precisar pretender sê-lo. isso tudo faz sentido dentro da literatura contemporânea.

fico muito feliz que seja tempo de compartilhar, e de colar, e de copiar, e dane-se o copyright.

e é bom que sirva pra dizer: "a gente não tem um hospital maneiro/ (...) tá ridículo, tão querendo passar uma imagem pra gringo que não é". nessa voz. que é extremamente necessária de ser ouvida.

e pensei mais uma pá de coisas que até dar login no blog eu já tinha esquecido.  mas elas valeram ser pensadas.

23.3.11

outro dia peguei bem o comecinho do filme henry & june, cujo livro li há seis anos, no início da minha empreitada lésbica. já é um big win ter stravinsky nos créditos iniciais.

mas não consegui ver muito: tinha que tomar banho pra lavar o cabelo pra desligar o secador antes da meia-noite. não consegui nem lavar o cabelo. voltei pra ver o filme, mas - depois de ter acordado às 6:30 da manhã pra pegar conferência sobre outra womyn writer - não assisti nem meia hora.

(depois desse parágrafo cheio de nãos, conto: desci pro meu cafofo - moro no porão [cave, como dizem aqui] da casa da minha cunhada - e uma súbita insônia bateu em mim.)

soube que um amigo meu, da faculdade, de convivências na casa da minha orientadora, tinha sido preso no meio de um protesto contra a presença de barack obama no brasil. "amigos presos, amigos sumindo assim" me veio à cabeça imediatamente - eu me dando conta de que o brasil nunca saiu de estado de exceção. por mais que raramente concorde com a plataforma do pstu, corcordo menos ainda com um estado/uma polícia que prende manifestantes, aparentemente, por seus ideais políticos. me lembrei, numa segunda leitura de hd, de "biografia", da sophia:

tive amigos que morriam, amigos que partiam
outros quebravam o seu rosto contra o tempo.
odiei o que era fácil
procurei-me na luz, no mar, no vento.

e morri de culpa por ter votado na dilma, ela também presa política, como pôde deixar isso acontecer no início do seu mandato? como pôde se submeter assim aos desmandes ianques? que faria eu no seu lugar? no da dilma, no do gabriel?

depois de terem sido mandados pra bangu 8, gabriel e os outros manifestantes homens tiveram suas cabeças raspadas, como gil e caetano nos anos 60. as mulheres foram pra água santa (nome irônico pra um bairro que acomoda um presídio), especificamente uma empregada doméstica e uma senhora de 69 anos.

agora eles já foram soltos, depois que obama went home e que a justiça - tardia e falha - interveio sem explicar o que afinal causou esse desastre, quem atirou o coquetel molotov. o que pude fazer eu, nessa distância, com esse contexto repressivo? procurar a mim mesma na luz, no mar, no vento, em tudo o que é livre e nasceu pra sê-lo.

2.9.10

vou te dizer: estou ficando de saco cheio dessa gente cheia de opinião sempre. e é sempre contra os outros (e faço o mesmo, claro). ora, se tem coisa que me broxa imediatamente é falar mal de nietzsche; desempossar as pessoas do direito de desacreditarem no mundo; e também, paradoxalmente, de expressarem seus desejos, vontades, essas coisas que ARDEM.

pra encerrar, chorei de rir com este vídeo.

11.7.09

o mundo é do maranhão.

quando não está com água por cima ou por baixo do seu areal, o maranhão exporta talentos. rita ribeiro, zeca baleiro - autor de besteirinhas como "ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar" e "mais sem graça que a top model magrela na passarela" - e alcione.

também, nos deviam isso depois de gerar a família sarney.

26.3.09

mas veja

é páia: todo cientista-social-antropólogo-cineasta adora macunaíma.

*não é uma ofensa ou elogio - é uma constatação.

Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor

Ah! Mai~a, deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Ah! Negui~a, deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração não me diga
Nunca não

Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois

[caetano veloso.nosso estranho amor]

19.2.09

michael phelps + pó pará com pó aê = desperte o tigre em você?

judson me disse que a kellogs não renovou o contrato com o phelps porque ele foi flagrado fumando maconha.

mas se fosse pó, a coisa seria diferente:

DESPERTE O TIGRE EM VOCÊ!

16.2.09

apocalíptico

anúncio de cartão de crédito por e-mail:

se é importante para você ter mais PODER...

achei que desde a confusão da bolsa a galera estivesse parando de equalizar dinheiro a poder.

saúde, OOOOOOOOMMMs e american expresses para todos nós.

20.12.08

she threw a shoe at his head
I think what he did was wrong and I would've had a hard time feeling compassion for him.


8.12.08

vida loka vida

já estou me sentindo de férias. era pra acabar tudo hoje, mas como só falta a monografia do meu curso preferido e uma prova de monitoria, todo esforço acadêmico que eu fizer será pura diversão...

gente, que gás que estou! compensou ter estado lesa pela metade do ano! :)

o fundão já tava parecendo um resort - aqueles campos são feitos pra um circuito de golf - nesse soleil. verãozão, tudo vazio, só restaram umas pessoas, já desestressadas com o fim do período, colhendo os seus frutos.

acho que vou até dispensar a terapia essa semana, depois de uma sessão de hora e meia com a cinda - minha orientadora que SUPEROU a psicanálise.

daí cheguei em casa e comecei a preparar minha monografia de final-de-curso da letras, vai ser uma coisa bem infância, de manoel de barros...

nasceu uma escritora!

1.12.08

a saga da livre expressão de pensamento.

uma coisa extremamente antidemocrática andou acontecendo no cap da ufrj: um professor de educação física foi impedido de renovar o seu contrato por razões obscuras. minha diva-cover, cinda gonda, escreveu um texto lindo sobre a situação:
PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Quero que relates
A pena que te cala.

Mario Benedetti

Diferentemente da citação de Benedetti, um silêncio foi imposto ao professor Gabriel Marques. Seu crime? Lutar por seus ideais.

O que se torna inaceitável é que isto ocorra num espaço que deveria defender e afirmar o livre direito de expressão, o lugar, por excelência, do pensamento – a Universidade, um local que se deseja plural e democrático. Uma pergunta se torna imperiosa: - A quem interessa o pensamento único?
Sabemos que o conflito é a condição indispensável para que se alcance o conhecimento.
No ano em que tanto se investiu em eventos sobre a rebeldia dos jovens de 68, aqueles que desejavam ser realistas exigindo o impossível, tais comemorações caem no vazio diante de práticas que nos envergonham.
Não adianta tentar escamotear os fatos. Razões políticas impediram a não renovação do contrato do Professor Gabriel Marques. Ele se posicionou contra o REUNI.
Sua prática acadêmica e pedagógica em nenhum instante foi posta em questão. É um professor querido e respeitado por seus alunos e pelos pais que acompanham seu trabalho. Em que momento isto foi levado em conta para que se pudesse, de forma isenta, o avaliar?
Na história recente da universidade, em nossas assembléias, quando os professores e técnicos administrativos exerciam o legítimo direito de greve, a comunidade discente do CAP delas participava, contribuindo com cartazes ou peças teatrais em aulas públicas. “Eu adiei o vestibular”, movimento criado contra a gestão Vilhena, contou com significativa participação dos alunos do CAp. Se hoje, “as crianças” ficam “amedrontadas” com uma manifestação legítima em defesa de um docente, é algo que deve servir como objeto de reflexão para quem acredita na educação como prática da liberdade.

Professor Gabriel Marques, estamos juntos, caminhando de mãos dadas.

Profa Cinda Gonda -Faculdade de Letras - Ex-diretora da ADUFRJ-SSind
Profa. Janete Luzia Leite- Escola de Serviço Social - Ex-diretora da ADUFRJ-SSind
Prof. José Henrique Sanglard - Escola Politécnica - Ex-presidente da ADUFRJ-SSind
Prof. José Antônio Marins Simões- Instituto de Física - Ex- presidente da ADUFRJ-SSind
Prof Ricardo Kubrusly - Instituto de Matemática – HCTE - Ex-diretor da ADUFRJ-SSind
Prof a Vera Maria Martins Salim- COPPE - Ex-diretora da ADUFRJ-SSind
Prof a Cleusa Santos - ESS - Ex-presidente da ADUFRJ-SSind

26.11.08

a santa às vezes troca o meu nome

fim de período/ano/inferno astral tem dessas coisas - estou sem dormir há séculos (desde a semana da jic) e em meu cérebro penetram construções novo-baianas e luandino-roseanas, fazendo com que venham à cabeça coisas como:

  • computadeus
  • jacarepalonge
  • mira meteu (mira matheus nem precisou mirar, saiu metendo de qualquer jeito e me fodeu)
  • moneaugraphia
  • mona-grafia
há muito tempo eu não entrava em pânico desse jeito em uma prova. a única vez de ter me sentido tonta, zonza, desesperada desse jeito foi numa prova de matemática sobre geometria, na 2a série, que fiz doente e tirei 6. tudo porque ontem (hoje, sei lá) pedi pro felipe me manter acordada enquanto eu tentava estudar português e ele não calava a boca, de modo que fiquei acordada mas não estudei.

fatos da vida, às vezes temos que reviver a infância - esse post tá bem parecido com a estrutura dos meus posts antigos, ainda no /nanda_b2 ou no howseenamiactually, ou seja lá como se chamavam meus blogs desde 2001. ando lembrando muito de coisas da minha infância, tipo brincar de médico com a vizinha de casa de arraial ou a primeira vez que fiquei de quatro por shakespeare e a língua inglesa - resolvi ingressar ao mesmo tempo na cultura inglesa e na CAL, pra fazer um curso de teatro pra adolescentes baseado em shakespeare. ontem foi por causa das ternurinhas do onjaki - a vida de um monandengue angolano nada tem a ver com a minha.

vi o ser humano mais bonito do mundo de novo, saindo do ônibus junto comigo. mas como eu talvez o ache agora a segunda criatura mais bonita do mundo, não falei pra ele que ele era a pessoa mais bonita que eu já tinha visto e não dei pra ele este endereço, para que ele lesse o texto em homenagem a ele.

eu ainda faço um livro tipo os que os taxistas sempre dizem que farão: a minha vida no transporte público. a anedota de hoje dá conta de como uma moça desceu santa teresa contando da vergonha dela de ter dado calote num motorista de van amigo dela, um tal de caetano. por isso fez questão de pagar ao motorista do nosso táxi de dois reais, privativo, logo quando entrou. só viemos eu, ela e o motorista, todos rindo das histórias de calotes do povo do morro dos prazeres, da suspensão da integração metrô-ônibus 407, dos bandidos e viciados que pedem carona (mentira, desses não rimos, não).

ainda em santa: o bonde não passou, mas tava o pôr-do-sol dos mais lindos e eu passei pelo flautista, que no fim é um professor de flauta que tá sempre chorando num prédio entre o instituto de yoga e a casa do dau (ouvi duas flautas, uma extremamente alta na tonalidade. na ida, faziam terças e terminavam em lááá siiii dóóóó. na volta, faziam notas longas). moral da história: esse aluno, daqui a uma semana, já tá tocando muito mais do que eu, que traumatizei depois da festa junina - faz muitos meses - e só montei a ditacuja pra tocar um pseudo-take 5 com judson esse fim de semana. no caminho mais pra lá da rua, num prédio bem mais charmoso, tem um saxofonista que eu acho que também é profissa.

tive uma idéia sensacional depois da minha prova massacrante: implementarmos o motel universitário - vulgo MU - no fundão, para suprir as necessidades dos alunos do futuro (se deus quiser) curso noturno da letras. na verdade, ele podia ficar ali pro lado da maré, já despontando para a linha amarela e a vila mimosa, e podia ter um letreiro cujo logo seria uma vaquinha. acho simpático.

23.11.08

five things i can't live without: air, water, food, shelter &... equality?

sinto que plantei uma sementinha da discórdia aqui em casa: estávamos almoçando nessa domingueira do meu brasil e minha madrasta comenta sobre as salas de aula da ESPM.

- lá todas as carteiras têm um laptop, são 20 lugares, um computador pra cada aluno.

eu sou ex-aluna de um colégio público de elite (é, pior que é, só no brasil...), o pedro II. sempre sofri com greves, falta de verbas, má administração, incompetência funcionalista-pública - apesar de tais problemas serem muito menos graves no meu colégio e na minha unidade (U.H.II! HAHA) do que em outras escolas estaduais e municipais.

tendo estudado num lugar desse, com todo tipo de gente - dos mais emergentes do leblon aos habitantes do morro da babilônia, dona marta, pavão-pavãozinho e outros -, a minha formação foi bastante humanista e inclusiva, de modo que não consigo achar normal:

- que alguém pague 4.000 reais por mês pra cursar uma universidade, num país onde o salário mínimo é 10% disso - depois de muita melhora. ainda mais se em HARVARD a anuidade é 4.000 dólares;

- que as tais universidades implementem elevadores de última geração, laptops state-of-the-art, ares condicionados e não invistam nos próprios docentes da instituição, quanto menos em bibliotecas e recursos humanos;

- que do lado de fora da porta dessa universidade, toda de vidro, durma um mendigo maltrapilho, drogado e ferido, que ouve passivamente o ronronar dos carrões importados dos alunos, os quais mal o vêem;

- que pela janela dessas salas refrigeradas se veja gente morrendo de fome, assaltando, traficando e se prostituindo para ver se se consegue algum sustento, enquanto os futuros marqueteiros brincam no msn e no orkut e não prestem atenção na aula;

- que essas universidades particulares e a própria ufrj sejam colonizadas por grandes empresas, como a petrobras, que investem pesado em tecnologia e ciências exatas, sem dispender um terço de toda essa verba para a cultura e arte nas universidades;

- que o orçamento das universidades públicas seja empregado tão desigualmente, de maneira a deixar o teto do instituto de filosofia e ciências sociais caindo, as bibliotecas da letras com goteiras, os professores sem dedicação exclusiva, turmas sem professores;

- que os neoliberais com carapuça de esquerdistas (a.k.a. minha família) ajam como os bonzinhos que, "ainda bem", pagam mensalidades absurdas para manter seus filhos na escola, por desacreditarem no ensino público de qualidade;

- que as ditas instituições educacionais públicas de qualidade sejam inchadas por aristocratas decadentes da burguesia-classe-média, ao ponto de se precisar de cotas para suprir o descaso secular com populações desfavorecidas;

- que a universidade federal burguesa FORMATE esses JEGUES que não lutam por seus direitos, não sabem o que querem, mas decoraram a escalação do internacional de pindamonhangaba futebol clube e as falas do último filme do woody allen;

- que os D.A.s dos riquinhos da puc sejam muito mais reativos do que os elitistas fa universidade federal da zona sul, que lutam para o seu centro não ir para o fundão só porque querem que a faculdade seja perto de casa;

- que todos nasçam com dois braços, dois olhos, dois ouvidos (iguais) mas que suas necessidades tenham que ser adaptadas ao acúmulo de capital de que dispõem;

- que o dito acúmulo de capital seja equivalente ao pão que se ganha "não com o seu próprio suor, mas com o suor dos outros"*;

- que eu seja ridicularizada por defender que todos tenham um mínimo de saúde, educação, lazer, comida e vestuário.

quem sabe assim, em vez de "todo mundo ser rico" e esbanjar, e cultivar o desejo do supéfluo, e inventar cada vez mais necessidades, as "pessoas sensíveis"* não se liguem de que só precisam mesmo é de ar, água, comida, abrigo e igualdade (ar, água e comida esses que estão faltando justamente por culpa desse sistema)?

falei, à mesa, uns 5% de tudo isso que escrevi aqui. e saí derrotada. me pediram pra me acalmar e ir tocar violão e ler poema. e eu fui. mas todo mundo continuou discutindo a questão enquanto eu cada vez mais ficava desesperançada com o futuro da humanidade.

* "as pessoas sensíveis", in livro sexto. sophia de mello breyner andresen.