estive pensando naquelas frases à laia de: "alguém que vi de passagem/ numa cidade estrangeira" e "first he loved my accent/ how his knees would bend", num daqueles dias em que a gente passa por 4 cidades num espaço de 24 horas. (and i haven't been drinking).
... but i wonder why i've not been writing.
é um daqueles momentos em que esqueci o caderno, e no CADERNO tudo me sairia mais claro, mais preciso, talvez porque teria mais tempo pra pensar entre as letras cursivas.
e já que não é assim, em verdade vos digo: se ouvir com um fone bacana esse vídeo acima, dá pra ouvir o movimento das teclas da nina. elas entram em mais profundo contato com o meu bater de teclas de computador, que já não marcam a fluidez dos compassos dos papéis manuscritos.
eu vou passar uns 15 dias em lisboa no fim desse ano tão incrível e vejo se assim esqueço do meu amor abortado. só quero é estar apaixonada de novo. francamente.
são os meu dois assuntos mais abordados ultimamente.
cada um tem a lage que merece:
pois é, andava com preguiça eterna de cozinhar. ontem fiz compras depois da aula e carreguei tudo na mochila, junto dos livros, não queria nem saber de carregar saco plástico. aí hoje eu fiz um chilli out-of-the-box. era tirar tudo dos enlatados pré-prontos e ser feliz. até que ficou bom, mas meio anêmico, porque escolhi uns ingredientes verdes/amarelos e não vermelhos e marrons.
me lembra um verso do damien, de uma música que ouvi muito na vida, "i just hang around and eat from a can".
quem vai gostar dessa notícia e talvez dizer "eu não te disse" é o samuca, meu amigo quase onipresente virtualmente no blog. gostei dessa história de
Nem o prego aguenta mais/ O peso desse relógio
de modo que outro dia nós estávamos lembrando dessa música linda do gil, que eu até já postei aqui, mas acho que nessa versão ex-discum (ex latino, atenção - para fora de) ele tá com nariz entupido:
hoje passei o dia como samuca. dormi até as 5 e os planos foram desmarcados (mas não estou chateada, porque o sono está eterno).
no meio do meu sonho daqueles de sofá, em que a diadorim se enrola no meu pescoço e cabelo e começa a ronronar, se misturando com a música que tá tocando, começaram a vir na minha cabeça uns versos de tulipa com uma pequena alteração "vou dormir mais um pouquinho/ para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo". e não era isso que tava tocando no rádio antes, mas cat power. só que o bip recorrente da mensagem de texto tocava em outro quarto e eu tinha que ir atender.
tulipa ruiz apareceu pra mim pela primeira vez por meio de daniel, um menino que - mal sabendo falar - canta uma versão cativante do hit efêderas:
depois procurei o original, achei bonitinho, mas não me encantoooooooou, assim. achei que fosse um daqueles lances com selo PUC de qualidade, uma daquelas vozezinhas com tudo no lugar, que aparecem aos montes por aí. não sei se já tinha "banda mais bonita da cidade", mas seria, no meu juízo, algo próximo daquela "estética da fofura" que tanto me assusta.
meses depois eu gostei mesmo foi do revival que ela deu no "da maior importância", uma letra caetânica que caía como uma luva no meu "pequeno momento puro de amor" e que eu nunca conseguiria cantar.
da terceira vez, não vi mais nada: foi no show, ao vivão, e eu descobri que ela é pirada, e faz umas loucuras com a voz, além de se divertir muito no palco. foi aí que ela me venceu. conversando com o público, ela diz que a menina que chegou às 20h no local viajou um pouquinho na maionese; a versão de "da maior importância" leva uns 10 minutos com direito a término com ela rolando no chão; o pai dela, que faz a guitarra do show, tem uma cara de pai roqueirão professor da escola do rock, decadente, que se diverte com os jovens. um prato cheio.
falando em prato, da primeira vez, agora, que eu ouvi o disco dela inteiro foi fazendo um arroz. o arroz era assim, daqueles cheio das sementes e variedades fíbricas. muito bem, botei cenoura, pimentão vermelho, abobrinha, espinafre - que fui à feira cedo pra comprar - e linhaça. nessa ordem. depois entrei em pânico que faltava botar o espinafre mas a água tinha secado. taquei um vinho branco, daqueles que usam em risotos metidos. botei mais água, ficou aguado, aumentei o fogo - grande potencial de dar merda. eu já tinha pensado nisso enquanto tava mexendo: acho que quando vocês forem fazer em casa, pode abrir mão de um ou dois ingredientes. eu, por exemplo, nem ia botar a cenoura, mas vi só um pedacinho na geladeira, achei que ia estragar, então já era.
para beber, fiz uma mistura de tudo quanto é mandinga que falam que é bom pra tosse (menos xarope): maçã, gengibre e mel.
tempo de preparo: 2 tulipas ruizes
31.5.12
eu adoro a expressão que a internet achou para esses códigos que a gente usa pra postar num blog esse quadradinho de vídeo: embed, que significa "pôr na cama". queria pôr o tom na cama, mas não pra fazer safadeza, pra ninar mesmo. entende?
gente, diz o meu amigo Branco que se a gente tivesse o mesmo apego por caderno que a maribeth, já teríamos 3 dissertações prontas. eu concordo.
eu chorei o dia inteiro, minha cara ficou até cansada. aí me deu logo uma alegria me deparar com esse vídeo, ao que eu pude dar uma gargalhada do tamanho do bonde que tava entalado na minha garganta. fiquei aqui em casa que nem uã louca falando CADERNO CADERNO CADERNO CADERNO, como naquele programa da tv dizem "ronaldo".
hoje minha orientadora me veio com uma história ótima, que eu avisei que ia contar pra todo mundo: ela tava numa fila de uma gráfica, aí veio uma moça e falou:
- nossa, como ela é parecida com a bethânia!
e depois de alguns minutos ela disse assim:
- então a senhora me faz um favor? já que eu nunca vou encontrar com essa mulher, me dá um autógrafo?
não adiantou explicar que ela taria cometendo falsidade ideológica, a moça queria um autógrafo. fiquei aqui torcendo pra que um dia a moça veja a bethânia bem de perto... espero que ela dê um caderno.
acordei com essa música na cabeça, fiz meu breakfast e vim procurá-la enquanto comia: é uma delícia ouvir isso aí de manhã. sei muito bem que samuca se viciou na ruiz (na raiz da ruiz) e foi da maior importância eu ter topado com esse vídeo antes da versão da gal, pra ter a chance de de repente ele não ter visto ainda e se maravilhar. adorei a interpretação, tem umas coisas debochadas - imprimidas naquela voz preguiçosa que a gente faz quando não quer articular as palavras. a verdade é que eu fiquei presa nesse círculo de otário, gal bethânia elis clara, e tenho o maior preconceito com cantoras mais jovens da êmepêbê - quando na verdade é mentira: eu só ouço mesmo bethânia e até pra ouvir a gal levou um tempão, mas gostei do que vi. a mesma coisa pra clara nunes: que feeling, meodeus. mas gostei dessa tulipa, sim (e que nome de pais hippies, nem sei se é o nome dela de verdade - evocou essa coisa de pseudo-flautista-pseudo-militante-pseudo-pobre-que-mora-em-santa-teresa de que o povo anda falando tanto mal... [e que na verdade acho isso um papo de otário, num sei quê lá]).
e olha que o vídeo é produzido pela veja - ou seja, namorada de comunista não pode nem pensar em.
eu minto muito (mas minha voz não mente): na verdade eu acordei com lovesick blues, nessa versão deliciosa em que a norah jones finge que é fancha e canta pra uma mulher - quando a versão standard pras mulheres (patsy cline etc) é cantar HE e não SHE, GUY, e não GAL. mas a música da tulipa fez muito melhor pra mim do que ouvir "lovesick". talvez isso queira dizer que eu já superei certas coisas a respeito de abandono, já tô no esfriamento irônico e não tô "sittin' here feeling sorry for myself". pois, acordei com "lovesick" na cabeça e tinha sonhado com alturas. era eu passeando sozinha num metrô ETERNO na itália (acho que era roma, que não conheci), tentando chegar num museu no meio do nada. mas eu tinha dormido no meio da viagem e chegado ao fim da linha, daí fui perguntar pra um italiano com cara de tarado - falando um italiano totalmente cagado pra misturar com inglês - como é que chegava na estação tal. ele ficou pensando, pensando e decidiu que no fim o trajeto que ele tinha sugerido ia tomar tempo demais, que era pra eu perguntar no guichê da estação final em que a gente ia descer.
no guichê já cheguei direto falando inglês, tentando me fazer entender, e aí a mulher foi checar as informações alhures, chamou um outro cara pra me explicar - e eles falavam português de portugal entre si. quando eu descobri que falavam português ficou tudo mais fácil, mas a sensação geral era que eles queriam ficar me prendendo ali e não me ensinando porra nenhuma, e eu não sabia como sair - ou seja, me prendia àquele lugar, de qualquer forma. no meio da espera, recebia um sms da isis com uma mensagem carinhosa e embaixo uma cifra de uma música que fale da nossa situação, mas dizendo que me queria. e enquanto isso eu achava que todos queriam ficar comigo, e davam em cima de mim.
era só sair da estação de metrô que tinha um lugar com piscina bacana e vazio, e só os locais frequentavam-no. eu fiquei just chillin' lá e acordei (com a música na cabeça).
por exemplo, morar com o jun tem me feito um bem que é o seguinte: ele compra as coisas de modo que eu não preciso comprar. ele trouxe essa semana aquela "trip" temática de diversidade sexual, que eu tinha curtido, já, nas internets. tem uma matéria sobre uma amoreba (adorei o nome), uma comunidade (citadina) de gente que se ama tudo junto, num novo modelo de relacionamento. fiquei com vontade de conhecer - e se eu levasse mais um pouquinho de tempo não tendo encontrado o amor, eu ia querer morar lá com eles.
e aí tem a vantagem de a gente ler algumas outras revistas, coisa que desde o fim da minha assinatura de "piauí" eu não fazia. um pouco entre besteira e coisa séria, é uma sensação de estar fazendo mais do que lendo aqueles horóscopos errados que saem. e a gente fica naquela de perguntar o meu signo, escorpião sagitário, num sei quê lá o tempo todo, quando na verdade não tem signo nenhum que explique o por quê de a gente ser tão cagado assim.
o que eu ia falar de blog que não tem nada a ver com isso tudo acima: estive pensando num grupo muito restrito, geracional, que somos eu e dois amigos que ainda escrevem em blogs. não é pouca coisa, se a gente pensar que as redes sociais tão aí e tudo evolui paulatinamente para o grunhido, como diz o saramago. a gente fala cada vez menos, mas fala o tempo todo no twitter e facebook. e nada gera o devido tempo de reflexão, é reblogagem e repetição o tempo inteiro - que também tem as suas vantagens, eu admito: senão não tinha contas nesses lugares e também no tumblr. mas o fato de a gente sempre voltar ao blog, ao nosso moleskine que seja - onde eu tenho escrito as coisas mais interessantes dentre as que tenho escrito - quer dizer alguma coisa (que ainda não sei o que é). mas o motivo dessa minha abertura de tópico foi, nomeadamente, os blogs de samuca - que acompanho desde 2001, vão 10 anos, e de rafa, que leio desde 2006. o que faz a gente continuar sendo interlocutor um do outro depois de tantos anos? e postar coisas parecidas, mas diferentes, fazendo referências um ao outro? e um traduzir o outro tão frequentemente?
é uma modalidade contemporânea dos grupos e revistas literários, de repente - ou, mais modestamente, aquela coisa de que a clarice fala, às vezes, sobre pertencer:
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz
parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de
pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me
viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. (...)
sinto-me no entanto feliz de pertencer à literatura brasileira. Não, não é por orgulho, nem por ambição. Sou feliz de pertencer à literatura brasileira por motivos que nada têm a ver com literatura, pois nem ao menos sou uma literata ou uma intelectual. Feliz apenas por "fazer parte".
(in: A descoberta do mundo. crônica de 15 de junho de 1968)
preciso de um novo objetivo - que não seja terminar, pela segunda vez, uma revisão de um livro sobre o john lennon -, porque senão nunca vou viver de manhã em portugal. despertadores não adiantam, eu só levanto à uma!
enquanto digito, só penso numa coisa: que eu seja uma pianista e os acentos sejam os acidentes das escalas...
um livro que não dá pra parar de ler: bolor, do genial-overrated augusto abelaira. tem cada passagem bonita com aquele ar contemporâneo de insatisfação burguesa... no brasil estamos atrasados! e conhecendo os lugares pelos quais os personagens passam... vêm jantar, romanticamente, aqui na praia de carcavelos, que é um areal que não tem mais fim.
E os mirantes do bairro alto, as vistas presse rio que não é rio -imagens.
mesmo quando tou em casa, portugal continua a ser giro.
22.9.09
maioria das vezes adoro as recomendações do youtube pra mim na página inicial. maria bethânia não sai de lá e é sempre inaugural. eu até esqueço o que fui procurar e fico vendo os vídeos recomendados. mas hoje eles jogaram lá um comercial antidrogas que alertava pros efeitos da meth com uma menina que era mistura de gollum e carrie, a estranha.
me metheu mais medo do que a lady gaga semana passada.
estou ficando muito boba ou esse mundo tá muito scary?