de sofrer e amar, a gente não se desfaz.
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28.1.12

vai ser engraçado

porque não tem um dia que eu saia e não pense que possa encontrar você na rua. mas na maior parte das vezes isso pareceria impossível - porque ela não vem presses cantos, nem eu vou pros dela -, mas hoje eu pensei que poderia encontrar, como tantas outras vezes, e tive a certeza de que você pensou também. chacoalhei o pensamento pra fora - porque, você sabe, esse tipo de quimera faz a coisa realmente acontecer: já tive muita prova disso.


quando uns meses antes de te conhecer, queria encontrar aquele meu amigo, sonhava com ele virando a esquina enquanto eu chegava ao campus, e aí nos demos aquele abraço desajeitado, mas definitivamente cheio de carinho, enquanto eu ia e ele vinha.

dessa vez, no sinal fechado, restou como que um minuto para que eu pensasse no que fazer: 1) ignorar 2) cair com as compras todas no chão, como no conto amor, e ter uma epifania 3) sorrir triste.

eu me aproximava e ainda parecia que você não tinha me visto, talvez fosse uma técnica, até que você diz "oi, tudo bem?", e o amigo do lado parece saber de toda a história, enquanto eu sem olhar alcanço a sua mão, só pra você entender que eu te vi mesmo e não tava querendo fugir da situação e chego ao portão tremendo.

26.12.11

robeeeerrrrto, que letra é essa?


quantas vezes eu pensei VOLTAR/ (adoro essa regência do ROBERTO pro verbo pensar. ela pede o EM, mas ao mermo tempo ela remete o sujeito pruma experiência de [re]viver a ação - voltar pro momento em que o amor não tinha mudado. pensei ter voltado, mas não voltei)/ e dizer que meu amor nada mudou/ mas o meu silêncio foi maior/ e na distância morro/ todo dia sem você saber.


11.12.11

no 91o aniversário de clarice

já quase não tá doendo.

mas.

precisa de segurar a sagitansiosa em mim. "sagitansiosa" é um termo cunhado por samuel na ânsia de nomear aquela nossa sede de viver e amar. que nem "sagitaquário" é aquele ser "age of aquarius" que habita em nós e que nos movimenta.

Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas
 [sophia de mello breyner andresen.pirata]

7.11.11

amo-te tanto que não te sei amar

Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

(vinicius, soneto do amor total)

e o nosso casamento que definhou de mocidade?

me instruíram a não ficar ouvindo música de fossa, o que me fez não ouvir música nas últimas 48 horas, mas isso aqui vai me libertar mais do que me fazer lamentar: