de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

1.3.05

and all i really want is a wavelenght

enfim, viagem acabando, deprê baixando...
queria ir embora, porque tem tanta coisa acontecendo dentro de mim, e no brasil, sem eu estar lá - e nem dentro de mim, estou, direito...
mas queria morar aqui, queria ter mais tempo pra fazer todas as coisas que eu tinha planejado... os 300 filmes, e festival de cinema daqui, jogar boliche, jogar sinuca enquanto bebo tequila, tomar expresso com chocolate quente da starbucks, ir à loucura comprando livros e discos que não existem nas lojas de usados - simplesmente porque ninguém quer vendê-los, por serem muito bons...
queria ter tido a primeira aula grátis de yoga - e depois abandonado o curso, porque ia ter que voltar, mesmo - na osborne st, queria ter andado de snowmobile, mesmo que 10 minutos de real diversão custassem 50 dólares e horas andando de ônibus.
bem, "no one can have it all see, i have to, they want me to... (com todas as diferenças de pronúnicia entre 'two', 'too' e 'to' a que os anglosaxãos têm direito)".
beth (/bethabrances) e eu ouvimos os nossos delírios consumistas, hoje, e torramos uma porrada de dinheiro em coisas inúteis, com as quais não tí­nhamos paciência de lidar até alguns anos atrás.
milkshake de capuccino, suéteres pequenos demais - mas um incentivo para o regime -, roupas esquisitas que não temos ocasião para usar.
me senti tão saudável, embora fossem somente coisas - objetos de que não preciso, realmente - que depois me deixariam com o óbvio sentimento de vazio.
há quantos anos não saí­a assim, irresponsavelmente, e gastava montes de dinheiro - dólares, ainda por cima - e horas que nunca iria reaver?
é horrível ver, em cada loja que você gasta com coisas inúteis, caixas dizendo "ajude a aliviar a situação do tsunami", "doe seu troco para uma instituição de caridade", "ajude a manter o templo budista chin tóin" e "existe gente passando frio e fome enquanto você está no aquecimento, torrando dinheiro em mais roupa e comida que você não precisa, ajude-as" - tudo bem que, num templo de consumismo, não haveria essa reflexão da última caixa, mas...

não há salvação pra esse tipo de culpa. o dinheiro já tá gasto, e depois de amanhã estarei bem.
sim, haverá um depois de amanhã, porque "eu sou um nada tão insignificante que não posso nem me matar".
(essa frase aí é do filme "sideways", que nós vimos hoje.)
não sou escritora; sou, no máximo, uma rabiscadora de paredes, enjaulada, e escrevendo com sangue e agulha no ínfimo espaço em branco restante.
haverá amanhã e depois, porque preciso ser publicada antes de morrer, mesmo que o mundo não dê merda nenhuma pro que eu tenho - se é que tenho algo - a dizer. depois do mundo me "ouvir", eu não sei mais, parece que é a sina dos escritores de que gosto: hemingway, woolf...; não é como pintura; é difí­cil de os escritores serem descobertos e fazerem muito mais sucesso do que fariam enquanto vivos, depois de mortos.

sempre influenciada pelo que eu estou lendo - dessa vez, "hell", de lolita pille. acho que ainda não traduziram pro português. sobre essa menina - dezenove anos - parisiense, podre de rica, do arrondissement 16 - área dos ricos de paris - que entope o nariz de cocaí­na e dá pra todo mundo e, obviamente, quando se sente vazia vai fazer compras pra melhorar - como eu acho que eu fiz, mas na ordem inversa. neste capí­tulo ela se apresenta e diz:

"i felt i had put my finger on the crux of my unhappiness. i was haunted by a simple question: "what's the point?"
it was just so intolerable. all the corruption of a humanity that i had so desperately wanted to believe in, that black hole called "the future" and which led ineductably to death, and real black holes that suck you up atom by atom, and other similar reflections that i could not even begin to address in detail.
(...) at first i felt nothing except abject satisfaction at seeing my intuition of being born to suffer come true.
then, astonishingly, i stopped suffering.
(...)
the crisis that immeadiately followed was crushing.
not because it was so powerful. because it was uncontrollable.
it was a strange paradox, as if the fact of thinking about my emotions had protected me from the real pain, a pain that was not free-floating any more, but from a tangible source. i had previously been the puppet of my senses, crying when i wanted to cry, and laughing when i wanted to laugh.
(...)
i was all of seventeen when i understood that suffering was no way to escape the vapid nature of live, and certainly no route to the sublime. and yet it was neither this awful experience, not the pain it wreaked on me and continues to wreak to this day, that made me what i now am.
it's still a mystery somehow, the crashing despair against whose force i am powerless."

talvez lolita pille um dia se mate.

eu só quero paz enquanto eu espanco o teclado.

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