de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

28.6.11

matei minha mãe: eu chorei.

calma, não é nada disso que cês tão pensando. por recomendação de samuca, fui ver amores invisíveis e eu matei minha mãe, ambos do woody allen francofônico xavier dolan. o garoto tem 22 anos (tô atrasada) e dirige, atua, faz o figurino e faz a loka em todos os filmes de sua autoria. como se não bastasse, eles todos são sobre adolescentes imaturos que não têm nenhum relacionamento que não seja bacanal - naquela postura francesa de ter de fazer filme de putaria (cf. christophe honoré, bertolucci - italiano que filma franceses). os adolescentes são bipolares, xingam, gritam, são rebeldes - naquela postura francesa de garoto-problema.

isso me deixou pensando: nos filmes norte-americanos, os adolescentes posam de incompreendidos pelos pais, fazem todos os tipos de merda, mas sempre trancados nos seus quartos e com o apoio moral de sua gangue de amiguinhos da fraternidade. mas nos filmes francofônicos eles não poupam a histeria, e aquele jeito nervoso de falar, como se mil questões existenciais passassem pelas cabeças dos personagens enquanto eles bufam (bufar é parte integrante de saber falar francês - acho que niqui eles foram proibidos de fumar em qualquer lugar, ficam sempre bufando, que é forma de expulsarem a ansiedade de dentro da cabeça).

em j'ai tue ma mère, a bipolaridade é gritante (literalmente) nos dois personagens principais. é "eu te amo" e "eu te odeio" dito pelo filho à mãe a cada dois segundos. além disso, tem aquelas epígrafes e interlúdios que fazem dos francofônicos deliciosos pedantes. você nunca tá em dia com as suas leituras se você vê filme em francês. (120 dias de sodoma, do italiano pasolini, tem uma bibliografia essencial nos créditos iniciais) e sabendo que xavier é 3 anos mais novo que eu , achei mais pedante e fiquei com mais raiva ainda.

isso não passa de uns emos um pouquinho mais bem-lidos. gente sem crescimento emocional nenhum que posa de angustiado.

mas chorei com a carta que a professora do protagonista de matei minha mãe mandou pra ele. depois de 10 anos sem falar com o pai, ele de repente liga pra ela. isso desencadeia um processo de libertação na gaja que a possibilita viajar o mundo de bicicleta, em vez de ficar presa numa escola, numa profissão que nem sabe por que escolheu.

outra coisa legal dos dois filmes são os pares românticos do protagonista. no amores xavier escalou um "fiuk loiro", "adonis hedonista", de uma beleza impossível e feminina demais, para ser seu par romântico, e eu achei o moreninho (diretor) muito mais bonito, porque mais :C (gabriel não pode). já no matei minha mãe, o namorado fixo do xavier é mais bonito que ele. deve rolar uns bons teste do sofá.

a fotografia outonal é linda e forte nos dois filmes e me faz sentir muita falta do canadá.

mas pra desfazer esse pedantismo todo, só muito mc boule de feu:

2 comentários:

Samuca disse...

Tem um ponto, mas continuo gostando dos dois filmes. ;] Devo casar com o Xavier?

Samuca disse...

E juro que não acho o Fiuk tão bonito assim. E mal lembro das referências, elas passaram batidas, meio que caguei.