de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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31.8.11

O Jun falou que um meio de se forçar a escrever é se dar pequenas recompensas após ter uma ideia boa e/ou sentar e escrever um pouco. Só não pode ser cigarro, que aí a pessoa vicia e se caga toda. Mas eu também posso ficar gorda se eu for comer sorvete de chocolate com rodelas de banana, nesta conjuntura. Aliás, não é nem na conjuntura de escrever um pouquinho, mas sim na de estar há quatro horas na frente do computador e só ter consertado umas coisas na bibliografia, nas notas de rodapé e na revisão do texto.

Mas eu "andava exasperada como se os outros estivessem comendo o que era meu. então, de raiva e fome, de repente comi o que bem quis." (A Descoberta do Mundo)

Se a Clarice pode comer demais pra se recompensar, eu também posso.

3.8.11

é uma sensação doce-amarga, como o glukupikros de safo. escrevo-apago. fico feliz por ter escrito, por tar aparando as arestas das primeiras 10... 9... 10... 9... páginas da dissertação, mas depois me repreendo, tenho que apagar, imagino só a banca recebendo isso, não pode ser... "é achar elefante na moita". aí fico triste por apagar... umas linhas a menos do que estava crescendo. a couple of lines shorter of thought.

é bom ver a produção internética de pessoas mais jovens que eu (que considero quase minhas alunas, porque estavam no CPII quando eu estagiava lá. elas já tavam formadas, mas eu digo que foram meus alunos, mesmo que a turma que eu acompanhava todo dia não fosse minha): http://luhaze.tumblr.com/page/64, esse orgulho-hipster que os mais-velhos olham com desprezo e eu acho engraçadinho... porque pra alguém aquilo deve valar a pena... deve compensar ser hipster, senão não tava na moda (depois dos emos). é um tapinha nas costas de "você tem muito a aprender" - de que já fui vítima. É só a gente se aproximar do quarto-de-século que começa a se achar o dono da verdade, que horror. Mas fora as milhares de imagens de Harry Potter - que aí não é pra mim mesmo - e coisas de gente novinha, acho algumas fotos muito boas.

O tumblr, como diz um amigo meu, descobriu essa vocação couch potato da sociedade, que já não é ativa com nada, não dá nem pra ficar pulando de hiperlink em hiperlink. No blog de imagens, você só fica lá, rolando a tela pra baixo, apertando "next", "next", "next" e babando... Eu não entendia muito bem, até agora, como é que funcionava - qual era a graça do - tumblr, aí agora sei. É como muita gente que não "pega"o it do twitter. Pros de fora não tem graça nenhuma, mesmo. Eu mesma já deletei duas vezes o meu. Mas com o tumblr é diferente, você não precisa ter um - o que eu acho libertador, da parte das redes sociais -, é só se identificar com a estética visual do blogueiro. E o legal é que o blogueiro nem precisa fazer nada, né, maior parte é antropofagicamente colado mesmo.

25.7.11

what do you want from me?

tenho insônia quando não durmo com ela, é melhor isso parar já, senão não há internato nem internet que segurem.

podia fazer uma promessa de escrever umas párrrna sempre que não tiver com sono. mas talvez eu já nem goste mais de prometer, uma vez que sei que não vou cumprir.


e minha internet é tão periclitante que deixei baixando glee enquanto eu ia tomar banho, mas acabou a transferência antes de eu me levantar...

21.6.11

parto

ufa, escrevi 3 páginas hoje.

31.8.10

pelo sim, pelo não


gostei da cinda falando ontem, na aula (com voz rouquinha da canseira do seu aniversário), que a poesia portuguesa nunca se afasta do silêncio. e olha que ela é daquelas "não me diga nunca, não".

14.8.10

sophia, a europeia que gostava de banho

evidente: é tudo isso uma piada, mas o movimento exato, a coluna ereta e a voz firme de sophia não:


(gosto quando ela fala de coisas eternas junto à movimentação da casa, tudo uma bagunça - a vida à beira: "ó, francisco, mas o que é isto?")

olhem, quando eu comecei a pesquisar a sophia, no início de 2008, tinha bem pouca coisa dela no youtube, pela internet - mesmo as obras: eram poucos poemas, o google apontava pra sites com wallpapers de praias e fundos musicais em midi.

de modo que quando vejo tanta coisa assim sendo apresentada, publicada, resgatada - entrevistas, espólios, encantos de leitores com a sophia aqui e ali - fico muito feliz. acredito que sophia também ficava, porque faz precisamente poesia que vive, que se atualiza.

às vezes sinto essa heleno-lusitana-nórdica como se ela fosse uma grande amiga. no entanto só recentemente a vi em movimento, só recentemente ouvi sua voz... e vezes há, suponho, "seres um milagre criado só para mim".

12.8.10

a noite estava fria lá fora e dentro dele o nome boiando. sussurou-o baixinho para a noite.

- paula.

era preciso dizer para que sentisse, para ficar livre a passagem por onde o amor se intrometeria. arrependia-se de ter dito o nome, preferia guardá-lo esquecido. não era tão puro o som como imaginava. precisava barrar o caudal de lembranças que viria. antes que fosse tarde, antes que o remorso se lhe apoderasse da consciência, procurou afastar de si o nome de tantas lembranças tristes, porque o amor era um prolongamento de sua tristeza. de novo o nome caía de seus lábios: ácido roendo o peito, unha arranhando a carne.

- paula... paula... de mansinho, como quem dorme.

[autran dourado.tempo de amar]

já vi tudo, vou acabar escrevendo sobre esse, e não barca dos homens...

25.7.10

o homem que diz "dou" não dá.

acho que sei por que não tô sintonizando muito com esse ensaio que tô fazendo. acho que até agora só fiz trabalho sobre "belos sentimentos". agora que eu peguei um livro - meio expressionista, diga-se, pela manifestação de elementos angustiosos - de indiferença, medo, escolhas existenciais, assassinato, prisão e exclusão sinto essa impossibilidade de escrever. é impossível escrever, porque "nem só de belos sentimentos é feita a literatura", como diria gide.

isso já me aconteceu antes: quando tinha de escrever sobre ensaio sobre a cegueira, anos antes, não fiz o trabalho - parcialmente porque estava num momento depressivo em que não conseguia concretizar nada, só ficar boiando no não-feito e na "vida que poderia ter sido e que não foi". a cegueira é um livro sobre essa imobilidade, sobre a incapacidade de reter as coisas a partir do real do mesmo jeito a que somos acostumados. a criatividade deve, então, se abrir - eu devia arranjar um outro jeito de me aproximar daquele texto que era tão isomórfico com a minha situação real. li o camus, e sou tão meursault que eu não me importo realmente com as questões que são abordadas racionalisticamente - como num romance de tese - em o estrangeiro. como transpor isto?

o que é a indiferença? o que é ser moral? o que é a relação com o outro? meu gosto para a literatura é uma coisa, admito, muito umbiguista (é confissão entre um eu e um logos).

sabia que o rafa já tinha escrito um texto sobre o camus e fui lá procurar. era sobre a peste, mas tem tudo a ver com a minha procura fundamental por coisas unidas - e não partidas, como o sofrimento - na arte:

"chega sempre uma hora em que nos cansamos das prisões, do trabalho e da coragem, para reclamar o rosto de um ser e o coração maravilhoso da ternura”.

a questão é que não quero fazer da arte, e dos meus ensaios inspirados por ela, um escape, uma concepção exclusivista da beleza e da unidade, mas uma solução para encontrar essa metade de mim que fica perdida por aí.

19.5.10

tudo dá certo quando dá errado

não ir fazer observação de aulas de ensino médio, parte do requisito para a prática de ensino de língua portuguesa e literaturas, faz maravilhas para a sua produtividade. graças a um atestado médico que me atestou a necessidade de parar de andar e ficar quieta de novo, por oito dias, falto sem culpa aulas de uma professora escolar criminosa, e consigo montar nesse cavalo do tempo, que vinha me atropelando e pisoteando a ferroadas, desde que o semestre começou. o problema é que recebi dois arquivos pra revisar pra ontem e não posso recusar de jeito nenhum, estou num momento topa tudo por dinheiro. (opa, quase tudo, hein...)

18.3.10

imobilidade pernal.

às vezes eu acho que EU sou a pedra-de-paciência, do atiq rahimi.