de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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25.7.10

o homem que diz "dou" não dá.

acho que sei por que não tô sintonizando muito com esse ensaio que tô fazendo. acho que até agora só fiz trabalho sobre "belos sentimentos". agora que eu peguei um livro - meio expressionista, diga-se, pela manifestação de elementos angustiosos - de indiferença, medo, escolhas existenciais, assassinato, prisão e exclusão sinto essa impossibilidade de escrever. é impossível escrever, porque "nem só de belos sentimentos é feita a literatura", como diria gide.

isso já me aconteceu antes: quando tinha de escrever sobre ensaio sobre a cegueira, anos antes, não fiz o trabalho - parcialmente porque estava num momento depressivo em que não conseguia concretizar nada, só ficar boiando no não-feito e na "vida que poderia ter sido e que não foi". a cegueira é um livro sobre essa imobilidade, sobre a incapacidade de reter as coisas a partir do real do mesmo jeito a que somos acostumados. a criatividade deve, então, se abrir - eu devia arranjar um outro jeito de me aproximar daquele texto que era tão isomórfico com a minha situação real. li o camus, e sou tão meursault que eu não me importo realmente com as questões que são abordadas racionalisticamente - como num romance de tese - em o estrangeiro. como transpor isto?

o que é a indiferença? o que é ser moral? o que é a relação com o outro? meu gosto para a literatura é uma coisa, admito, muito umbiguista (é confissão entre um eu e um logos).

sabia que o rafa já tinha escrito um texto sobre o camus e fui lá procurar. era sobre a peste, mas tem tudo a ver com a minha procura fundamental por coisas unidas - e não partidas, como o sofrimento - na arte:

"chega sempre uma hora em que nos cansamos das prisões, do trabalho e da coragem, para reclamar o rosto de um ser e o coração maravilhoso da ternura”.

a questão é que não quero fazer da arte, e dos meus ensaios inspirados por ela, um escape, uma concepção exclusivista da beleza e da unidade, mas uma solução para encontrar essa metade de mim que fica perdida por aí.

12.5.10

como tudo se transforma

tava eu na aula de didática, tendo seminário sobre paulo freire (clichê e escreve mal) e ppppppooooow, cai o mundo em chuva lá fora. daí a professora começou a fazer uma metáfora dizendo que "algumas questões estão exatamente como esta tarde, anuviadas," mas o tempo já tinha mudado. aí eu acreditei mesmo que tudo se transforma, e é possível a mudança social. se o tempo já tinha clareado, né?

então eu peguei um ônibus pra fora de lá, e quando estou ali no viaduto do frio-na-barriga da praia de botafogo - e já pensei em escrever sobre como é linda essa cidade e as paisagens pelas quais tenho passado todo dia... quando chega ali naquele meinho entre botafogo e flamengo é um desvelamento só; e quando tem feira? aquele cheiro de peixe, real - enquanto desço ali, no começo de botafogo, eu vejo, ó que maravilha: um arco-íris liiiiiindo arqueando um parêntesis no pão de açúcar. vou parar, pra não provocar síncopes nos meus colegas que não moram no rio, então eu digo: sabe o que eu pensei bem nessa hora?

primeiro, que ninguém tava vendo esse milagre da refração da luz. segundo: que adorno não serve pra ver arco-íris. pode servir pra muitas coisas (acho que não, mas em todo caso...), e pra ver arco-íris não serve.

8.12.08

vida loka vida

já estou me sentindo de férias. era pra acabar tudo hoje, mas como só falta a monografia do meu curso preferido e uma prova de monitoria, todo esforço acadêmico que eu fizer será pura diversão...

gente, que gás que estou! compensou ter estado lesa pela metade do ano! :)

o fundão já tava parecendo um resort - aqueles campos são feitos pra um circuito de golf - nesse soleil. verãozão, tudo vazio, só restaram umas pessoas, já desestressadas com o fim do período, colhendo os seus frutos.

acho que vou até dispensar a terapia essa semana, depois de uma sessão de hora e meia com a cinda - minha orientadora que SUPEROU a psicanálise.

daí cheguei em casa e comecei a preparar minha monografia de final-de-curso da letras, vai ser uma coisa bem infância, de manoel de barros...

nasceu uma escritora!

15.11.08

deus fez o mundo em sete dias porque não tinha ninguém enchendo o saco, perguntando quando ia ficar pronto.

eis que eu voltei antes do que esperava.
mas é que tô numa segunda lua-de-mel com sophia, aí vim aqui pesquisar umas coisas e tal.
e deixar aqui estas anotações:
vocês sabem dos meus preconceitos com essa gente de letras que tenta escrever literatura. tudo é vanguarda-envelhecida. é muito autoconsciente, no pior dos sentidos, sempre tentando ser genial. desconstruir tudo até não sobrar fiapo. não é que nem o rosa que só pode inovar tudo o que inovou porque tinha uma narrativa que é uma historinha muito bem amarrada e perfeita, com encadeamentos. ninguém é como rosa, né? parei. acho o rosa maior que o machado de assis, que a clarice lispector, que todos.