de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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6.12.10

i've looked at life from both sides now

quando eu acho uma música sensa, e cismo com ela, eu não descanso até assistir a todas as versões tocadas pelo artista disponibilizadas no youtube. engraçado como antes a joni era quase um samba de uma nota só, aquela melancólica blue note que evocava tempos tristes, tristes denises. e agora o fato de "really don't know life at all" dá um alento: saber que há outras perspectivas a conhecer me deixa mais perto de uma verdade mais global. saber que estamos sempre incompletos e tentando aprender e evoluir, fadados a "win and lose/ and still somehow"... ainda assim... perder (ou ganhar) não é tudo. as coisas vão mudar. anicca.

encontrei o meditador com mais sancara de relacionamentos passados (igual "fantasma dos natais passados") do mundo. vi as coisas from both sides, now. vi que não é: "só eu que posso chorar/ quando estou triste, só eu". a vida é de segundas, terceiras, milésimas chances de acertar (e desacertar, e errar pelos caminhos - viver é muito perigoso). e não é uma eterna repetição do mesmo, mas o ser se manifestando de muitas maneiras, como já dizia o heráclito-brother! o real te pedindo pelamordedeus pra se ligar na boniteza disso tudo...

tears and fears and feeling proud
to say i love you right out loud

dezembro é um mês de provação, nem que seja pelo caráter retrospectiva 2010 que ele incita. esse ano foi o melhor dos últimos 4, pelo menos. estou ficando mais esperta (e não mais ao-contrário). fazendo eco ao meu amigo prafrentex sagitário-aquário, eu só sei que cairei num ano que não sei onde vai dar, exceto que preciso ter uma dissertação pronta no final dele. então toda semana vai ser tipo um domingo, 6 horas da tarde, em que dá aquela agonia de não ter feito o dever de casa de segunda-feira.

esse post foi o post em que mais usei a sequência -ndo na minha vida!

27.11.10

atenção a este título da joni!

primeiro foi o fretless que me encantou. quando olhei, tinha este nome! uã canção completa.

indeed, ms mitchell!

8.7.10

there is a song for you from joni

"case of you" era dele. descobri o blue numa época em que absolutamente nada fazia sentido, e tudo o que eu fazia era elope. but not to get married. i eloped to canada.

de modo que a única coisa que fazia sentido era a vida que eu tinha vivido, brevemente, junto da "vida que poderia ter sido e que não foi". e tudo o que eu queria era um "rio em que eu pudesse patinar pra longe".

o rio em que não neva, "fica bem verdinho", estava aqui: uns 40 graus acima da temperatura do gelo pra patinar. eu chorava porque eu sabia que depois eu ia rir, até que eu chorasse de novo - e dava um desespero de essa inconclusividade levar inexoravelmente ao mesmo ciclo vicioso. o que queria dizer: eu ia chorar, de novo, de novo, de novo, e querer fugir.

estava de viagem marcada para o gelo, pra passear beira-rios congelados. numa dessas manhãs de confusão - é horrível, toda vez, acordar, nessas épocas em que o sonho te dá perspectivas muito melhores do que a realidade -, engolido um café, encontrei no suplemento cultural do jornal um artigo sobre blue, que é, nomeadamente, o objeto desse texto. o jornalista qualificava o álbum de joni "triste pra chuchu", e a verdade era: não há disco que entenda mais fundamente a solidão do que blue. "the bed is too big/the frying pan is too wide". "if you want me i'll be in the bar". "only a dark cocoon before i get my goooooorgeous wings and fly away". "we don't need a piece of paper from the city hall keeping us tied and true, you know".

do you see
do you see
do you see
how you hurt me, baby?
so i hurt you too
and we both get so blue


eu tinha feito isso, perdido "o best baby that i'd ever had" (e não era o best baby, que besteira isso!), ainda querendo beber caixas e caixas do néctar agridoce daquela pessoa, embora nosso término tivesse sido horrível: eu quis magoar pra me vingar, mas sabia que essa não era a resposta, sabia que eu não podia reagir, eu tinha passado por uma educação estoica poucos meses antes, um mergulho na autoconsciência que ia mudar minha prática pro resto da minha vida. não devia reagir jogando gasolina no fogo da dor que ele tinha me causado. e era principalmente esse silêncio, minha impossibilidade de ser honesta e em contato com o que eu realmente sentia, eram os vinte mil eu-te-amos engasgados... era isso que prejudicava só a mim - infelizmente -, de modo que derramar tudo isso, explodir maldosamente na cara dele todo o mal que eu mesma me causei só ia me trazer sofrimento. era isso que eu não entendia. a partir de como eu agia, silenciando, posso até pensar que eu entendia: não causava mal a ele. mas não compreendia como essa atitude era maléfica pra mim, me deteriorava, me aniquilava, me dissolvia.

a mãe dele me avisou. eu tinha conhecido essa mulher, com o "rosto parecido com o teu, que conhecia a tua vida, os teus demônios, os teus feitos". ela me disse: "go to him, stay with him if you can, but be prepared to bleed". ela sabia que os relacionamentos do filho dela nunca passavam dos três meses (os meus também não). o que eu estava achando? desde o início eu já tinha me enrolado, já estava sangrando, mas nunca deixava isso transparecer. porque se eu sinalizasse o quanto aquela paixão estava me consumindo... ele ia embora. eu não disse. e ele foi. fiquei com o blue. fui para o norte.

é, joni, canções são como tatuagens. agora finalmente entendo: "crown and anchor me or let me sail away". meio-termo não dá. ele sempre me deixara navegar. e eu já naveguei tanto, ai...

27.3.10

a n o t h e r t r a i n o f t h o u g h t t o o h a r d t o f o l l o w



eu não paro de ler isso pra ver se entendo:

não se impressione muito com acontecimentos imprevistos e coisas que lhe soarão como maluquice total, do estilo de alguém lhe dizer uma coisa e na "hora h" fazer outra totalmente diferente, ou você determinar-se a algo e então perceber que não estava de fato assumindo um compromisso persistente.

e nem adianta samuca falar mal do personare. foi ELE que me contou a verdade. a susan miller me iludiu!

o blue acaba rápido demais. ouvi duas vezes seguidas e parece que eu acabei de colocá-lo pra tocar e já chega em "last time i saw richard".