as férias me deixam um pouco alentada, posso ver tudo quanto é manifestação cultural que acabo perdendo durante o semestre. o problema é que, na mistura, vejo muita coisa ruim. tenho ido ao cinema quase toda vez que me convidam, pra ver qualquer coisa. mas ando me controlando, porque senão gasto dinheiro demais com muita porcaria. ó, um exemplo do aproveitamento das minhas férias cariocas:
macbeth
não sei se é porque eu fui no domingo de estreia, logo depois de bárbara heliodora soltar os vikings em cima da peça, falando mal de tudo, mas achei bem ruim. lembro que jun e branco foram ao ensaio aberto, e disseram o mesmo. tava achando que a culpa era do daniel dantas, com aquela cara de cu (perdão pelo meu francês) que ele tem - a articulação é pior ainda com aquela barba (tá certo, sir macbeth tem barba, é todo um recurso pra mostrar autoridade, respeito e sabedoria, mas ela não pode impedir os atores de entoar as falas). se daniel dantas é ruim não obstante seus anos a fio estudando shakespeare, a culpa é mesmo do aderbal freitas-filho que, aparentemente, não sabe dirigir atores fazendo peças do bardo. foi a mesma coisa com hamlet, que ficou um capitão nascimento histérico, e não um homem atormentado.
não é por ter feito women's studies, não, mas a grande diva da peça é lady macbeth, que fica apagadinha, apagadinha, na loucura. quando a renata sorrah podia ter soltado aquela "loka, destrambelhada" que a gente AMA, estilo heleninha roitmann e nazaré, ela fica boba, meio suave demais, parecendo que o marido dela é que arquiteta tudo e é o mauzão desde o início. aliás, é outra coisa que não dá pra ver: não tem cenas suficientes dela tentando convencer o marido - que é relutante - a praticar o assassinato. parece que ele é que enlouqueceu e não tem um pingo de culpa: é sanguinário e cusparento e ela fica vagando pela casa, sumindo mais rápido que devia. enfim, uma peça sem PRESENÇA.
e não é por ter feito women's studies, não, mas um dia eu vou escrever um ensaio sobre essas mulheres de shakespeare! elas não existem! são elas que fazem tudo, principalmente por serem umas loucas! desdêmona, ofélia, julieta, lady macbeth, a rainha titânia... eta nós! é daí que o machado tira aqueles olhos de ressaca, oblíquos, dissimulados, das heroínas dele... essas mentes perigosas, que arquitetam tudo, manipulam tudo... que delícia! (muhahahahahaw)
cirque du soleil

não tinha gostado quando fui em winnipeg ver delirium, em parte porque não tinha tomado ácido antes, e também porque meus assentos eram muito longe. num estádio não dá pra ter a dimensão de que aquilo é um circo. achei tudo uma palhaçada (sem palhaço), com umas músicas bregas a beça... mas foi só montarem um circo com estrutura de circo mesmo, na marina da glória, com o público pertinho do palco, pipoca, algodão-doce, que me botaram chorando antes mesmo de o espetáculo começar.
macbeth
não sei se é porque eu fui no domingo de estreia, logo depois de bárbara heliodora soltar os vikings em cima da peça, falando mal de tudo, mas achei bem ruim. lembro que jun e branco foram ao ensaio aberto, e disseram o mesmo. tava achando que a culpa era do daniel dantas, com aquela cara de cu (perdão pelo meu francês) que ele tem - a articulação é pior ainda com aquela barba (tá certo, sir macbeth tem barba, é todo um recurso pra mostrar autoridade, respeito e sabedoria, mas ela não pode impedir os atores de entoar as falas). se daniel dantas é ruim não obstante seus anos a fio estudando shakespeare, a culpa é mesmo do aderbal freitas-filho que, aparentemente, não sabe dirigir atores fazendo peças do bardo. foi a mesma coisa com hamlet, que ficou um capitão nascimento histérico, e não um homem atormentado.
não é por ter feito women's studies, não, mas a grande diva da peça é lady macbeth, que fica apagadinha, apagadinha, na loucura. quando a renata sorrah podia ter soltado aquela "loka, destrambelhada" que a gente AMA, estilo heleninha roitmann e nazaré, ela fica boba, meio suave demais, parecendo que o marido dela é que arquiteta tudo e é o mauzão desde o início. aliás, é outra coisa que não dá pra ver: não tem cenas suficientes dela tentando convencer o marido - que é relutante - a praticar o assassinato. parece que ele é que enlouqueceu e não tem um pingo de culpa: é sanguinário e cusparento e ela fica vagando pela casa, sumindo mais rápido que devia. enfim, uma peça sem PRESENÇA.
e não é por ter feito women's studies, não, mas um dia eu vou escrever um ensaio sobre essas mulheres de shakespeare! elas não existem! são elas que fazem tudo, principalmente por serem umas loucas! desdêmona, ofélia, julieta, lady macbeth, a rainha titânia... eta nós! é daí que o machado tira aqueles olhos de ressaca, oblíquos, dissimulados, das heroínas dele... essas mentes perigosas, que arquitetam tudo, manipulam tudo... que delícia! (muhahahahahaw)
cirque du soleil

não tinha gostado quando fui em winnipeg ver delirium, em parte porque não tinha tomado ácido antes, e também porque meus assentos eram muito longe. num estádio não dá pra ter a dimensão de que aquilo é um circo. achei tudo uma palhaçada (sem palhaço), com umas músicas bregas a beça... mas foi só montarem um circo com estrutura de circo mesmo, na marina da glória, com o público pertinho do palco, pipoca, algodão-doce, que me botaram chorando antes mesmo de o espetáculo começar.
Domingo a minha vida é o circogente, por isso não pode perder quando o cirque estiver aí! deixem de ir ao show do coldplay, cujo ingresso mais barato custa o mesmo do mais caro do cirque, e vão lá! vai valer a pena!
Eu sou a trapezista
Alguém avise à dor
Que não insista
Um comentário:
sanguinário e cusparento é a melhor definição do mundo pro macbeth do daniel dantas.
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