de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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7.11.12

tudo métrica e rima e nunca dor

meu melhor amigo mudou de blog (não sei se pode divulgar ainda) e eu não sei por que diabo insisto (nessa profissão) em ter esse desde 2005 (quando comecei a ser lésbica).

[cito isto: [ou "cisto"] BUARQUE, Chico]

mas então vim no ônibus depois da yoga (quando vem mais daqueles pensamentos mais crus, puríssimos, ingênuos e sem filtro) pensando que eu devia mesmo postar mais, como se a crítica viesse me cobrar: fernanda não escreve mais, deve estar muito ocupada vivendo. (tinha guardado um post-velório aqui, missa de primeiro ano de morte, mas ainda bem que o dia passou e eu não posso render homenagem a uma coisa dessa)

então não ia ser sobre isso o post (li esses dias que falar de amor está fora de moda, o que pega bem é ser metalinguístico), mas se eu pudesse eu continuava o mesmo blog desde 2001. era nanda_b2.blogspot.com, salvo engano, até o dia em que sem querer, sem saber o que estava fazendo, apaguei os primeiríssimos posts, que dava tudo pra reler, até minha coleção de discos do roberto.

vamos a sobre o que era o post, esperando o ônibus por eternos 6 ou 8 minutos na maior friaca molhada, fiquei que nem uma doida cantando notas graves - começou com o mantra final da sessão, virou "black is the color of my true love's hair", e, como meu true love desse último mês tem cabelo preto e olhos verdes, aquilo logo virou "morena dos olhos d'água", e é um abuso eu aqui nesse frio e nesse exílio evocar chico buarque, a uma hora dessas, entende? (da onda chico verde)

sempre que eu fico que nem uma doida testando os meus graves, que eu sempre acho muito mais bonitos (além de serem discretos) que os agudos, penso num vídeo (que não consigo achar) em que a gal conta que, em criança, pegava uma panela, ia pro banheiro, botava aquilo na cara e ficava testando a acústica e os sons que a boca dela emitia. é assim, sabe? artista é isso. ponto.

encerrarei com um poema do manuel antónio pina, poeta português falecido há umas semanas. não conhecia nadica dele até ir a uma leitura em sua homenagem, hoje à tarde, e achei esse fato um absurdo:

 A poesia vai acabar,
 os poetas vão ser colocados em lugares mais úteis.
 Por exemplo, observadores de pássaros
 (enquanto os pássaros não
 acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
 entrar numa repartição pública.
 Um senhor míope atendia devagar
 ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
 poeta por este senhor?» E a pergunta
 afligiu-me tanto por dentro e por fora
 da cabeça que tive que voltar a ler
 toda a poesia desde o princípio do mundo.
 Uma pergunta numa cabeça.
 — Como uma coroa de espinhos:

 estão todos a ver onde o autor quer chegar? 

23.9.11

mas tinha que respirar

todo dia.


12.4.10

estou muito bem! quem me mandou parar de meditar? isso é essencial pra minha vida caminhar direito.
meditação me põe em frente com meus terrores emocionais e psíquicos. yoga me põe em frente com meus terrores físicos. e me sinto um serumano!

as coisas mais engraçadas são as que passam e vão na minha cabeça - arriving and passing away - no durante... estive numa onda de acumular muito ressentimento por aí, agora acho que tá na hora de apertar a descarga!

felicidade a todos, principalmente aos que eu julguei, fiquei de mal, fiquei de bico, quis matar, quis bater... AMÉM!

saddhu
saddhu
saddhu

ps: obrigada pela notícia de que ia virar monge, querido. eu cantei a pedra. :)

20.2.09

queer matters

eu tenho a ligeira impressão de que meus amigos estão tentando me arranjar uma parceira. depois de anos PEDINDO pra eles me arranjarem um par, agora eles fazem isso até inconscientemente. acho que cheguei na idade em que preciso acompanhar meus amigos com uma dupla. e estou até querendo isso, sério. mas, segundo a frô, não sou casável. abre-se a enquete:

- eu sou casável?

[ ] sim

[ ] não

de repente, em algum lugar entre como eu me mostro e como quero ser vista, eu tô deixando escapar uma vibe "não sou de ninguém". isso me levou a acreditar que meu destino é ser monja. outra enquete:

devo virar uma meditadora vipassana-full-time?

[ ] sim

[ ] não

de modo que talvez eu não seja, mesmo, de ninguém, seja de todo mundo, sirva pra fazer suíngue enquanto a galera fica se enfiando em um casamento após o outro... talvez eu seja aquela que - como pararraio (aê reforma!) de maluco - fica com a parte rebounce dos relacionamentos, só pegando quem tá na merda logo depois de terminar um relacionamento traumático, enquanto eles não tão preparados para, e nem querendo, namorar de novo.

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enquanto isso...

dois de meus grandes amigos acabam de protagonizar a primeira união civil gay dentre pessoas que conheço. eles queriam, mesmo, era casar no dia em que começaram a ficar, dia de são valentim - 14 de fevereiro. e a califórnia comemorava o aniversário de algum morto aleatório. assim, não conseguiram oficializar a união no dia que queriam. mas agora - à parte da imbecilidade da proposition 8 - estão casados.

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e fui chamada de lesbian cliché ontem. ou bissexual cliché: toda bi é vegetariana, faz yoga, feng shui, acredita em astrologia. em san fran eles me entenderiam.

Fernanda diz:
hoje eu matei uma barata
Fernanda diz:
olha que coisa... nunca mato nada
Fernanda diz:
haha
Fernanda diz:
aí a galera tava falando...
Fernanda diz:
ai porque barata, que nojo, e tal, tem que arranjar um jeito de exterminar tudo da terra
Fernanda diz:
aí eu falei: gente, mas é a gente que tá construindo concreto em cima das casas dela
Fernanda diz:
tá certo, elas têm que invadir mesmo;
Fernanda diz:
mas eu fui lá e matei
Dree diz:
hahahahaahahah
Fernanda diz:
porque nem adianta eu salvar aquele bicho, né...?
Fernanda diz:
ele volta
Dree diz:
mas é lei da sobrevivência..barata transmite MUITA doença
Fernanda diz:
matei com um livro da virginia woolf
Dree diz:
meu irmão biólogo já me explicou
Dree diz:
lá em casa a gente só mata barata e rato
Fernanda diz:
pois é, eu também já perguntei isso
Dree diz:
lagartixa, por exemplo, a gente pega e taca na varanda
Dree diz:
gente, vc usou um livro da virginia pra matar uma barata?!??
Dree diz:
clarice ia adorar isso
Fernanda diz:
não ia ser sensacional se eu matasse a barata com "a paixão segundo gh"?

16.2.09

apocalíptico

anúncio de cartão de crédito por e-mail:

se é importante para você ter mais PODER...

achei que desde a confusão da bolsa a galera estivesse parando de equalizar dinheiro a poder.

saúde, OOOOOOOOMMMs e american expresses para todos nós.

30.12.08

alegria, alergia!

gente, tô adorando essas férias! tô conseguindo descansar, mesmo... acho que é a primeira vez que eu fico de férias curtindo a minha casa e o rio de janeiro, sem ficar viajando loucamente. e também

- cozinhando
- meditando
- yogando
- encontrando meus amigos
- dormindo em casa
- meus amigos vindo pra cá
- não bebendo
- escrevendo
- lendo horrores!
- vendo filmes
- ouvindo muita música
- tocando muita música.

26.12.08

coooooooooooooooom amor no coraçããão...

eu não sei ser criticada!

preciso de mais humildade!

ouve, fernanda, ouve! (and then prove them wrong :P)

20.12.08

she threw a shoe at his head
I think what he did was wrong and I would've had a hard time feeling compassion for him.


18.12.08

mantra

quero voltar pra flauta
quero voltar pra flauta
quero tocar flauta
quero aula de flauta
quero voltar pra aula de flauta
quero voltar a tocar flauta
quero aprender a tocar flauta de novo
quero tocar com o carlos malta
quero ver o david ganc
quero tocar flauta!

26.11.08

a santa às vezes troca o meu nome

fim de período/ano/inferno astral tem dessas coisas - estou sem dormir há séculos (desde a semana da jic) e em meu cérebro penetram construções novo-baianas e luandino-roseanas, fazendo com que venham à cabeça coisas como:

  • computadeus
  • jacarepalonge
  • mira meteu (mira matheus nem precisou mirar, saiu metendo de qualquer jeito e me fodeu)
  • moneaugraphia
  • mona-grafia
há muito tempo eu não entrava em pânico desse jeito em uma prova. a única vez de ter me sentido tonta, zonza, desesperada desse jeito foi numa prova de matemática sobre geometria, na 2a série, que fiz doente e tirei 6. tudo porque ontem (hoje, sei lá) pedi pro felipe me manter acordada enquanto eu tentava estudar português e ele não calava a boca, de modo que fiquei acordada mas não estudei.

fatos da vida, às vezes temos que reviver a infância - esse post tá bem parecido com a estrutura dos meus posts antigos, ainda no /nanda_b2 ou no howseenamiactually, ou seja lá como se chamavam meus blogs desde 2001. ando lembrando muito de coisas da minha infância, tipo brincar de médico com a vizinha de casa de arraial ou a primeira vez que fiquei de quatro por shakespeare e a língua inglesa - resolvi ingressar ao mesmo tempo na cultura inglesa e na CAL, pra fazer um curso de teatro pra adolescentes baseado em shakespeare. ontem foi por causa das ternurinhas do onjaki - a vida de um monandengue angolano nada tem a ver com a minha.

vi o ser humano mais bonito do mundo de novo, saindo do ônibus junto comigo. mas como eu talvez o ache agora a segunda criatura mais bonita do mundo, não falei pra ele que ele era a pessoa mais bonita que eu já tinha visto e não dei pra ele este endereço, para que ele lesse o texto em homenagem a ele.

eu ainda faço um livro tipo os que os taxistas sempre dizem que farão: a minha vida no transporte público. a anedota de hoje dá conta de como uma moça desceu santa teresa contando da vergonha dela de ter dado calote num motorista de van amigo dela, um tal de caetano. por isso fez questão de pagar ao motorista do nosso táxi de dois reais, privativo, logo quando entrou. só viemos eu, ela e o motorista, todos rindo das histórias de calotes do povo do morro dos prazeres, da suspensão da integração metrô-ônibus 407, dos bandidos e viciados que pedem carona (mentira, desses não rimos, não).

ainda em santa: o bonde não passou, mas tava o pôr-do-sol dos mais lindos e eu passei pelo flautista, que no fim é um professor de flauta que tá sempre chorando num prédio entre o instituto de yoga e a casa do dau (ouvi duas flautas, uma extremamente alta na tonalidade. na ida, faziam terças e terminavam em lááá siiii dóóóó. na volta, faziam notas longas). moral da história: esse aluno, daqui a uma semana, já tá tocando muito mais do que eu, que traumatizei depois da festa junina - faz muitos meses - e só montei a ditacuja pra tocar um pseudo-take 5 com judson esse fim de semana. no caminho mais pra lá da rua, num prédio bem mais charmoso, tem um saxofonista que eu acho que também é profissa.

tive uma idéia sensacional depois da minha prova massacrante: implementarmos o motel universitário - vulgo MU - no fundão, para suprir as necessidades dos alunos do futuro (se deus quiser) curso noturno da letras. na verdade, ele podia ficar ali pro lado da maré, já despontando para a linha amarela e a vila mimosa, e podia ter um letreiro cujo logo seria uma vaquinha. acho simpático.
esse fim de ano tá pra lá de difícil pra nós todos. ainda bem que meu inferno astral veio antes e já passou. assim eu posso me dedicar a fazer e pensar o bem para meus amigos, que tão precisando bastante...

gente, força na peruca!

namastê!

24.11.08

namastê

nove da manhã e já aconteceu algo pra me deixar feliz o dia inteiro e curar o estresse ideológico de ontem.
dispensei um 485-sem-ar-lotado por uma van cheirosa, acolchoada, espaçosa e fresquinha (R$ 2,50) pra chegar vapt-vupt na faculdade. eis que surge um engarrafamento na entrada do túnel. os passageiros se assustam, logo pensam em assalto no túnel, tiroteio no catumbi, avalanche do morro etcétera e perguntam:

- moço, mas esse engarrafamento é por quê, hein?

ao que o motorista responde: "não sei".

entrando no túnel, eu já ligando o controlador de respiração, com medo da claustrofobia, não podia continuar lendo o ondjaki, então fechei os olhos.

o motorista se volta contra os chiados do rádio sem sinal e o cd player fagocita um disco. uma voz grave e lenta, uma língua estranha. saímos do túnel, volta a jb fm (¬¬).

- moço, que música era essa, era um cd?

- era, um disco de música indiana. mantras.

meu coração ficou morninho. sorri largo ainda com a prosa breve de ondjaki na cabeça.

- estou imaginando você no meio de um engarrafamento infernal entoando mantras, ficando bem zen.

- tem que ser, não é? e vamos nos estressar com engarrafamento? tem que ter mantras pra shiva, pra ganesha... quando não tem jeito, não tem jeito...

- tá muito certo...

o ponto da letras é a primeira parada do motorista yogi. dou feliz a tarifa e desço desejando:

- namastê.

- obrigado, bom dia.

:)