todo dia eu passo por uma casa verde com um azulejo azul em que está desenhado um santo desconhecido segurando no colo uma criança. todo dia sorri para mim uma janela de vidros torcidos - certo dia, embaçados - porque alguém se banha no segundo andar. e despem-se, no primeiro, dois desembaraçados, em uma transa.
e vivem na casa verde filhos escolhidos por deus para não sofrer. a ovelha negra sente-se sozinha. pecaminosamente, pensa-se desacompanhada de deus.
holísticamente, junto ao meu olhar oni-pres-ciente do que acontece atrás do vidro torto do segundo andar da casa verde com o santo na porta, há a ovelha gauche e muda diante da nudez do eu.
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