de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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27.8.11

Mas que mundo mais vagabundo é esse?

Esse Mercúrio retrógrado anda fazendo muita lambança na vida de todo mundo. De modo que não tá fácil pra geral.

Que mundo mais vagabundo, tem diferença entre pegar um ônibus num dia de semana - o 485, de qualquer maneira, não para nas quebradas, só quando calha de ter um sinal vermelho e ele ser obrigado - e num sábado ensolarado.

Na verdade o sábado não estava ensolarado, tava aquele lusco-fusco com o qual estamos acostumados: às vezes chove, às vezes abre tudo, como se nada tivesse acontecendo.
Ao chegar no meu bairro, só olhando em direção da minha casa é que o céu estava preto, o resto estava azul. Parece mesmo utopia: é só adiante que está o negrume.

Me recuso a sucumbir. Mas também me recuso a escrever ou ler sobre o tema da minha dissertação. Eu já estou pagando por essa vadiagem. Nada a ver com isso, mas ontem eu paguei dez reais pra ver aquele filme Árvore da Vida. Cheguei atrasada, sentei na primeira fileira. Só tinha começado há muito pouco. 3 minutos de projeção e eu já comecei a chorar. Senti que não ia aguentar e fui embora 7 minutos depois. Fiquei ali parada na porta do banheiro pra decidir se ia voltar ou não. Não voltei. Depois que a fila da plateia do filme que estava pra começar na sala ao lado passou, eu saí definitivamente da área de quem paga ingresso. Faltavam alguns minutos pra fechar a livraria, e eu tinha decidido esperar o fim do Árvore da Vida pra ver meus amigos que tinham me convidado. Comprei um livro que já tinha namorado lá nessa mesma loja, pra passar o tempo. Sentei no café. Não aguentei de novo. Fiquei com a cabeça entre as mãos pra ver se eu conseguia me decidir sobre o que fazer. Não me decidi, mas quis ir embora dali. Perdi um ônibus pra minha casa. Estava chovendo e eu me senti um cachorro molhado sendo segurado pelo cangote, pra ver se eu era de raça. Mas eu não sou de raça. Fiquei amando sozinha e pedindo perdão. Amo a parte que me segura pelo cangote e a parte que é amparada na chuva sem saber o que faz. O amor solitário tem dessas coisas: ele se desdobra todo. Passou um ônibus para Triagem. Nesse eu entrei. Entraram atrás de mim dois suspeitos por porte ilegal de absolutamente nada. Não acredito em Deus, e, não sabendo a quem orar, pedi a uma amiga muito espiritualizada que me ajudasse. Ela ajudou. No ponto seguinte ao meu pedido, os suspeitos desembarcaram. Cheguei ao meu destino sem saber muito como. Vi na rua, durante a chuva, um cãozinho molhado sendo agarrado pelo pescoço. Penso: coitado do cãozinho molhado. Eu sou um cachorro molhado.