de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
Mostrando postagens com marcador exílio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador exílio. Mostrar todas as postagens
10.2.13
7.5.11
no coração um berreiro
voltar para o rio é das coisas mais perrenguentas e, ao mesmo tempo, aliviantes que há.
adianto que voltar nas condições de um outono chuvoso - quase tão chuvoso quanto abril de 2010 com a queda de uma favela inteira do alto do morro para a lama do chão -, correndo risco desse atlântico transbordar (como se não bastassem as saudades), é muito melhor que o choque térmico de fevereiro
(-40 oC para +40 oC).
a primavera é aquela estação fecunda da qual falei pra vocês no post passado, em que os frutos desvelam sua potência pregnante (aprendi essa palavra numa tese sobre a sophia e tenho me divertido muito com ela).
mas pronto, depois de umas injeções aqui e ali dum vocabulário luso-estrangeiro que não quer me largar (e eu não quero que me largue), voltei ao brasil naquela expectativa de estar calor, eu poder encontrar os amigos para muitas cervejas e exibição de slides, ir à praia, coisas cariocas.
só que cheguei no meio da vida das pessoas - como se alguma vez não fosse assim, sou sempre aquela que interrompe tudo a meio -, era época de trabalho, pras gentes que trabalham, pras gentes que estudam; e eu, nesse limbo, tendo que fazer os dois, mas com excelentes tempos livres de fazê-lo quando me apetecer.
cheguei meio sem compromisso de nada, afora as questões de saúde, sem ter hora pra muita coisa - o que me possibilitou gastar uma média de uma hora e meia em cada viagem em ônibus que cruzam somente a zona sul do rio. isso me irrita, como me irritam muitos procedimentos que considero ser a continuação das burrices lusitanas que vivi por três meses.
me dizem que eu não devo me chatear quando vejo no comboio, sulcado nas tintas da janela azul, "as brasileiras são todas umas putas". devemos só estar lá, sabendo que não somos dessa densidade demográfica, e fazer o melhor do nosso trabalho (pra provar a eles que estão errados). mas quem está interessado em ver que esta não é a verdade? adianta eu desviar minha atenção e pensar "não é comigo..."? adianta não me afetar como povo?
e eu falando sobre tuguices, certamente atinjo alguns de meus amigos patrícios. quem está sendo ilógico agora?
devo dizer, por último, que não me senti nada exilada, em nenhum momento, porque o brasil sempre esteve dentro da minha casa e dentro do meu telemóvel. sempre houve farinha de mandioca, guaraná. de resto portugal é sempre igualzinho ao brasil, em tudo o que presta e em tudo o que não presta.
E eu tenho de partir para saber
Quem sou, para saber qual é o nome
Do profundo existir que me consome
Neste país de névoa e de não ser.
(sophia de mello breyner andresen, "há cidades acesas" in: poesia)
Assinar:
Postagens (Atom)