oftalmologista,
otorrinolarigologista
nenhum conseguiu
convencer-me de que o amor é cego,
surdo e mudo
de que eu preciso de óculos
de que eu preciso de aparelhos auditivos
de que eu preciso aprender a linguagem
dos sinais.
já sei a linguagem do amar,
tão diferente da que era antes.
dentista,
dermatologista,
pneumologista
algum conseguiu
curar-me
da doença de vida
que se instala em mim quando
apaixono-me.
analista
não insista,
não me consultarei mais,
o que eu tenho é alma de artista,
e nisso, não se volta atrás.
nem monge budista,
curandeiro
ou pagodeiro
há de compreender
em que tipo de viveiro
crescemos antes de morrer.
é na melodia
do letrista,
na montanha russa
do ofício do ascensorista,
que se sobe e desce na vida.
e que nenhum linguista
teime em me examinar
para achar alguma afasia
contesto-lhe; sei a linguagem
da aprazia
do eterno momento passado da poesia.
fernanda drummond.
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