de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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28.6.13

as coisas passando, eu quero é passar com elas

todo movimento tem à partida a imobilidade de uma pedra. cada pedra tem em si o voo imóvel. ou voo ou senão... um estar de rastos. ou então: o desintegrar-se em pedras mais pequenas, areia funda. ou ainda: a água que lentamente compõe tudo o mais. em pedra dura, é a sede que a pedra consome.

ficou para trás um país mormente feito de pedra. pedra no mar, nos corações, nos matagais.

pedra em miragaia, pedra em miramar, pedra em tua nudez.

pedra em tudo.

pedra que pede: não pares de pensar em mim, não pares nunca, não se vás, não fiques, esteja, esteja, seja, seja, pedra, pois, pomo, mar, pomar.

pedra álgida na lágrima que se equilibra em sílaba que não sai, não sai, porque não vens comigo, não vens e a saudade me rouba todos os cais petrificados dessa terra de porto e calor.

15.12.12

estou tão apaixonada, socorro

Meu coração adivinha
Que não mais voltas aqui
Que não mais te torno a ver
A culpa foi toda minha
Em me prender tanto a ti
E não te saber prender

19.2.11

destino sub-equatoriano

esse lance de o português morder e assoprar é de facto (como dizem) um procedimento lusitano:

Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora...

e se bobear, o tuga ainda se acha muito do sensível e tolerante, mesmo torturando, matando etc...