de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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26.11.09

nódoa no brim

comprei hoje um short, pra dar vazão a todo o movimento rio 400 graus que tá fazendo.
a peça foi cara, mas escolhi esta e não outra por um ar de novidade: ela tem uns respingos que parecem meio de lama, meio de tinta, já vindos assim de fábrica.

daí fiquei me lembrando do bandeira e da tiuria do poeta sórdido:

Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito.
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma
nódoa de lama:

É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.

de nada me interessaria comprar uma roupa que não tivesse a marca suja da vida. acho que por isso passo 3 anos sem comprar roupas... (mas também, quando compro, m'individo)

8.4.09

a economia

na era da contenção, eis outra moda a que aderi: o twitter.
costumo dizer: já não escrevo no blog, só posto música, no flog, com tantos espaços virtuais, a gente aproveita cada vez menos nosso trânsito por eles. e ficamos cada vez mais concisos, com menos paciência de desenvolver raciocínios, vira tudo uma fotografia-poupadora-de-tempo. mas a fotografia, como a literatura, pode - e deve - tomar tempo. então a concisão, a busca por uma forma sintética e pelo momento oportuno está entre os novos desafios em que podíamos nos lançar.
em vez de: "estou comendo biscoito traquinas!" - que seja uma coisa sintética e substancial - se possível, enigmática - como fragmentos préssocráticos. (ah, desisto desses hífens)