de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

27.6.10

de modo que para ser ensaísta e filósofo precisa ser poeta.

todos os homens, sem exceção, entreviram por um instante a experiência da separação e da reunião. no dia em que verdadeiramente estivemos enamorados e soubemos que esse instante era para sempre; quando caímos no sem-fim de nós mesmos e o tempo abriu suas entranhas e nos contemplamos como um rosto que se desvanece e uma palavra que se anula; na tarde em que vimos aquela árvore em meio do campo e adivinhamos, embora já não o recordemos mais, o que diziam as folhas, a vibração do céu, a reverberação do muro branco golpeado pela última luz; numa manhã, estendidos na relva, ouvindo a vida secreta das plantas; ou de noite, diante das águas entre os altos rochedos. sós ou acompanhados vimos o Ser e o Ser nos viu.

[octavio paz, "signos em rotação"]

Um comentário:

Anônimo disse...

o tempo abriu suas pernas
lindo isso. :)