de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

11.3.09

hoje eu sonhei contigo, amor, nem te digo...

acordei super assustada, choramingando, com o surrealismo do meu sonho.
eu não vou nem tentar encadear as imagens que me vinham numa narrativa lógica...

- porque dizem que nós sonhamos com imagens e depois ficamos tentando achar ordenação pra elas. daí o cão andaluz de buñuel fez muito sentido pra mim -

mas rolava eu e o pessoal de poética, depois da defesa de alguém, num lugar meio grajaú-fim-de-linha. a gente sentava pra comer/beber, e até foi parar no telhado (parecido com debaixo da mangueira do pedro II. tenho sonhado muito com o meu colégio...).

jun era queimado com uma coisa que vinha do céu e começava a rir, que estava numa área de risco, e que finalmente isso acontecera com ele. ele se agarrava em mim e eu o ajudava a correr dos foguetinhos que apareciam pelo céu e pelo chão que queimavam a gente. mas às vezes eu lembrava que se ele ficasse muito encostado em mim eu ia ficar queimada também, e meus membros ficariam tortos.

estava na FLIP e isso começava a acontecer, era um lugar parecido com disney com o qual já tinha sonhado antes. só que no fim, eu descobri o que fazia a gente ficar doidão E queimado: eram uns incensos do tamanho de fósforos que ficavam queimando pelo chão. se a gente não desviasse dele ficava queimado e molenga, que nem a cera de uma vela. daí me ocorreu que era só tacar água em cima, e apagar o bagulhinho. o thiago e alguns conhecidos DO MAL é que espalhavam isso pela FLIP (que tinha um prédio só pra teatro e um camarim imenso, parecido com a infra-estrutura de um navio com o qual eu já sonhei antes), e estavam atrás de mim porque eu tinha descoberto como eles faziam isso... eu tentava recrutar pessoas pra apagar os fósforos, mas todo mundo só queria saber de ficar doidão. o andré mongol até começou a me ajudar, mas foi parar no colo de alguém no final. taquei um tipo de adoçante (zerocal) melado num fosforozinho e ele se transformou numa pilha tamanho D que rodopiava e emitia coisas azuis e queimadoras se a gente deixava encostar na pele - tipo um cd no microondas.

e aí eu lembrei - acordada - que sonho é pra ser isso mesmo. um monte de acontecimentos embolados, imagens que você já viu antes, que prescindem de lógica, explicação e narrativa para aparecerem juntos, mas que, se você tentar tirar um sentido da coisa, vai sair um monte de interpretação bizarra do seu inconsciente. ou sei lá da onde. s.n.goenka (a.k.a. business man) diz que "não existe inconsciente, até quando não estamos controlando, ou sonhando, as sensações estão aí, e ficam se registrando na gente" (um negócio assim, eu não posso escrever no retiro, então nem lembro...), o que pra mim logo evoca "o que em mim sente 'stá pensando", do pessoa. agora não sei se o que ele disse foi SUBCONSCIENTE, o que faz uma diferença... o efeito era: quando estamos sonhando, não são níveis do (in/sub/des)consciente que vêm à tona - até quando estamos sonhando somos conscientes.

e quando eu fui dormir eu li uma frase de ronaldes de melo e souza que dizia algo assim: "a consciência da ilusão jamais elimina ilusão da consciência", que deveria rebater o argumento do guru (já que ele não é um iluminado).

graças ao borges (o jorge luis, não o moto) eu tenho esse fragmento de shakespeare:
we are such stuff as dreams are made on
tá bom, somos essa coisa. mas o que é esse AS? seria um ás na manga do tio will? chegou o tradutor do borges e botou lá: "somos aquela matéria de que os sonhos são feitos". eu até tinha aceitado isso passivamente, mas aí fui ler em inglês, direito: "we are such stuff as dreams are made on". somos a coisa enquanto os sonhos são feitos? somos a coisa EM QUE os sonhos são feitos? será? os versos completos, n'a tempestade, dizem:

we are such stuff
as dreams are made on, and our little life
is rounded with a sleep
nós somos essa coisa. enquanto os sonhos são feitos, nossa pequena vida é rodeada por um sono.
a tradução moderna foi e fez isto:
We are similar stuff to that
That dreams are made of, and our little life
Is surrounded with a sleep.
ou SEJE: que merda, esse shakespeare morreu antes de terminar essa peça. foi COROADO (rounded) com o sono mortal.

6 comentários:

Raven disse...

gente, nunca ri tanto na minha vida! seus sonhos são tão psicóticos qto os meus! hahahaahahahah! jah podemos criar um roteiro pra outro Waking Life. ;p

qto a Shakespeare: não existe "resposta certa", como nada na vida e nada na arte, que não é nada mais do que uma tentativa de mostrar o que está por trás de tudo, revelando o grande e indestrutível nada que envolve tudo. se é que você me entende. ou não.

de qq forma, o importante é viajar. e assistir a Prospero's Books, do Peter Greenaway, que é baseado exatamente neste texto de Shakespeare e é uma viagem absurda pra dentro de você mesmo, enquanto você se deixa levar pelas sensações e sentidos, que parecem ser as únicas coisas que importam after all.

bom, fiz a poética agora. mas vc e o nando sempre me inspiram isso. ;p

Carole Chidiac disse...

Não me ative muito ao sonho porque o texto me embeveceu tanto que não deu tempo. Como escreve essa menina! Um talento mesmo.

Samuca disse...

Adoro a sensação de querer que o outro sinta e veja exatamente o que nós sentimos/vimos no sonhos.

Acho que as duas opções vão dar no mesmo lugar: se somos enquanto os sonhos são feitos, então somos do que eles são feitos. Confundi?

Samuca disse...

PS: essa coisa de "escolher uma identidade" na hora de comentar aqui no seu blog é tão monótona.

Não quero ser o Google/Blogger, nem o OpenID, nem o Nome/URL, nem o Anônimo. Quero ser Stefhany.

jovem broto disse...

adorei o post. não só por participar (queimado/doidão). mas achei bem a minha cara ser queimado e rir. me lembra de pensar em ir à áfrica e as pessoas me dizerem que é perigoso porque tem landmines. eu poderia ter sonhado com isso.
chutaria manuelisticamente que o as é tipo um cum latino que é com, enquanto... da con-juntura, sem necessariamente implicar uma causalidade. as é tipo cum e ass é tipo cu. e cum é tipo gozo.
e adorei saber que não sou o único que um dia pôs um cd no micro-ondas. microondas? microndas.
conseguiu o livro do ronaldes? não tem mais que levar não?

Anônimo disse...

Hhahaha pois é, tadinho do Jun. Ele não precisava ser queimado.
ai, eu acho um saco essas coisas de ficar querendo entender os sonhos e arranjar yum milhão de significados e sei lá. eu adoro quase não lembrar dos meus.Nem acho que me faça muita falta pra falar a verdade, o que faz todo mundo q me analisa ficar meio puto mas... pra que, sabe? tipo, as vezes vc só sonha com uma pessoa pq ela foi a última pessoa com a qual falou ou viu e não tem nda de bizarro ou anormal ou irritantemente freudiano nisso. então, o q tô tentando dizer, acho ótimo quando os sonhos são esse emaranhado. ;)