de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

3.8.05

em-bala-gem.

saí­ para ler em um banco de pedra, em cima das formigas. não queria estar enclausurada, diante da luz falsa do computador, embaixo do ventilador.
ela está, eu sei, em alguma sala logo ao lado.
a luz do dia me parece tão artificial que pisca, como numa pista de dança, as letras se embaraçam e, de súbito, estou em um quarto fechado, relendo pela décima vez um parágrafo transcendental, com a preocupação vândala de tentar entender. não entendo. fecho o livro e abro o coração, depois a porta e as janelas, e afasto a claustrofobia. mas me lembro do teto aterrorizante sobre a minha cabeça. proteger-me-ia, se estivesse chovendo, mas por hora, só me limita o céu. há uns três metros entre o sinteco e o teto. o tablado vira terra - terra que se enterra nas minhas unhas, com pedrinhas que se refugiam entre os meus dedos do pé.
tem uma hora em que tudo vira pó, meus contemporâneos ouvirão, então, a marcha turca de mozart - que tocarei em um piano, do purgatório -, durante uma chuva de granizo com gosto de bala de morango.
o meu desejo é não morrer mais encaixotada do que fui em vida.

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