de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

12.1.05

ah, respirando fundo pra ver se esqueço de que eu quero casar contigo.

fui, não deixei em banho-maria. usei algemas emocionais; eu tô tão acostumada com isso. eu tô tão acostumada a me iludir com elas, ficar me afirmando, dizendo que tudo se foi - até meu ânimo de recomeçar.
e é pior do que realimentar as esperanças sempre.
"leva o teu olhar que a saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar."
lambuzaste menos que o recomendável, babe. o doce nunca fora teu.
"acabou. agora tá tudo acabado."
mas "o caminho da água também é cheio de pedras e o rio não pára".
cheios de pedras no caminho - de pessoa - pra gente se deliciar no tropeço e na queda e reter nas nossas retinas.
é aquela pedra enorme do apartamento de benjamin zambraia. diz-se "bom dia, pedra!", gosta-se da pedra. e que nunca cheguem, mesmo que prometido outrora, com o demolidor de pedra. porque a pedra já é parte de mim, de ti. a pedra está aí­ e é impossível ignorá-la. não pode-se viver sem ela. mesmo sabendo-se que, talvez, pudéssemos ser felizes - reprovadas, mas felizes; "feliz-tipo-amor-cadê-minhas-meias" - sem ela.
mas a poetisa viciou-se no empecilho. na dor. no pedir perdão por levar consigo um terço de ti. porque a dor é tão exata, tão velha conhecida; tão bem acatada pelo sentimento católico-apostólico-romano de culpa - e já não o é o nosso amor. que podia dar certo.

"tudo passa e eu ainda ando pensando em você". porque eu ainda quero. porque eu me recuso a deixar de pensar-te. resisto ao esquecimento. desacato ao sumiço do desejo. fico na encruzilhada entre meu provável destino e a luta contra ele. e ainda enfrento as horas. uma hora é difí­cil, e está ficando cansativo passar por vinte e quatro delas.

pra não morrer, respiro fundo, babe, os lençóis, na procura da sua colônia para homens e do shampoo que usavas para ficar bonita para mim. não é muito difí­cil encontrá-los - embora os lençóis tenham sido lavados - onde "confundimos tanto as nossas pernas" nas noites travessas em que não ias embora: eu não deixava.
de repente - é triste: "malvada! não deixou sequer uma gotinha para eu segui-la?" a verdade é que a saudade já fora muita e gastara o perfume.

fui extremista; gosto de pedir perdão pelos buracos no teu peito.
não direciono mais o meu caminho. ele é onde tiver uma garrafa de vodka (and still it would not come). e, assim espero, uma cova, que é pra eu terminar de me conformar.

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