de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

19.11.04

mais copia-e-cola c.l. (brought to you by coca-cola)

Não quero ter a terrí­vel limitação de quem vive apenas do que é passí­vel de fazer sentido. Eu não: Quero é uma verdade inventada.

[Por não estarem distraí­dos]
Havia a leví­ssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vá que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à leví­ssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraí­dos.

[Clarice Lispector]

eu ia mandar pra alguém esse texto, because i need closure (desperately), mas achei que tudo ia ficar mais estranho e bagunçado e confuso do que já está.

só dessa vez, eu deixo o tempo cuidar de tudo. se for do nosso "destino" nos vermos sempre e perpetuarmos esse mal-estar entravado em nossos corações por causa das algemas de sentimentos, assim faremos. talvez o "destino" nos dê uma mãozinha pra esquecer isso tudo. a idéia é deixá-lo levar-nos pelos cabelos. muito provavelmente acabou, agora tá tudo acabado...
pois é, a tristeza vem aí­, e tudo o que eu fiz foi chorar e encher a cara de cachaça e não esperar mais nada. descontam-se as besteiras que fiz/falei. porque nada vai ser verdade, já que eu não quero que seja.
ainda tento entender a ironia disso tudo - no sentido de o acontecido ou falado ou escrito ser o contrário do que se esperava. antes era divertido, agora não faz mais sentido. então sejamos felizes conhecendo nossos novos amores, passando na rua conosco. você não fez nada. você não entende nada. e não é sua culpa. mea culpa.

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