de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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17.2.11

olhos de gaysha

eu vou fazer
um post como os dele
um post bem singelo, português.

se esses posts são adolescentes, me manda um scrap e chama de thalita rebouças!


para lançar depois do carnaval. no carnaval ela vem e será festa da carne (vou até comer bacalhau - que outra graça tem, estar em portugal? R: bairro da graça, travessa das mónicas).

lembra quando a gente escrevia as perguntas que a tia ditava, depois pulava duas linhas, escrevia as próximas, e depois pra responder começava (com lápis ou caneta de cor diferente) com R: ?

esta estátua é walking-distance da minha casa e nemvi. vergonha forever. até meu fotolog já sabia dela...

20.10.10

: (ou - "o que é seguir"?)

continuação daquela vírgula do começo do ano: culminei em dois pontos, agora.
ou: será que é uma culminância, se continuo?

hoje foi minha prova de aula, falei de clarice. fiz muita coisa com um cuidado muito maior que tinha outrora, pareceu até que eu era uma pessoa organizada, com planos de aula, idas ao quadro, handouts, celular avisando de 5 em 5 minutos pra eu não me perder no tempo. não foi dito tudo. tudo muito bem, porque "todas as coisas do mundo não cabem numa idéia. Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo".

reconsidero algumas coisas: meu voto, que talvez fosse nulo e agora vai pra dilma; meu ex-voto de "nunca vou dar aula, não nasci pra isso". é tudo uma aprendizagem mesmo, só para quando a gente morre. de modo que essa coisa cresceu na minha concepção, a coisa do magistério, e também cresceu, com muito trabalho e auto-disciplina (ainda minada e sabotada, mas tô melhorando), minha auto-confiança pra dar aula. só de ver os sorrisos daquelas pessoas... parecia, por um momento, que todos nós tínhamos mesmo que estar ali: que desfrutávamos. e é isso que tinha falado no último post - se até ali não tinha me apropriado do magistério, me vendo naquela profissão, hoje, em fulgurações epifânicas, tive momentos felizes. seria feliz fazendo isso, gosto mesmo e é bom fazer o que se gosta, pronto. saber que os outros gostam do resultado daquilo que você faz e gosta também é bom.

pra não sucumbir ao pânico nervosismo, antes, fiz tudo devagar e organizei o quarto, e respirei, e saí, vi as coisas, as pessoas, vivi no presente (como não vivo agora); pensei que não queria ficar elocubrando e sim prestar atenção às coisas que aconteciam ao redor. foi muito presentificante.

no depois da aula, ainda no mesmo processo voltei pra casa, aí vi: "os fios do urucúia". acho que se não tivesse presente o dia inteiro, nunca teria prestado atenção àquela exposição que estava no meio do caminho. como ela deve ter estado há vários dias no meio do caminho e só hoje vi. conhecendo a palavra por causa dos sertões roseanos, senti uma palpitação: que lindo, o sertão veio pra beira do mar! se a montanha não vai ao sertão, o sertão vai à montanha! e veio. é claro que eu ia encontrar uma citação de rosa: encontrei. "o sertão é dentro da gente". e hoje ia sair com a camisa com outra citação: "pão ou pães é questão de opiniães". mas sujei de feijão, no almoço. feijão ou feijães, deixei em casa, troquei, mas rosa me encontrou depois!

15.10.10

tanta coisa... tudo!

eu não tenho muita certeza se sou/serei professora ou não, o meu compromisso é, efetivamente, com o âmago. seja pela música, teatro ou literatura.
mas... transmitir essa paixão, re-estabelecer alianças com o real, efetivar um compromisso com o seu próximo tendo como ponto de partida a arte...! é isso, sabe? parabéns pra nós todos. ninguém sabe mais que ninguém. o mestre - quando é mestre - aprende, ouve, cala.
“Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...”.

6.7.10

você já pensou que pudesse personificar, de verdade, uma fonte tipográfica?

e você entende o que eu quero dizer por "personificar"? http://www.mcsweeneys.net/links/monologues/15comicsans.html

e a silvana, pelo menos desde 2003, continua escrevendo provas com essa fonte. será que ela acha que dá maior leveza à necessidade de avaliação? peguei os testes do livro amar, verbo intransitivo, que ela fez, pra corrigir e eu não sabia a resposta da questão de múltipla escolha! (zero pra mim)

19.5.10

tudo dá certo quando dá errado

não ir fazer observação de aulas de ensino médio, parte do requisito para a prática de ensino de língua portuguesa e literaturas, faz maravilhas para a sua produtividade. graças a um atestado médico que me atestou a necessidade de parar de andar e ficar quieta de novo, por oito dias, falto sem culpa aulas de uma professora escolar criminosa, e consigo montar nesse cavalo do tempo, que vinha me atropelando e pisoteando a ferroadas, desde que o semestre começou. o problema é que recebi dois arquivos pra revisar pra ontem e não posso recusar de jeito nenhum, estou num momento topa tudo por dinheiro. (opa, quase tudo, hein...)

12.5.10

como tudo se transforma

tava eu na aula de didática, tendo seminário sobre paulo freire (clichê e escreve mal) e ppppppooooow, cai o mundo em chuva lá fora. daí a professora começou a fazer uma metáfora dizendo que "algumas questões estão exatamente como esta tarde, anuviadas," mas o tempo já tinha mudado. aí eu acreditei mesmo que tudo se transforma, e é possível a mudança social. se o tempo já tinha clareado, né?

então eu peguei um ônibus pra fora de lá, e quando estou ali no viaduto do frio-na-barriga da praia de botafogo - e já pensei em escrever sobre como é linda essa cidade e as paisagens pelas quais tenho passado todo dia... quando chega ali naquele meinho entre botafogo e flamengo é um desvelamento só; e quando tem feira? aquele cheiro de peixe, real - enquanto desço ali, no começo de botafogo, eu vejo, ó que maravilha: um arco-íris liiiiiindo arqueando um parêntesis no pão de açúcar. vou parar, pra não provocar síncopes nos meus colegas que não moram no rio, então eu digo: sabe o que eu pensei bem nessa hora?

primeiro, que ninguém tava vendo esse milagre da refração da luz. segundo: que adorno não serve pra ver arco-íris. pode servir pra muitas coisas (acho que não, mas em todo caso...), e pra ver arco-íris não serve.

10.5.10

agora que eu sobrevivi direitinho ao curso de bacharelado em letras, eu me sinto autorizada a influenciar todo mundo até que mudem de curso. outro dia, o namorado do taiguara, de enfermagem, vem me contar que assitiu a uma apresentação minha na faculdade, sobre clarice lispector. como se não bastasse, ele puxara uma matéria com maluh (ai, que vontade de completar com magalhães), a esposa do meu amado-idolatrado-salve-salve ronaldes de melo e souza.

desta feita, quero convencer o estudante de direito pedro cunha de que ele não está mais no século XIX, e agora poetas podem fazer faculdade de letras para lidar com a área de humanidades, não precisam ficar presos à tríade direito, medicina e engenharia, como outrora. [por outro lado, sinto que faculdadeletras formam uns seres medianamente letrados, com uma capacidade enorme de citar e uma subcapacidade de sentar pra ler coisas de cabo a rabo. não obstante, matam a verve criativa dos que uma vez quiseram ser autores porque se gasta muito tempo "aprendendo alemão pra ler hegel, husserl, pra entender sein und zeit, e então compreender derrida." meu cu!]

em tempo: euclides da cunha fez medicina (ooooh!) e lima barreto fez engenharia, alguma semelhança desse dado biográfico com o estilo que eles imprimem às narrativas?

8.5.10

por que buzinam tanto no meu ouvido?

eu estava errada, apareceram 6 meninas lindas e patricinhas interessadas em saber as características de três períodos literários, em plena 6a à tarde. me enrolei porque sempre quero combater tudo, então fiz uma introdução longa demais falando em como a divisão historiográfica da literatura é uma idiotice e pedindo a elas pra ler direitinho os textos antes de botar cegamente que o poema tem linguagem rebuscada ou procura o léxico da fala coloquial; que o romance é cientificista e diz que o meio justifica o homem etc.

no fim, meu dia (e vida profissional) foi ganho porque elas falaram que a aula foi muito boa, mesmo eu falando tudo com uma pressa a jato de dar aula de linguistica e literatura em uma hora.

depois me apaixonei por um metaleiro da aula de psicologia da educação (4a eu me apaixonei por um da aula da didática, são sempre os que fazem colocações sarcásticas, inteligentes e tem algum gosto parecido com o meu), que faz história junto com meu ex namorado.

voltando da terapia, uma menina falou pro motorista do ônibus, que nos levava - fatigados - pra casa, depois de uma semana exaustiva:

- para de buzinar!

e porra, o cara buzinava a cada 10 metros, eu não tô de brincadeira! e por QUALQUER motivo. comecei, de repente, a ouvir TODAS as buzinas de copacabana, fechei o augusto dos anjos, e constatei que as buzinas de copacabana são INTERMINÁVEIS.

cheguei em casa e nossa nova roomate está escutando um emo gospel enquanto eu ouço algo de mozart. tó ón legétai pollachós.

7.5.10

estou com saudade de me contar, de falar sobre meus sentimentos.

não exatamente preparei uma aula pra hoje, mas duvido que alguém apareça 6a à tarde pra tirar dúvida com a estagiária. sendo assim, parti pra ler sobre psicologia da educação, disciplina que preconiza a atenção ao que o aluno precisa. :P

(estou gostando do CPII, mas doida pra isso tudo acabar)

20.4.10

ai quiorgulho!

sou sortuda de ter uns amigos gênios tipo samuca. em seus últimos posts, ele tem brilhado que só na tarefa de cronicar suas andanças fazendo língua e linguagem covergirem para uma só forma artística: o post de blog.

O homem chega à lua e vocês não me fazem um computador onde eu possa ser livre para acentuar como quiser.

não. é que "toda" a minha "bagagem" crítica, formada em 5 anos de ufrj não dará conta de interpretá-lo e analisá-lo (e não sou psicanalista, graças a deus). sou virgem na crítica literária quando me põem ao lado de um bakhtin ou antonio candido, mas sei um pouco do que estou falando, em comparação aos blogs por aí.

falando em aiquiorgulho foi com esta alegria (#medeulogoumalegria) que silvana bayma, minha lindeloura professora de português do ensino médio "que me catapultou da posição de a-luna para a descoberta da luz que carrego em mim" me recebeu como estagiária do colégio pedro II, unidade escolar humaitá II. é que cheguei lá - de táxi, claro: atrasada - e posso dizer: me deu logo uma alegria porque senti a mesma - não sei se a mesma, mas muito parecida - energia de quando estudava lá. uns professores que foram meus ainda lá, ainda lembrando um pouco de mim. silvana plenamente consciente de que tem muito dela nimim, minha história se devendo muito a ela. me deu um pouco de vontade de chorar; não sei se conseguirei flutuar - me aprofundando - pelos assuntos, tão fluidamente como ela fazia. parecia que não tinha mesmo nenhuma aula planejada, mas os temas iam surgindo, brotando, naturalmente, e ela desenvolvia com paixão. e claro, que alegria que me deu quando ela disse que queria que a turma não ficasse "presa nessa questão da periodização literária". porque eu sei, desde épocas de pedro II que isso é uma idiotice que dá mó quebra-pau na academia. mas com que desenvoltura ela não me explica (a mim e à turma) que a historicização literária é apenas uma opção metodológica.

em suma, bom foi perceber que o discurso de idiotização do aluno de ensinos fundamental e médio, tão ratificado pela "acadimia", é um des-serviço que ela mesma presta. sim, porque somos "pesquisa, ensino e extensão" e não precisamos ficar tão umbigados nos nossos estudos, pre-concebendo que os outros não vão nos entender. como eu disse em um post anterior, isso é uma atitude um tanto quanto adolescente.

e os adolescentes...! não sei se era mérito pra professora de português, ministrando uma matéria favorita da turma - literatura do início do século XX -, mas estes seres pintados como endiabrados não o são, nem um pouco! até os "com-cara-de-bagunceiros" (deixa só os humanistas saberem desse post...) participavam e eram embevidos pela "força da palavra".

ser professor é um pouco como ser um hipnotizador.

8.4.10

o melhor da semana

um professor de literatura em uma universidade americana explica sua frustração sobre pós-adolescentes que não entendem o humor tragicômico em kafka.
sobre kafka, o melhor que ele tem a dizer no artigo é:

Kafka's funniness depends on
some kind of radical literalization of truths we
tend to treat as metaphorical.

na tentativa de psicologizar o humor desses alunos adolescentes, defende a tese de que a cultura americana é, sobretudo, adolescente. e um daqueles adolescentes que simplesmente não sabem lidar com o mundo real, e, frente a isso, recorre sempre a meias-palavras, querendo revidar: you just don't get ME.

Since adolescence is pretty much acknowledged
to be the single most stressful and frightening period of human
development (...) it's not difficult
to see why we as a culture are so susceptible to art and entertainment
whose primary function is to "escape." Jokes
are a kind of art, and since most of us Americans come to
art essentiallyto forget ourselves-to pretendfor a while that
we're not mice and all walls are parallel and the cat can be
outrun (...).