de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

1.7.05

o que é que está à nossa procura?

e o que é que, afinal, procuramos?
será que estamos na idade da razão ou da emoção?
estarí­amos, ainda, deslumbrados com as possibilidades do avanço da ciência?
ou será que estamos céticos em relação a ela, ainda presos à idéia de que não podemos "brincar de deus" e mexer nos nossos próprios genes?
aldous huxley podia brincar de deus.
julio verne podia.
steven spielberg e stanley kubrick.
dá até para reinventar uma ovelha, mas um ser humano não.
aliás, quanto menos seres humanos houver, melhor - não é assim que dizem?
por que é que o homem de virada de século não consegue se resolver entre a racionalidade e a espiritualidade?
será que havemos de ser dicotômicos assim?
a ciência nos assusta tanto que, vez ou outra, nos alarmamos com as bombas atômicas, as armas quí­micas, as terapias de genes.
e nos voltamos para o espiritual: enchemos aulas de yoga, meditação, sinagogas, igrejas e templos evangélicos.
"quando surgem grandes oportunidades, estamos presos em um banco de igreja, em um casamento ou um batizado" (thiago judson).
compramos camisetas invocando nossos amigos para o exército de jesus?

quando será o julgamento final?

(no final eu morro, mas duvido que vá para o inferno. sou "bissexual histérica", sou deficiente física, sou artista - e isso passa)

pode-se perguntar sempre por que e sempre continuar sem resposta: será que consigo me entregar ao expectante silêncio que se segue a uma pergunta sem resposta? embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim.

clarice lispector.água viva.

Nenhum comentário: