É de se imaginar que a tarefa de arrumar um apartamento de uma senhora que morre aos 89 anos, depois de morar durante 30 anos nesse lugar, seria enfadonho. As herdeiras eram para tar se matando. Brigando pelas coisas, pelas pratarias, pelo apartamento. Vão pôr pra alugar o imóvel. Muitos cacarecos. Mas não, elas estão se divertindo à pampa.
de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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8.8.11
17.2.10
mais uma da vizinha maluca: ela e a filha, 90 e 70 anos, respectivamente, começaram a berrar e se estapear, como de costume, e aí uma delas começou a gritar: socorro, socorro!
depois de um tempo a velha começa a pedir ajuda, batendo em todas as portas do andar e tentando abri-las. pavor total. dizia ela que a filha tava doente e eu aqui pensando que ela tinha assassinado a pobre. não tive coragem de ajudar nada. fingi que não estava. isso vai formar um carma pra mim?
depois de um tempo a velha começa a pedir ajuda, batendo em todas as portas do andar e tentando abri-las. pavor total. dizia ela que a filha tava doente e eu aqui pensando que ela tinha assassinado a pobre. não tive coragem de ajudar nada. fingi que não estava. isso vai formar um carma pra mim?
11.2.10
to do list
tô com uma mania, desde que me mudei, que faz com que eu faça listas de tarefas e cole na parede, bem na frente do meu computador, que é pra eu me sentir mais no controle da minha vida e das minhas coisas mundanas, sei lá.
a primeira lista foi bem produtiva, consegui ter um aproveitamento bom dos afazeres - que incluíam mandar scraps a pessoas legais, tocar violão e "have a nice day :)". a segunda lista, feita ontem - depois de a minha agenda ter se lotado de letras e números e e-mails e pedaços de poemas que estou fazendo - ficou a manhã inteira me assombrando, porque eu não conseguia priorizar e nem resolver se ia fazer as coisas fora de casa ou não. porque, vamos combinar, está uma merda sair nesse calor saariano, nisso aí todos nós cariocas concordamos.
não escrevi nenhum auto-bilhete alegrinho, como fiz na primeira lista, no estilo e-mails que samuca se escreve, assinando: "beijos, arrasa, samuca". talvez isso tenha ajudado a me causar terror. isso e o fato de a maioria dos afazeres exigirem uma intervenção de terceiros que me confundia e me fazia não saber por onde começar. por exemplo: pra marcar hora no dentista, minha mãe tinha que me dar o telefone; pra pedir meu riocard do metrô, preciso de um laudo da fisioterapeuta e outro de um posto médico; pra ir ao infocentro, precisa... vocês entenderam.
então, depois de botar a roupa pra lavar e fazer um hambúrguer de soja - esse sim, molhadinho, gostoso - resolvi ligar pro pai da minha irmã (que não é meu pai nem padrasto, é complicado), que é otorrino, e marcar uma hora com ele. desde que voltei de friburgo, tendo passado horas naquela piscina sensacional, mergulhando, plantando bananeira e boiando, tô com uma dorzinha chata no ouvido. daí, pimba, consegui que ele me encaixasse, fui lá na saens peña (ô, nome mais inadequado praquele lugar chinfrim!) e ele me receitou colírio pra pingar no ouvido (!).
daí, mudando de ares, andando pra lá e pra cá de metrô, entrando em farmácias tijucanas, consegui dar vazão ao meu estresse e ansiedade, pensei em quarenta coisas pra postar, parece que tudo me encantava, na rua. botei o ipod pra tocar no shuffle e ele me ofereceu uma setlist supimpa: ;'diamante verdadeiro" (por maribeth, versão "álibi"), "muito romântico", "o mundo é grande/quadrinha/cirandas" (termina com "nós queremos navegar, aiá") e "marinheiro só" (por caetano, versão de 1969). isso tudo porque queria ouvir "álibi", cujo trecho inicial rafa me mandou por mensagem:
e ainda: essa coisa de fila em farmácia é um perigo. só esperando, inocentemente, comprei um esmalte vermelhaço (chama-se "toque de ira") e umas gillettes (adoro!).
sssh tsááá.
a primeira lista foi bem produtiva, consegui ter um aproveitamento bom dos afazeres - que incluíam mandar scraps a pessoas legais, tocar violão e "have a nice day :)". a segunda lista, feita ontem - depois de a minha agenda ter se lotado de letras e números e e-mails e pedaços de poemas que estou fazendo - ficou a manhã inteira me assombrando, porque eu não conseguia priorizar e nem resolver se ia fazer as coisas fora de casa ou não. porque, vamos combinar, está uma merda sair nesse calor saariano, nisso aí todos nós cariocas concordamos.
não escrevi nenhum auto-bilhete alegrinho, como fiz na primeira lista, no estilo e-mails que samuca se escreve, assinando: "beijos, arrasa, samuca". talvez isso tenha ajudado a me causar terror. isso e o fato de a maioria dos afazeres exigirem uma intervenção de terceiros que me confundia e me fazia não saber por onde começar. por exemplo: pra marcar hora no dentista, minha mãe tinha que me dar o telefone; pra pedir meu riocard do metrô, preciso de um laudo da fisioterapeuta e outro de um posto médico; pra ir ao infocentro, precisa... vocês entenderam.
então, depois de botar a roupa pra lavar e fazer um hambúrguer de soja - esse sim, molhadinho, gostoso - resolvi ligar pro pai da minha irmã (que não é meu pai nem padrasto, é complicado), que é otorrino, e marcar uma hora com ele. desde que voltei de friburgo, tendo passado horas naquela piscina sensacional, mergulhando, plantando bananeira e boiando, tô com uma dorzinha chata no ouvido. daí, pimba, consegui que ele me encaixasse, fui lá na saens peña (ô, nome mais inadequado praquele lugar chinfrim!) e ele me receitou colírio pra pingar no ouvido (!).
daí, mudando de ares, andando pra lá e pra cá de metrô, entrando em farmácias tijucanas, consegui dar vazão ao meu estresse e ansiedade, pensei em quarenta coisas pra postar, parece que tudo me encantava, na rua. botei o ipod pra tocar no shuffle e ele me ofereceu uma setlist supimpa: ;'diamante verdadeiro" (por maribeth, versão "álibi"), "muito romântico", "o mundo é grande/quadrinha/cirandas" (termina com "nós queremos navegar, aiá") e "marinheiro só" (por caetano, versão de 1969). isso tudo porque queria ouvir "álibi", cujo trecho inicial rafa me mandou por mensagem:
havia
mais que um desejo
a força do beijo
por mais que vadia
não sacia mais
(...)
mas a gente atura e até
se mostra feliz
e ainda: essa coisa de fila em farmácia é um perigo. só esperando, inocentemente, comprei um esmalte vermelhaço (chama-se "toque de ira") e umas gillettes (adoro!).
sssh tsááá.
descobertas
meu prédio tem um cheiro específico, sabe, um cheiro que se encaixa em algum lugar entre mofo e casa de velha-dos-gatos, mas tenho medo de que eu não possa mais identificá-lo depois de morar aqui muito tempo.
depois de 23 anos meus e 56 de minha mãe, descobrimos que em restaurante onde o must do cardápio é hambúrguer, não se deve comer vegetarianamente. casa de ferreiro, espeto de ferro, mesmo. no joe & leo's não sabem fazer salada, quem diria? não devem nem lavar alface direito, só em punição por você não comer cadáveres de vaca. pedi um hambúrguer feito de lentilha, cenoura, abobrinha, linhaça e coisas assim, acompanhado de salada verde e batata rostïe. parece uma ótima combinação, não é? péééén. errado! parece que você tá pastando em vidas secas, parece que você tá comendo papel. a comida não tem um pingo de molho! não tem nada na preparação que seja molhadinho, você engole tudo esturricadamente. e nem pra ter refil de refrigerante, como é de praxe nessas casas que macaqueiam o modo se ser americano...
depois de muito relutar com a profissão de professora - que parecia caminho-único para quem fazia letras -, foi vendo a onda que atinei que devia tentar mesmo pegar uma turma de monstrinhos... foi uma cena específica: a do professor lendo redações sobre o experimento. alguma coisa no papel almaço - unificado - e nas letras e cores de caneta - diversificadas - me chamou atenção. acho que quero ver essas diferente letras, sobre um mesmo tema, relatando algo importante da vida de alguém. alguma coisa de uno e diverso deve se manter. como a vida, um microcosmo de macrocosmo. e posso sair dessa umbigação que é só eu escrever, só os meus colegas de trabalho escreverem. posso compartilhar, posso realmente ajudar e ver as pessoas conseguirem se expressar de modo satisfatório (pra elas).
depois de 23 anos meus e 56 de minha mãe, descobrimos que em restaurante onde o must do cardápio é hambúrguer, não se deve comer vegetarianamente. casa de ferreiro, espeto de ferro, mesmo. no joe & leo's não sabem fazer salada, quem diria? não devem nem lavar alface direito, só em punição por você não comer cadáveres de vaca. pedi um hambúrguer feito de lentilha, cenoura, abobrinha, linhaça e coisas assim, acompanhado de salada verde e batata rostïe. parece uma ótima combinação, não é? péééén. errado! parece que você tá pastando em vidas secas, parece que você tá comendo papel. a comida não tem um pingo de molho! não tem nada na preparação que seja molhadinho, você engole tudo esturricadamente. e nem pra ter refil de refrigerante, como é de praxe nessas casas que macaqueiam o modo se ser americano...
depois de muito relutar com a profissão de professora - que parecia caminho-único para quem fazia letras -, foi vendo a onda que atinei que devia tentar mesmo pegar uma turma de monstrinhos... foi uma cena específica: a do professor lendo redações sobre o experimento. alguma coisa no papel almaço - unificado - e nas letras e cores de caneta - diversificadas - me chamou atenção. acho que quero ver essas diferente letras, sobre um mesmo tema, relatando algo importante da vida de alguém. alguma coisa de uno e diverso deve se manter. como a vida, um microcosmo de macrocosmo. e posso sair dessa umbigação que é só eu escrever, só os meus colegas de trabalho escreverem. posso compartilhar, posso realmente ajudar e ver as pessoas conseguirem se expressar de modo satisfatório (pra elas).
22.1.10
19.1.10
dia de comoções: o arroz com cogumelos ficou melhor que o de ontem (fruto dos temperos), bate uma brisa inacreditavelmente gostosa pela minha janela, o armário das casas bahia chegou (e ainda está desmontado) e minha centrífuga não me assassinou (mas ainda é chata de limpar). pluguei um cabo aqui no lek tok e, depois de muito esforço - internet, aqui estou!
só falta eu comprar coisas vegan no grão integral e passar no mocinho que consertou o computador, pra que ele faça voltarem a funcionar o som e a fúria!
só falta eu comprar coisas vegan no grão integral e passar no mocinho que consertou o computador, pra que ele faça voltarem a funcionar o som e a fúria!
estou doida pra ver o mashup que o samuca publicou no twitter: depois de beatallica e methânia, bethork promete.
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