...no sentido mais lato, o amor mais universal, mais compassivo, o que inclui o perdão para mim mesma e para os outros - já dizia antónio ramos rosa.
ando esquecida de mim mesma, em detrimento de mim ponho a felicidade do trabalho alienado e do capital que adquirirei para poder esquecer mais de mim, inventar desculpas, pagar mais contas e precisar de mais terapia, indefinidamente... parei esse ciclo vicioso.
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
ando esquecida de mim mesma, em detrimento de mim ponho a felicidade do trabalho alienado e do capital que adquirirei para poder esquecer mais de mim, inventar desculpas, pagar mais contas e precisar de mais terapia, indefinidamente... parei esse ciclo vicioso.
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
minha terapeuta tem razão - é tudo escolha, mesmo, e já me sinto melhor. só que pôr meu coração na ordem do dia - para além de me tornar uma vítima da história - não depende de eu me submeter a um tratamento psicológico. não é indo à terapia que eu vou me colocando em dia, passando a me adiar/odiar menos e pondo o meu sentimento, razão e vontade em perfeita harmonia. isso também é uma ilusão, e é o que os doutores psicólogos querem nos fazer acreditar. acabo de perder 71 reais, mas recuperei lendo drummond e ramos rosa. 35,50 cada poema, acho justo. acho justo pelo teor inegável de aprendizagem e libertação que os dois poemas trazem. ou melhor, não é isso. isto é subordinar o poema à lógica mercantil, e ver no preço, no "poder pagar", uma aprendizagem - também mercantilizada, utilitarizada, medida, que pode ser adquirida a qualquer hora, a depender do capital. o que quis dizer é que perder 71 reais não me deixou triste, porque, aquilo que eu não entendi na terapia até agora, drummond e ramos rosa me subsidiaram. muito obrigada, carlos, antónio... (vocês são gente que faz)
3 comentários:
eu venho aqui, e é mto dificíl eu não gostar do que vc escreveu. só pra vc saber.
Adoro este aspecto péssimo e desiludido do que a gente coloca na escrita. Sincero, né.
Esta coisa de ficar bem 24h por dia é algo pra mim diariamente impossível.
Se bem que no fim você aliviou.
vc fica dizendo por aí que ninguém comentou esse post. veja bem, fernanda, duas pessoas comentaram.
e eu só não disse nada porque não tinha nada a dizer, mas esse post foi bom, tá?
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