de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

24.11.08

namastê

nove da manhã e já aconteceu algo pra me deixar feliz o dia inteiro e curar o estresse ideológico de ontem.
dispensei um 485-sem-ar-lotado por uma van cheirosa, acolchoada, espaçosa e fresquinha (R$ 2,50) pra chegar vapt-vupt na faculdade. eis que surge um engarrafamento na entrada do túnel. os passageiros se assustam, logo pensam em assalto no túnel, tiroteio no catumbi, avalanche do morro etcétera e perguntam:

- moço, mas esse engarrafamento é por quê, hein?

ao que o motorista responde: "não sei".

entrando no túnel, eu já ligando o controlador de respiração, com medo da claustrofobia, não podia continuar lendo o ondjaki, então fechei os olhos.

o motorista se volta contra os chiados do rádio sem sinal e o cd player fagocita um disco. uma voz grave e lenta, uma língua estranha. saímos do túnel, volta a jb fm (¬¬).

- moço, que música era essa, era um cd?

- era, um disco de música indiana. mantras.

meu coração ficou morninho. sorri largo ainda com a prosa breve de ondjaki na cabeça.

- estou imaginando você no meio de um engarrafamento infernal entoando mantras, ficando bem zen.

- tem que ser, não é? e vamos nos estressar com engarrafamento? tem que ter mantras pra shiva, pra ganesha... quando não tem jeito, não tem jeito...

- tá muito certo...

o ponto da letras é a primeira parada do motorista yogi. dou feliz a tarifa e desço desejando:

- namastê.

- obrigado, bom dia.

:)

3 comentários:

Dri disse...

Ai, q lindo!!

jovem broto disse...

só pode ser ficção! :P

Mayra disse...

fofo.