de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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8.5.12

quando exu virá eu ponho a cachaça pra ele

hoje teoricamente recebi uma notícia ruim, mas estou com vontade de dizer: 
eu nem queria mesmo.
fora isso eu quase quebrei o pé de novo,  mas é bom que me dá impulso de fazer uma cirurgia. e cirurgia, todos sabem, é tempo de ler a bibliografia inteira pro doutorado.

finalmente ouvi uma resposta dela, se é que isso importa. é que já ultrapassei a barreira da vergonha de parecer querer demais, é que agora nem faço questão de querer - se ela estiver comigo parabéns, se não foda-se, a vida é assim mesmo.

o portella desfilou uns 300 mils (MILS) preconceitos na aula: entre eles afirmar aquele mito do carioca preguiçoso, calcado na cultura do "tô nem aí". fico querendo mandar esse povo pra morar em caxias e pegar av. brasil* todo dia pra chegar ao trabalho, gastando mais de 10 reais em condução e ganhar um salário mínimo que não dê conta nem do miojo.

uma música para o ópio do povo:




*botei no google pra ter certeza de que não tava a falar besteiras.

28.9.11

tenho um professor que não gosta de adjetivo. mete o pau teórico nos adjetivos, dizendo que é algo que se projeta de fora pra dentro, o que significa um juízo.

mas percebo que nos vários ajetivos que ele usa, na fala, existe sempre um complemento: (nem adjunto, que seria outro "de fora pra dento") o "pra caralho". "filósofo tal é chato pra caralho", "jogo do fluminense foi sofrido pra caralho".

penso que já sei: é que pra caralho busca também ser uma projeção "de fora para dentro" (de um buraco). pra foder mesmo.

1.7.11

não quero chá

vou comprar um chocolate a caminho da terapia.

18.1.11

ora, pois,

este senhor, luis adriano carlos, quer me fazer acreditar que a poesia de sophia (o que seria de nós, sophiáticos - não sofistas - sem esse eco apropriador?) é um elenco de características metafísicas que nem as que aprendemos na escola, com os movimentos literários. diria estamira: AAAAH NUM DÁ!

a nossa mãe é sempre um saco quando visita a nossa casa: nada está limpo, arrumado, inquebrado o suficiente. o bom era se morássemos com elas, situação em que ela nos cobraria 24 horas por dia para providenciar um arranjo pro que estivesse fora dos eixos. quando tudo está organizado, são coisas da esfera externa que precisam de um ajambramento: sua vida amorosa, problemas no banco, visitas que você precisa fazer, contratos (sociais ou físicos)... enfim, sempre uma cobrança sem fim. mas o pior é aguentar a mãe dos outros na sua casa. perspectiva é tudo, a sua mãe parece um anjinho e não aquela mala sem alça. portanto, coloco o meu aviso de porta "me deixa em paz", da mafalda, e me fecho na minha singularidade.

com essas chuvas todas na região serrana, dou graças a todos os santos, mamãe oxum de águas doces, por ter deixado minha mãe vir pro rio antes do dilúvio. ilhada ao contrário por uma semana, ela já está se coçando para voltar à sua casa - que continua inteira, graças a oxum e yansã!

não me canso de fazer listas do que empacotar e o que resolver antes de ir. meus escritos ficam sempre em último lugar porque i'm a big old fat procrastinator. e esse post é exatamente isso!(lembro de quando eu e samuca descobrimos essa palavra com tantos rr. acho que ele ouviu no saia justa e ficou testando na língua)

para finalizar, minha tia, moradora do porto, em cuja casa planejava ficar por esses meses, resolveu morrer duas semanas antes de eu ir. pena não ter te dado um beijinho nessa tua cabeleira branca! achei um volume d'os lusíadas com que você presenteou teu irmão, meu avô, com quem você já deve estar jogando buraco aí no céu, pelo aniversário dele de 1980! (foi um ótimo presente, eu adorei)


11.1.11

meu coração é um almirante louco aposentado demitido

eu sonhei que chegava a alguma Verdade sobre a poética da sophia, em meio à confecção do meu trabalho de fim de curso/capítulo de monografia. devo ter sonhado, não sei, tudo parecia claro-cristalino, e tudo o que eu pensara antes era mentira reiventada dos artigos por aí... e agora esqueci.

mas don't it always seem to go
that you don't know what you got 'till it's gone?

há tempos samuca recomendou esta ferramenta do google (eles mapeiam tudo, meu deus...), e foi só lendo o resgaste dela pelo rafa que eu dei valor... resolvi procurar mar e terra e descobri que as pessoas gostam mais de ficar do que viajar...

25.7.10

o homem que diz "dou" não dá.

acho que sei por que não tô sintonizando muito com esse ensaio que tô fazendo. acho que até agora só fiz trabalho sobre "belos sentimentos". agora que eu peguei um livro - meio expressionista, diga-se, pela manifestação de elementos angustiosos - de indiferença, medo, escolhas existenciais, assassinato, prisão e exclusão sinto essa impossibilidade de escrever. é impossível escrever, porque "nem só de belos sentimentos é feita a literatura", como diria gide.

isso já me aconteceu antes: quando tinha de escrever sobre ensaio sobre a cegueira, anos antes, não fiz o trabalho - parcialmente porque estava num momento depressivo em que não conseguia concretizar nada, só ficar boiando no não-feito e na "vida que poderia ter sido e que não foi". a cegueira é um livro sobre essa imobilidade, sobre a incapacidade de reter as coisas a partir do real do mesmo jeito a que somos acostumados. a criatividade deve, então, se abrir - eu devia arranjar um outro jeito de me aproximar daquele texto que era tão isomórfico com a minha situação real. li o camus, e sou tão meursault que eu não me importo realmente com as questões que são abordadas racionalisticamente - como num romance de tese - em o estrangeiro. como transpor isto?

o que é a indiferença? o que é ser moral? o que é a relação com o outro? meu gosto para a literatura é uma coisa, admito, muito umbiguista (é confissão entre um eu e um logos).

sabia que o rafa já tinha escrito um texto sobre o camus e fui lá procurar. era sobre a peste, mas tem tudo a ver com a minha procura fundamental por coisas unidas - e não partidas, como o sofrimento - na arte:

"chega sempre uma hora em que nos cansamos das prisões, do trabalho e da coragem, para reclamar o rosto de um ser e o coração maravilhoso da ternura”.

a questão é que não quero fazer da arte, e dos meus ensaios inspirados por ela, um escape, uma concepção exclusivista da beleza e da unidade, mas uma solução para encontrar essa metade de mim que fica perdida por aí.

12.5.10

como tudo se transforma

tava eu na aula de didática, tendo seminário sobre paulo freire (clichê e escreve mal) e ppppppooooow, cai o mundo em chuva lá fora. daí a professora começou a fazer uma metáfora dizendo que "algumas questões estão exatamente como esta tarde, anuviadas," mas o tempo já tinha mudado. aí eu acreditei mesmo que tudo se transforma, e é possível a mudança social. se o tempo já tinha clareado, né?

então eu peguei um ônibus pra fora de lá, e quando estou ali no viaduto do frio-na-barriga da praia de botafogo - e já pensei em escrever sobre como é linda essa cidade e as paisagens pelas quais tenho passado todo dia... quando chega ali naquele meinho entre botafogo e flamengo é um desvelamento só; e quando tem feira? aquele cheiro de peixe, real - enquanto desço ali, no começo de botafogo, eu vejo, ó que maravilha: um arco-íris liiiiiindo arqueando um parêntesis no pão de açúcar. vou parar, pra não provocar síncopes nos meus colegas que não moram no rio, então eu digo: sabe o que eu pensei bem nessa hora?

primeiro, que ninguém tava vendo esse milagre da refração da luz. segundo: que adorno não serve pra ver arco-íris. pode servir pra muitas coisas (acho que não, mas em todo caso...), e pra ver arco-íris não serve.

10.5.10

agora que eu sobrevivi direitinho ao curso de bacharelado em letras, eu me sinto autorizada a influenciar todo mundo até que mudem de curso. outro dia, o namorado do taiguara, de enfermagem, vem me contar que assitiu a uma apresentação minha na faculdade, sobre clarice lispector. como se não bastasse, ele puxara uma matéria com maluh (ai, que vontade de completar com magalhães), a esposa do meu amado-idolatrado-salve-salve ronaldes de melo e souza.

desta feita, quero convencer o estudante de direito pedro cunha de que ele não está mais no século XIX, e agora poetas podem fazer faculdade de letras para lidar com a área de humanidades, não precisam ficar presos à tríade direito, medicina e engenharia, como outrora. [por outro lado, sinto que faculdadeletras formam uns seres medianamente letrados, com uma capacidade enorme de citar e uma subcapacidade de sentar pra ler coisas de cabo a rabo. não obstante, matam a verve criativa dos que uma vez quiseram ser autores porque se gasta muito tempo "aprendendo alemão pra ler hegel, husserl, pra entender sein und zeit, e então compreender derrida." meu cu!]

em tempo: euclides da cunha fez medicina (ooooh!) e lima barreto fez engenharia, alguma semelhança desse dado biográfico com o estilo que eles imprimem às narrativas?

20.4.10

ai quiorgulho!

sou sortuda de ter uns amigos gênios tipo samuca. em seus últimos posts, ele tem brilhado que só na tarefa de cronicar suas andanças fazendo língua e linguagem covergirem para uma só forma artística: o post de blog.

O homem chega à lua e vocês não me fazem um computador onde eu possa ser livre para acentuar como quiser.

não. é que "toda" a minha "bagagem" crítica, formada em 5 anos de ufrj não dará conta de interpretá-lo e analisá-lo (e não sou psicanalista, graças a deus). sou virgem na crítica literária quando me põem ao lado de um bakhtin ou antonio candido, mas sei um pouco do que estou falando, em comparação aos blogs por aí.

falando em aiquiorgulho foi com esta alegria (#medeulogoumalegria) que silvana bayma, minha lindeloura professora de português do ensino médio "que me catapultou da posição de a-luna para a descoberta da luz que carrego em mim" me recebeu como estagiária do colégio pedro II, unidade escolar humaitá II. é que cheguei lá - de táxi, claro: atrasada - e posso dizer: me deu logo uma alegria porque senti a mesma - não sei se a mesma, mas muito parecida - energia de quando estudava lá. uns professores que foram meus ainda lá, ainda lembrando um pouco de mim. silvana plenamente consciente de que tem muito dela nimim, minha história se devendo muito a ela. me deu um pouco de vontade de chorar; não sei se conseguirei flutuar - me aprofundando - pelos assuntos, tão fluidamente como ela fazia. parecia que não tinha mesmo nenhuma aula planejada, mas os temas iam surgindo, brotando, naturalmente, e ela desenvolvia com paixão. e claro, que alegria que me deu quando ela disse que queria que a turma não ficasse "presa nessa questão da periodização literária". porque eu sei, desde épocas de pedro II que isso é uma idiotice que dá mó quebra-pau na academia. mas com que desenvoltura ela não me explica (a mim e à turma) que a historicização literária é apenas uma opção metodológica.

em suma, bom foi perceber que o discurso de idiotização do aluno de ensinos fundamental e médio, tão ratificado pela "acadimia", é um des-serviço que ela mesma presta. sim, porque somos "pesquisa, ensino e extensão" e não precisamos ficar tão umbigados nos nossos estudos, pre-concebendo que os outros não vão nos entender. como eu disse em um post anterior, isso é uma atitude um tanto quanto adolescente.

e os adolescentes...! não sei se era mérito pra professora de português, ministrando uma matéria favorita da turma - literatura do início do século XX -, mas estes seres pintados como endiabrados não o são, nem um pouco! até os "com-cara-de-bagunceiros" (deixa só os humanistas saberem desse post...) participavam e eram embevidos pela "força da palavra".

ser professor é um pouco como ser um hipnotizador.

11.4.10

para ler a pessoa tem de estar bem interiormente, se estiver anguistiada não consegue se concentrar. Em nossa época temos essa dificuldade, a leitura se cerca de inimigos que se tornam cada vez mais fortes.

ronaldo lima lins, in o feto

11.3.10

minha roomate passou pro vestibular, eu comecei o mestrado e veja só: a bibliografia de um só curso equivale ao volume de páginas que eu li durante a graduação inteira. como fas?
minha orientadora andou comigo pra cima e pra baixo empurrando-me numa cadeira de rodas! diversões que nunca achava que ia ter na faculdadeletras.

se o curso do CHATO do clécio com a dona cleo for cancelado (clé-cléo) vou ficar PUTA!

vou lá que tenho que ler tudodiumavez.

18.11.09

que fazer com minha tarde?
sem aula
sem palestra
sem congregação
sem reunião
sem eleição
sem assembleia

tô tão feliz que dói!

já pensei em ir estudar na praia
ler clarice
ler camões
ou dormir.

farei tudo isso!

22.10.09

quando eu estiver com a auto-estima baixa eu aceito a pessoa (tenebrosa - oh, juizo de valor!) que me adicionou no leskut.

hoje eu aceito que a vida é assim: amores numa poça lameenta de azar, sorte nos concursos.

9.9.09

bom dia

sonhei com minha dissertação de mestrado, o momento da defesa, lá.
na minha banca estava a teresa cerdeira (socorro), mas, antevendo a porradaria com minha orientadora ela sumia. um tempão de atraso depois, aparece o eucanaã em substituição. a cinda pega um fulano qualquer passando no corredor - que ela conhece e diz que é bom - pra ser o segundo membro da banca. eu a mando esperar e ligo pro antonio jardim, de manhã - ele ainda estava dormindo - e peço pra ele aparecer pra assistir. ele diz que não. imagina se eu pedisse pra participar da banca... sem ter lido o trabalho.

e é assim, minha gente, que a vida acadêmica vai me roubando a vida real. daqui a pouco a alma exterior vai substituir a interior.

("it's not what you do or what you are, it's how you do it that counts")

8.9.09

pra que rimar amor e dor

dei mole, queria ter inscrito meu trabalho de women's studies na semana de anglo-germânicas. as mulé de estudos culturais iam ter adorado. inscrições acabaram dia 31.

5.9.09

minha inscrição no processo de seleção do mestrado ficou enrolada por causa da autentificação de uma cópia da identidade. autentificação de cópia não é uma coisa contraditória? se é cópia não é autêntico. se é autêntico não é cópia. identidade é uma coisa autêntica porque se liga ao próprio, mas é cópia porque é igual a um mesmo de outra pessoa. cada um tem um nome na carteira. mas todos temos o documento nacional de identificação.

a sophia bem que me avisou que isso ia acontecer.

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho

[poema]

29.6.09

estou sofrendo com a clarice e a sophia.

é que tinha feito notações antigas e agora não entendo mais nada do que entendia quando escrevi ou quando me referi a numerações de páginas.

é que tento restringir um campo de atuação a sophia, mas ela engloba, em cantos ditirâmbicos, muito mais do que antevia (afinal é clássica e anti-clássica [vilma arêas]). como:
a visão vertical do tempo: ok, passado é presente através do poder presentificador da memória, mas o futuro não atua nesse bololô de instante já. sempre um dia haverá um dia liso, e

um dia emergiremos e as cidades
da equidade mostrarão seu branco
sua cal sua aurora seu prodígio.
ela também vê o tempo como linear, ora bolas, é lógico que khronos existe e é imbativel, de modo que o futuro é implacável (ou incerto, porém exato no final), a não ser por uma sujeirinha:

mais tarde será tarde e já é tarde.
o tempo apaga tudo menos esse
longo indelével rasto
que o não-vivido deixa.

(...)
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
do teu próprio passo

e, veja, no fim sophia me responde tudo, como qualquer oráculo - horácio - pré-pós-per-socrático:

pudesse eu não ter laços nem limites
ó vida de mil faces transbordantes


11.3.09

hoje eu sonhei contigo, amor, nem te digo...

acordei super assustada, choramingando, com o surrealismo do meu sonho.
eu não vou nem tentar encadear as imagens que me vinham numa narrativa lógica...

- porque dizem que nós sonhamos com imagens e depois ficamos tentando achar ordenação pra elas. daí o cão andaluz de buñuel fez muito sentido pra mim -

mas rolava eu e o pessoal de poética, depois da defesa de alguém, num lugar meio grajaú-fim-de-linha. a gente sentava pra comer/beber, e até foi parar no telhado (parecido com debaixo da mangueira do pedro II. tenho sonhado muito com o meu colégio...).

jun era queimado com uma coisa que vinha do céu e começava a rir, que estava numa área de risco, e que finalmente isso acontecera com ele. ele se agarrava em mim e eu o ajudava a correr dos foguetinhos que apareciam pelo céu e pelo chão que queimavam a gente. mas às vezes eu lembrava que se ele ficasse muito encostado em mim eu ia ficar queimada também, e meus membros ficariam tortos.

estava na FLIP e isso começava a acontecer, era um lugar parecido com disney com o qual já tinha sonhado antes. só que no fim, eu descobri o que fazia a gente ficar doidão E queimado: eram uns incensos do tamanho de fósforos que ficavam queimando pelo chão. se a gente não desviasse dele ficava queimado e molenga, que nem a cera de uma vela. daí me ocorreu que era só tacar água em cima, e apagar o bagulhinho. o thiago e alguns conhecidos DO MAL é que espalhavam isso pela FLIP (que tinha um prédio só pra teatro e um camarim imenso, parecido com a infra-estrutura de um navio com o qual eu já sonhei antes), e estavam atrás de mim porque eu tinha descoberto como eles faziam isso... eu tentava recrutar pessoas pra apagar os fósforos, mas todo mundo só queria saber de ficar doidão. o andré mongol até começou a me ajudar, mas foi parar no colo de alguém no final. taquei um tipo de adoçante (zerocal) melado num fosforozinho e ele se transformou numa pilha tamanho D que rodopiava e emitia coisas azuis e queimadoras se a gente deixava encostar na pele - tipo um cd no microondas.

e aí eu lembrei - acordada - que sonho é pra ser isso mesmo. um monte de acontecimentos embolados, imagens que você já viu antes, que prescindem de lógica, explicação e narrativa para aparecerem juntos, mas que, se você tentar tirar um sentido da coisa, vai sair um monte de interpretação bizarra do seu inconsciente. ou sei lá da onde. s.n.goenka (a.k.a. business man) diz que "não existe inconsciente, até quando não estamos controlando, ou sonhando, as sensações estão aí, e ficam se registrando na gente" (um negócio assim, eu não posso escrever no retiro, então nem lembro...), o que pra mim logo evoca "o que em mim sente 'stá pensando", do pessoa. agora não sei se o que ele disse foi SUBCONSCIENTE, o que faz uma diferença... o efeito era: quando estamos sonhando, não são níveis do (in/sub/des)consciente que vêm à tona - até quando estamos sonhando somos conscientes.

e quando eu fui dormir eu li uma frase de ronaldes de melo e souza que dizia algo assim: "a consciência da ilusão jamais elimina ilusão da consciência", que deveria rebater o argumento do guru (já que ele não é um iluminado).

graças ao borges (o jorge luis, não o moto) eu tenho esse fragmento de shakespeare:
we are such stuff as dreams are made on
tá bom, somos essa coisa. mas o que é esse AS? seria um ás na manga do tio will? chegou o tradutor do borges e botou lá: "somos aquela matéria de que os sonhos são feitos". eu até tinha aceitado isso passivamente, mas aí fui ler em inglês, direito: "we are such stuff as dreams are made on". somos a coisa enquanto os sonhos são feitos? somos a coisa EM QUE os sonhos são feitos? será? os versos completos, n'a tempestade, dizem:

we are such stuff
as dreams are made on, and our little life
is rounded with a sleep
nós somos essa coisa. enquanto os sonhos são feitos, nossa pequena vida é rodeada por um sono.
a tradução moderna foi e fez isto:
We are similar stuff to that
That dreams are made of, and our little life
Is surrounded with a sleep.
ou SEJE: que merda, esse shakespeare morreu antes de terminar essa peça. foi COROADO (rounded) com o sono mortal.

26.11.08

a santa às vezes troca o meu nome

fim de período/ano/inferno astral tem dessas coisas - estou sem dormir há séculos (desde a semana da jic) e em meu cérebro penetram construções novo-baianas e luandino-roseanas, fazendo com que venham à cabeça coisas como:

  • computadeus
  • jacarepalonge
  • mira meteu (mira matheus nem precisou mirar, saiu metendo de qualquer jeito e me fodeu)
  • moneaugraphia
  • mona-grafia
há muito tempo eu não entrava em pânico desse jeito em uma prova. a única vez de ter me sentido tonta, zonza, desesperada desse jeito foi numa prova de matemática sobre geometria, na 2a série, que fiz doente e tirei 6. tudo porque ontem (hoje, sei lá) pedi pro felipe me manter acordada enquanto eu tentava estudar português e ele não calava a boca, de modo que fiquei acordada mas não estudei.

fatos da vida, às vezes temos que reviver a infância - esse post tá bem parecido com a estrutura dos meus posts antigos, ainda no /nanda_b2 ou no howseenamiactually, ou seja lá como se chamavam meus blogs desde 2001. ando lembrando muito de coisas da minha infância, tipo brincar de médico com a vizinha de casa de arraial ou a primeira vez que fiquei de quatro por shakespeare e a língua inglesa - resolvi ingressar ao mesmo tempo na cultura inglesa e na CAL, pra fazer um curso de teatro pra adolescentes baseado em shakespeare. ontem foi por causa das ternurinhas do onjaki - a vida de um monandengue angolano nada tem a ver com a minha.

vi o ser humano mais bonito do mundo de novo, saindo do ônibus junto comigo. mas como eu talvez o ache agora a segunda criatura mais bonita do mundo, não falei pra ele que ele era a pessoa mais bonita que eu já tinha visto e não dei pra ele este endereço, para que ele lesse o texto em homenagem a ele.

eu ainda faço um livro tipo os que os taxistas sempre dizem que farão: a minha vida no transporte público. a anedota de hoje dá conta de como uma moça desceu santa teresa contando da vergonha dela de ter dado calote num motorista de van amigo dela, um tal de caetano. por isso fez questão de pagar ao motorista do nosso táxi de dois reais, privativo, logo quando entrou. só viemos eu, ela e o motorista, todos rindo das histórias de calotes do povo do morro dos prazeres, da suspensão da integração metrô-ônibus 407, dos bandidos e viciados que pedem carona (mentira, desses não rimos, não).

ainda em santa: o bonde não passou, mas tava o pôr-do-sol dos mais lindos e eu passei pelo flautista, que no fim é um professor de flauta que tá sempre chorando num prédio entre o instituto de yoga e a casa do dau (ouvi duas flautas, uma extremamente alta na tonalidade. na ida, faziam terças e terminavam em lááá siiii dóóóó. na volta, faziam notas longas). moral da história: esse aluno, daqui a uma semana, já tá tocando muito mais do que eu, que traumatizei depois da festa junina - faz muitos meses - e só montei a ditacuja pra tocar um pseudo-take 5 com judson esse fim de semana. no caminho mais pra lá da rua, num prédio bem mais charmoso, tem um saxofonista que eu acho que também é profissa.

tive uma idéia sensacional depois da minha prova massacrante: implementarmos o motel universitário - vulgo MU - no fundão, para suprir as necessidades dos alunos do futuro (se deus quiser) curso noturno da letras. na verdade, ele podia ficar ali pro lado da maré, já despontando para a linha amarela e a vila mimosa, e podia ter um letreiro cujo logo seria uma vaquinha. acho simpático.