até o barulho de outro motor que não o cotidiano é pacífico. não se valorizam as geografias de certas paisagens quando se está sempre junto delas.
aos oito anos, nunca saberia sua raridade.
aos dezoito, depois de tanto gelo e locações áridas, revisito os lugares de minha infância com olhos que não serão os mesmos dos sessenta e oito - se é que se viverá até quando.
- olha só a nuvem preta, ó! ó!
o tempo encoberto dá um ar blasé e estrangeiro à ilha velha conhecida.
o fato de eu me vestir de cáqui e chapéu torna-me francesa. e francesa, como anaïs, serei, se um dia branca e noutro esquelética e tão anti-social, com meu shicschic junto ao som das ondas.
variação de lua, de vento no mar, cuja fala é tão diferente da dos caos passando pelas ruas. acabava por confundir os dois rumorejares, depois de um longo hiato de ambos. as velocidades, nervosas, permaneciam iguais.
(velocidade de lâmbida,
que é igual ao comprimento das que me lambem, sendo aquele proporcional à força com que estas o fazem.)
padrões detectados pelo medo mudo da sua ausência. desordem (não) traz progresso.
anarquia que acalma tanto que me ama muito que ama esses escritos e esse grafite apagável e inconstante como as lambidas nos meus pés, dado que vê é igual a lâmbida-efe. minha velocidade não igual a velocidade da carne da água tangendo-me co'a força de lâmbida, da lambida, do mi, do ni e do ksi (e de todos os erros possíveis de transliteração em todos os alfabetos e de todos os verbos passíveis de serem conjugados em concordância com os equívocos). força de inconstantes cheiros e vozes e gostos. porque ver é igual à inconstância de todas as constantes físicas e de todas as consoantes gregas. ver é a inconstância dos nossos corpos ocupando os mesmos espaços, às mesmas horas, com os mesmos pensamentos. se vejo, realmente, é quando te sinto. agora vejo, porque - mesmo em tua falta - te sinto.
andaremos dentro de nuvens frias, escuras, más.
envolveremo-nos em fumaças e vapores e estrelas e nós.
morreremo-nos sempre.
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