de sofrer e amar, a gente não se desfaz.

30.7.05

closer.

Dan: You think love is simple. You think the heart is like a diagram.
Larry: You've ever seen a human heart? It looks like a fist, wrapped in blood!

hoje é festa lá no meu apê (2)

como tem sempre, nos fins de semana, hoje teve festa na casa da gabi.
eu tive diarréia antes de ir - mas depois não aconteceu mais nada.
e pensei "caralho, já perdi a conta de quantas vezes eu cheguei aqui nesse banheiro trêbada, já tendo bebido tudo, e não tive nada disso. logo agora vou ter caganeira? antes de ir pra festa? pelo menos estarei mais magrinha".

como se não bastasse, bebi tudo, mesmo assim. comprei um santa felicidade (iá), que tem impresso na embalagem "o álcool vicia".

mas foi uma das melhores coisas que fiz na vida. antes do hugo e namorada e rafinha chegarem, só conhecia duas pessoas na festa. às 4, eu estava livre, leve e solta na pista, dançando horrores, como nunca, em nenhuma festa, ouvindo o programa de house da jovem pan.

a amiga da gabi em cujo fotolog entro toda vez que vou ao da primeira porque a acho bonitinha tava lá.

abri meu coração pra beth. nós dormimos no sofá, juntas, pela 2a vez na semana.
a primeira foi na casa da ana. bethânia não me deixou dormir, e acordei às 7, pra trabalhar, no dia seguinte.

29.7.05

hoje é festa lá no meu apê

vovô para criança, na rua:
- hoje é festa lá no meu apê!
- hahaha.
- você quer ver o bundalelê na casa do titio, netinho?
- ...

we've been living life inside a bubble.

sonhei que estava em alguma faculdade dessas pra assistir a várias peças de grupos teatrais universitários. cada peça era em uma sala (que era de teatro, mesmo) diferente. vi 3: uma conceituada, enorme, com grande público, na maior sala da universidade. outra em que cheguei no meio, e era chata e de médio porte.
a última tinha um debate com o grupo teatral antes, e era composta pela mairinha e mais uma menina aí­.
surgiram nando, bernardo e mais uns gatos pingados pra ver.
eu e o nando começamos a nos pegar, no meio da sala (fiquei impressionada com a história de ele ser o pai dos meus filhos e de ele ter falado que ele é uma fancha, porque só as fanchas pedem beijos dele). só que o nando virou o bernardo e a gente saiu no meio da peça pra ir a outro lugar pra fazer sexo.
saí toda pelada andando pela faculdade - que parecia um campus americano - e entrei num alojamento que não era o meu e peguei as roupas da pessoa que lá morava.
acabou assim: não trepamos. hahaha.
e isso é bom.

isso me lembra de um episódio de will and grace em que o will sonha que transa com a grace e ela se apaixona pelo psicólogo do will, pra quem ele contou tudo.

preciso de um psicólogo que se apaixone ou pelo nando ou pelo bernardo.

sobre o escritório.

volta e meia eu vou até a cozinha, lavar xícaras, cafeteira e copos d'água. mas, quando estou sozinha na sala, preciso levar a chave do escritório e da cozinha (que é um anexo), ambas sem chaveiro, porque me foram dadas dos chaveiros de seus donos.
não hesitei em pôr as duas no sutiã, enquanto carregava uma bandeja cheia de objetos quebráveis.

algumas horas eu encosto na pia imunda que tem na cozinha e sujo minhas blusas todas.
de nada adianta, então, tentar parecer apresentável no trabalho.

não tenho - como nunca tive - paciência de falar ao telefone. mormente depois de 8 horas atendendo um.

ainda bem que este é meu último dia.

[o meu livro sobre a clarice lispector chegou. mas não sei se vou ter dinheiro pra comprar]
na formatura da marina:

mamãe: você não poderia nunca fazer medicina.
eu: por quê?
mamãe: você não comprou tinta loura.
eu: essas mulheres todas dessa turma fazem tudo em prol da ciência e da pesquisa empí­rica com água oxigenada.
mamãe: prova de que são inteligentes. quando nasceram, não eram louras.
eu: quando eu nasci, eu era loura!
mamãe: ah... er... é... essa sua tinta preta é disfarce.
eu: pois é. pra fingir que sou inteligente.

28.7.05

carne dada aos vermes.

quando eu morrer, uma orquestra tocará um arranjo de "next to last song" com o quarteto de cordas no. 1 (1915) na minha cerimômia de cremação.

POR FAVOR, NADA DE MISSA!

26.7.05

há palmeiras plácidas no caminho
árvores pací­ficas, de beverely hills.
plantas objetificadas trocando gás carbônico por oxigênio - mas pode ser que elas sejam mesmo de plástico e sobrevivam na neve.
seres vivos - natureza morta - daqueles que ficam nos cassinos.
átomos em significantes.

co2 + o2 = bum! ---> brigada, judson maria.

fingere.

gente: ficção. mesmo que autobiográfica.
mas isso é tudo ficção. mesmo o que eu deflagro verdade.
vivemos no mundo das cópias, não é isso, senhor platão?
e eu, como literata, vivo no simulacro. tão distante do ideal...
mas nem me incomodo.

everybody's looking for something:
i wanna use you and abuse you.
i wanna know what's inside you.

[and - desperately - you to know what's inside me]
[marilyn manson.sweet dreams]

25.7.05

leandro veio aqui e gravamos "oceano" e "mary jane".

ele tá fazendo aula de canto lírico.
e estudando com mulheres mais macho que ele.

dormi o dia inteiro. mais um fim de semana disperdiçado.

(esqueci de "l word". :P por que ninguém me avisou que a alanis tava no fantástico?)

24.7.05

so tell me, baby, what's the word?

- so...
- so.
- d'you know what? i really think i love you.
- what the fuck?
- it's true.
- you're just saying that to cover the silence up.
- no, not really, i honestly think i'm starting to have real feelings for you.
- we haven't known each other for that long, you know?
- what does that have to do with anything?
- why are you always trying to hide, for instance?
- like, why am i talking like this?
- desperately.
- yeah. i don't know. i think i AM always desperate.
- you are fine.
- i am most certainly not. i shouldn't have done what i did yesterday.
- it is over, kid. get over it.
- i feel disgustingly about it.
- why do you always have to think you do things? you never conjugate the verbs without a "think" in the middle of it.
- when did we start to question myself? i was talking about my dependency of you.
- can you not bring anything else to discussion?
- not when i am falling in love. i need to speak it up.


[when i am falling in love.]

23.7.05

copacabana é um mundo à parte

com seus conjugados e assinaturas de marie claire...
com suas farmácias em que atendentes ultra-simpáticos-cheios-de-êxtase vendem coca-cola pro povo misturar com natasha.
dá pra baixar um software e dizer que "você viu a porra do mundo todo, viaaado".

conheci o vovobox na porta da fosfobox, hoje. ele fica dando mole pros menininhos pseudo-alternativos e eles dão corda.

tava tendo tati-chuta-o-pau (hoho)-da-barraca.

e o nando tava dez! todo dez-montado, quando passou no bueiro que venta para cima.
eu passei em cima do mesmo bueiro, com um copo de cerveja (e incerteza) na mão. estava de saia. o momento seriamente marilyn monroe da minha vida.

ai, quero casar e morar num conjugado em copacabana.
não dar satisfações pra ninguém.
e conhecer o mundo todo.

andei 400 quilômetros da barata ribeiro pra pegar o ônibus, mas desisti e peguei um táxi.

ou seja, gastei R$ 25,00 e me montei toda (iôôô) pra ver um monte de travestis - mas um deles é o futuro pai dos meus filhos.

cheguei em casa e bebi drinks sozinha. minha mãe ligou enquanto o etanol entrava nas hemácias e roubava meu oxigênio do cérebro - que bombava o meu coração. a mamãe não poderia imaginar que coisas acontecem na casa dela quando ela vai embora. em seguida, escrevi esse texto bêbado daí de cima.

life is perfect, never better, distance making the heart grow blind

when you sent me off to see the world were you scared that i might get hurt?
would i try a little tobacco? would i keep on hiking up my skirt?

i'm hungry
i'm dirty
i'm losing my mind
everything's fine

i'm freezing
i'm starving
i'm bleeding to death
everything's fine

yeah, i'm working, making money, i'm just starting to build a name
i can feel it around the corner: i could make it any day
mother, mother can you hear me? yeah, i'm sober, sure i'm sane
life is perfect, never better, still your daughter still the same

if i tell you what you want to hear, will it help you to sleep well at night?
are you sure that i'm your perfect dear? now just cuddle up and sleep tight.
[tracy bonham.mother mother]

passei fome, mesmo, no fim de semana.
derreti a manteiga toda no microondas.
a massa do waffle que eu, a ana, o judson e a carol fizemos ficou verde.
ainda sobrou um pouco de smirnoff.

22.7.05

a bottle of wine and my ego down my throat

how many shots of you do i have to drink to stop me from soberty?
in my soberty there is always some drunk reasoning.
a reasoning that has become hard to find through enlightenment.

so you can be my hangover soup.
then i can be your band-aid.
we will live happily ever after.
even if we are never together.

19.7.05

conto de fraldas.

se há bofes verdadeiramente brochantes são aqueles filhinhos de papai que se apaixonaram por equitação, dizem "sou ator", gostam de Yôôôga e tomam vinho tinto gelado.
sabe o que eu tenho a dizer pra eles? que embora as suas caras de bebê sejam lindas, quero que eles suuuuumam!

e ainda bem que eu não fiz artes cênicas, no final das contas, porque é todo mundo assim. poucos se salvam, na verdade.

18.7.05

ao vencedor, as baratas!

peguei um taxi dirigido por um sujeito que cismava que eu tava estressada. ele era muito nervoso.
lembrar que o plebeu é do lado direito da rua.
bebi cerveja.
conheci o namorado da gabi - que tá maravilhosa com o cabelo novo! - e adorei-o.
lá pelas tantas - e tantas mesmo - aparece a pessoa que eu mais gosto de ver no plebeu: o marcelo! e o andré, que nunca lembra de mim. o marcelo tava com uma camisa rosa e gravata, no dia em que tinham muitas baratas subindo por a gente e pelas paredes. ele subiu na cadeira. a vigilância sanitária acabou com a diversão.

essa palhaçada toda era só pra todo mundo se encontrar com o kaially, que aterrisou de surpresa no rio, mas volta amanhã. mas só o vi rapidinho.

nunca tinha tido a coragem de ir ao banheiro do plebeu - que é limpo a cada ano bissexto. deus - e a ex - sabem o que eu tava perdendo. na porta do banheiro: "sapas devem morrer! ---> de jeito algum! as sapas são a gota de orvalho no sol da manhã".

na volta, um taxista mais calado - do jeito que eu prefiro.

one month dumpee.

17.7.05

i could be freedom but that could be boring

foda a alanis abrindo o show acendendo o abajour e cantando your house.
mas depois aquilo tinha que ir embora, ela não se mexe durante o show inteiro.
o rê tem razão. ela tá altamente uma poita (e que franja ridííí­cula).

this talk of liberation makes me want to go lie down
under the covers til the terror of the unknown is gone

I could be full I could be thriving I could be shining
sounds isolating

mas cheguei a uma conclusão interessante sobre a construção poética da alanis. o uso das anáforas [i could be, i could be, i could be ou that i would be good, that i would be good, ou i'm xxx but i'm xxx, ou thank you, thank you, thank you ou are you still maaaaad - and the list goes on and oooon] é um tipo de enigma, que visa a ser resolvido a partir da sua repetição.
então quanto mais ela elaborar frases com essa construção, e mais ela questionar, mais ela vai ver a solução dos problemas que as músicas abordam dentro dos próprios versos.
o uso mais freqüente desse recurso está no supposed former infatuation junkie, feito depois da viagem à índia, onde alanis teve contato com a cultura budista, que diz que "a resolução do coan [enigmas] está na repetição do coan".

fim de semana sangrento

elephant. adorei as cores, apesar de a televisão estar prejudicada. achei que a pegação no chuveiro foi desnecessária. bem diferente, o filme. e sonata ao luar e fur elise, sempre! enieminieminiemo. comia todo. que cuticuti!
tempo. já tinha visto um pedaço no telecine-qualquer-um, achei meio babaca a atuação da feia-bonita rachel leigh cook. e odeio a melanie griffith. destaque para a tomada - que sempre volta - de ray of light.
helter skelter. não sabia da história do clã manson. fiquei horrorizada por polanski. mas continuo adorando o marilyn manson, tá¡?

engraçado isso, puxa... eu comecei a ouvir para sair da fossa, e vi que, por baixo dos morcegos, olhos de vidro e peitos, marilyn manson faz versões geniais de músicas para corno!
The love we share
Seems to go nowhere
I've lost my lights
I toss and turn I can't sleep at night

16.7.05

sobre a contemplação.

i wanna be a girl like you
the way you swing your hips in jeans
and tickle you until you scream
i wanna fall in love with you
i wanna say i do

the question is do you ?


cheguei em friburgo numa angústia enorme.
tentei meditar - mas não sei se foram os mantras, ou a falta de prática, ou minha crise alérgico-respiratória, ou a obra que tava acontecendo - tava difí­cil de me desligar.
pelo menos os mantras me trouxeram algo de pací­fico.

tenho problemas em me considerar budista. só essa reação já deflagra que não sou. incorporo o que quero da filosofia alheia, não hesito em ludibriar a mente, não pratico um milésimo da santidade dos monges - mormente de suas paciências. sintomatizo muitos problemas no budismo enquanto instituição: há escolas demais, por exemplo.
não procuro achar um só eu Verdadeiro em mim. para mim, meu autoconhecimento está no meu contato com vários eus: o que gosta de rosa, o que gosta de marilyn manson, o fancho grosso, o que inventa pseudo-paixões etc etc etc.

conto de fraudes

olha, a vida é muito simples: gostas da idéia do carpe diem mas não a praticas. sabes do prazer de mexer nas sementes do saco na feira - das coisas simples - apesar de agora, para ti, o prazer misturar-se sempre à dor.
admiras a visão da existência como complexa, posto que entontece-te com a tua impotância diante dela.
seja mais leve, pule comigo, aceita e contesta as imprudências do coração.

14.7.05

instruções para comentar [à la julio cortazar]

como eu sou burrinha em html e java, vai ficar assim mesmo.
para evitar stress, antes de "pular do trampolim", peça para abrir em uma nova janela.

ploc, ploc.

i just wanted to say "afternoonish" one more time.
- afternoonish.

eu sei que tá muito rosa

e eu sei que eu vou cansar desse rosa todo em 2 minutos.
mas hoje eu acordei rosa, e os olhos de vocês vão doer um pouquinho.
pensem que eu sou a clarah (hoho e torçam pra quererem publicar em papel os arquivos dos meus blogs).
os diversos tons de branco podem ser em dó maior ou sol mixolí­dio, ou mesmo em lá menor. havendo acidentes, usar omo multi ação.
porque as mesmas sete notas fazem música de deus ou de satanás.

13.7.05

ser estar haver existir

a pergunta do século é: o que você faria? e a resposta é: depende.
anda até a praia, em uma tarde prenunciante de chuvas. carrega, no meio da multidão, as flores ganhadas há pouco. despe-se da carga emocional com o top branco. o fato de ter uma roupa apropriada para a praia, por baixo dele, revela que o que está prestes a fazer fora premeditado. olha com urgência o mar poluí­do e pouco agitado. revisita as rosas brancas - pérolas em botão. sabe que essas rosas não lhe pertencem. o mar comporta crianças e mães de todos os domingos. as flores, em um invólucro plástico, conscientizam-na de que é mais bonita do que podia se lembrar. digna de atuar na televisão. não entendia a oposição de seu namorado, que tenta compensar a atitude protecionista com flores brancas como ela. tão branca que parece errado que esteja neste inferno ensolarado em não em um deserto de gelo. tão loura, com os cabelos lisos bandeirolando contra a brisa quente. admira pela última vez as rosas que ele comprou sozinho. respira fundo e levanta-se, decidida, caminhando veementemente ao mar, buquê em punho. as ondas agitam-se um pouco mais, as crianças se esbofetam com um pouco mais de fervor. entra aos poucos, primeiro molha os pés, e então as barras suspensas das calças. anda disciplinadamente, como um soldado intrépido e incerto de sua volta para casa depois da guerra; anda até o próximo banco de areia. sente as calças grudando em seu corpo e vê as pessoas observando-a. teme que perguntem o que faz meio-vestida, com flores, no mar. em nenhum momento olha para baixo. procura uma epifania. procura ser densa, não desmonta o personagem. sem mais, larga as rosas ao cabo das ondas e das crianças que guerreavam saudavelmente atrás dela. começa, entre elas, uma nova disputa: dessa vez, pelo lindo arranjo largado no mar. ela não vê mais nada, não olha para trás, pega os tênis na areia e corre mais rápido que a lágrima suicida.

nelson freire

é, mas és um filho-da-puta.
até parece que é só sentar no banquinho que dos dedos sai um quebra-nozes, de tchaikovsky.
como é que as pessoas podem não ter talento para escrever, se as palavras são as mesmas para todos? por mais que tentemos ser inventivos com nossos neologismos idioléticos, nunca o somos em excesso, de modo que toda criatividade pode ser deduzida por outrem.
há várias palavras que ainda não foram usadas, o que é questão de tempo para serem reinventadas e incorporadas em diferentes línguas.
toda a literatura é uma simples questão de análise combinatória.

9.7.05

my friend confessed she *failed* the test and they'll *forever* sever.

fui fazer o exame de sangue, e o felipe foi comigo.
a mulher errou e pediu o de gravidez. se ela descobrisse-me grávida eu ia ser a nova virgin mary.
depois consertaram.
o engraçado foi o felipe explicando pra namorada dele onde ele tava.

no reason to panic, ladies and gentlemen.

vi sem notí­cias de deus e team america. o primeiro é muito rápido pra minha cabecinha. mas mastigaria penelope cruz inteira, mesmo com aquela cara de tia de 35 anos que ela tem. o segundo não terminei de ver, porque meu dvd é todo cagado. mas é muito engraçado.

8.7.05

Be kind to me or treat me mean. I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine.

Quando é que as relações banco-cliente começaram a virar casos amorosos?

- A nossa intenção não é que você se separe ou destrua o relacionamento com o Banco XXXX, mas que você expanda seus horizontes, contemplando novas possibilidades e disfrute de maiores vantagens em termos de poder aquisitivo.

Ou será que foram os relacionamentos amorosos que ficaram impessoais a ponto de confundirem-se com burocracia bancária?

7.7.05

this is the hardest thing i have ever had to do.

i was in dispair. it was as if i were a criminal, had been in jail, and willing to work honestly and hard. but as soon as people discover your past they will not give you work and expect you to act like a criminal again.
i am finished with myself, with my sacrifices and my pity, with what chains me. i am going to make a new beginning. i want passion and pleasure and noise and drunkness and all evil. i must build a new shell, wear new costumes.
[anaïs nin.henry and june]

turned page

i feel this is a turning point in my life. there will be a drastic change of subject. my mourning is enclosured. i do not think i have anything to suffer about.
oh, the numbing of dying my hair - cutting my personality -, dressing differently and hiding behind another language, as if it was easier to define myself with another lexic. it could be easier to deal with this situation being immerse in another culture.
as if this would turn me into somebody else.
everytime i am sad it is like this.
he could never come back.
the fact that i am still stuck to this relationship does not distract me from my responsability in chosing my identity.
i suddenly have a vision which recommends me acting - and actually becoming - calm and structured. not putting bandaids in internal bleedings. not putting the carts before the cattle.

1.7.05

o que é que está à nossa procura?

e o que é que, afinal, procuramos?
será que estamos na idade da razão ou da emoção?
estarí­amos, ainda, deslumbrados com as possibilidades do avanço da ciência?
ou será que estamos céticos em relação a ela, ainda presos à idéia de que não podemos "brincar de deus" e mexer nos nossos próprios genes?
aldous huxley podia brincar de deus.
julio verne podia.
steven spielberg e stanley kubrick.
dá até para reinventar uma ovelha, mas um ser humano não.
aliás, quanto menos seres humanos houver, melhor - não é assim que dizem?
por que é que o homem de virada de século não consegue se resolver entre a racionalidade e a espiritualidade?
será que havemos de ser dicotômicos assim?
a ciência nos assusta tanto que, vez ou outra, nos alarmamos com as bombas atômicas, as armas quí­micas, as terapias de genes.
e nos voltamos para o espiritual: enchemos aulas de yoga, meditação, sinagogas, igrejas e templos evangélicos.
"quando surgem grandes oportunidades, estamos presos em um banco de igreja, em um casamento ou um batizado" (thiago judson).
compramos camisetas invocando nossos amigos para o exército de jesus?

quando será o julgamento final?

(no final eu morro, mas duvido que vá para o inferno. sou "bissexual histérica", sou deficiente física, sou artista - e isso passa)

pode-se perguntar sempre por que e sempre continuar sem resposta: será que consigo me entregar ao expectante silêncio que se segue a uma pergunta sem resposta? embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim.

clarice lispector.água viva.

feliz dia do caminhoneiro

30 de junho. dia do caminhoneiro.
para comemorar, a ufrj ofereceu a palestra "infância, favela e lesbianismo", com lúcia facco e georgina martins. e discutiu o problema do transporte de crianças da favela da maré à ilha do fundão.

29.6.05

não era tatuagem.

quando falam da suavidade da rosa feita pela natureza, não facilmente remeto-me aos teus beijos. porque teus beijos eram tão raros e tão urgentes...
hoje o dia está branco, e tinhas uma corola-receptáculo da chuva. podia chover em ti, e, se deixasses, amar-te-ia tanto...
o nosso amor, entretanto, bem lo sei, não era tatuagem e sim tinta carmim. o desenho borra, não fica bonito, assim, mas, graças a deus, a lavagem apaga o nanquim.
desenhei uma flor em mim. é o que és: uma flor. autosuficiente, com teu pí­stolo e estame. és a prova da existência de yin e yang. se sou tão dependente e desequilibrada é porque, na primeira chuva, transbordou-me o carmim da rosa. porque não era tatuagem, mas sim nanquim.

28.6.05

desesperos

meu desespero é a minha esperança.
meu desespero é a fumaça em que estou embuí­da.
(a última tragada é sempre a pior. a expectativa da próxima - sei-lá-quando - destrói)
há coisas que toco na esperança que elas te sejam. contudo, são meu desespero.
há nervos que são a continuação dos meus lábios. nervos trêmulos que são meu desespero.
os lí­quidos que expelem-se são desesperos.
(meu sangue, meu suor, minhas lágrimas - para não superaquecer)
eu pingo, como semifusas entrecortadas por pausas.
essas goteiras são sinais de excesso. nem que todos os meus fluidos evaporassem eu seria econômica ao transbordar.
e te espero por dez tempos.
enquanto me dez-espero.

you said you'd never let me fall from hopes so high
(but never is a promise and you can't afford to lie).

enquanto escrevia esse texto, that i would be good era trilha sonora de dawson's creek. engraçado como eu também tenho que me trancar no armário para escrever esse tipo de coisa.

24.6.05

il faut t'oublier.

tout peut s'oublier, on sait.
mas eu sou desesperançada.
Μνήσομαι ο̉υδε λάθωμαι

[homero]

poema 20. (E, ao mesmo tempo, uma canção desesperada)

POEMA XX

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos."

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
¡Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos!

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

¡Qué importa que mi amor no pudiera guardarla!
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Yo no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise..
Mi voz buscaba al viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.


Pablo Neruda (porque eu nunca sei me expressar tão bem).

22.6.05

mas hein?

por que eu gosto de me adjetivar, de me predicativar?

versão letrão.

meu blog em versão para ceguetas.
eu penso em não dizer mais "eu te amos". pensar melhor no que significa cometer um "eu te amo". voltar para o "eu acho que eu te amo". porque é possí­vel que eu tenha mais certeza de achar do que eu te amar.
um "eu te amo" diferente do que era há 4 anos, com aquela pessoa diferente, significaria esse o não "eu te amar"?
eu inventei este "eu te amo", mas será impossí­vel de eu acreditar nele?
talvez, se ela gostasse do meu "eu te amo", eu fosse mais segura dele.
se ela não gosta, quer dizer que ela não acredita, porque eu o inventei e não sou segura dele?
ela inventou-o também! para quê?
para depois dizer que passou?
eu não gosto do "eu também" tanto quanto do "eu amo você".

hoje é qualquer dia entre 1986 e o fim da minha vida, a alguma hora perigosa da tarde.
[27.05.2005]

PS: será que as coisas teriam sido diferentes?

brilho eterno de uma mente sem lembranças

entre uma e outra, dentre 5000 exibições de monster, cheguei à conclusão de que as pessoas que respondem "sim, eu te apagaria", são as que realmente amam uma pessoa.
é bom que eu esteja passando por tudo isso.
e sim, eu a apagaria.

dez de dezembro.


A Verdade é: sempre foste morta. Só eras quando eram os teus personagens. Fora deles, nenhum sopro exasperado. Quando foi o teu corpo? - tuas bonitas mãos e olhos amendoados e teu inquieto cérebro? - no cemitério São João Batista, dentro de uma caixa preta com uma estrela. Chorei, vinte e sete anos depois. Era, enfim, A Hora da Estrela, em ti imortalizada. Aquela estrela, porém, não era tua; sempre a condenaste. Nada foi teu. Hoje é de museus, bibliotecas, estantes. No entanto, tudo o quanto quiseste, para que não morresses, é assustadoramente teu.
Ter muitos amigos não significa estar livre de solidão. E estar sorrindo, querida, não significa ser feliz.
"Ser feliz é pra quê?" Comer cachorro-quente e coca-cola e sonhar com o dia de deixar de ser uma subnutrida, sonsa e idiota? Pra quê?
Ser feliz é como?
Onde estivestes de noite? sempre morta. Esquecendo tudo aquilo que os atos te ensinaram.
Quando é que, entre as palmeiras do Jardim Botânico, entre os pequenos cérebros roxos que caíam das árvores, foste feliz? Iluminaste-se?
Ser feliz é quando?
Nas tuas residências diplomáticas, quando é que paraste de desejar estar em outro lugar?
Ser feliz é onde?
Que mendigo, que Macabéa, que Álvaro de Campos não invejaste só por não serem tu?
Ser feliz é quem?
Que substantivo melhor designa a catástrofe de tua infeliz vida?
Ser feliz é o quê?

[9.12.2004]

19.6.05

dizer umas coisas antes de me casar:
meu armário de sapatos é uma bagunça - tenho mais do que uso, obviamente.
eu ando ouvindo marilyn manson - que estranho.
eu não tenho paciência para regimes.
eu não sei quem eu sou.
prefiro ser chutada do que chutar as pessoas.
eu tenho baixa auto-confiança - e é possí­vel que ela provenha do fato de eu não gostar de amendoins e cerveja.
apesar dos amendoins e da cerveja, eu sou eclética. e as pessoas têm que saber lidar com isso.
eu bebo mais do que deveria.
eu não tenho estilo de vestimenta.
meu idioleto é muito particular.


eu gosto de sexo.

tenho acne. mas dizem que isso passa.
não há prateleiras suficientes para os meus livros. e eu nunca vou conseguir lê-los.
eu quero ter filhos, mas sou uma desajeitada com crianças.
aliás, sou desajeitada com tudo, praticamente.
eu sou uma nerd em potencial.
entristece-me o fato de eu recorrer à internet e à televisão nos momentos de ócio.
gosto de pessoas por perto.
já quis ser atriz.
toxic, de britney spears, desperta em mim umas emoções estranhas.
eu choro.
eu cago (mas não de porta aberta).
eu ronco.
eu sou asmática.
eu não sei ficar sozinha.
sou bipolar e co-dependente (mas nunca fiz análise).
quero comer a fiona apple. mas isso passa também.
escrever um livro e plantar uma árvore.
amores são incondicionais, paixões não.
sou alérgica a todos os tipos de bijuteria possíveis.
não lembro do que sonhei.
gostaria de saber falar francês.
eu sou surda e telefone, pra mim, não funciona.
cara cheia de pinga só se cura com batata frita.
sou pseudo-intelectual.
sou frustrada.
sou pequena.
não tenho coordenação motora.
não sei cozinhar.
nasci prematura.
gosto de música barulhenta.
gosto de música de elevador.
gosto de beethoven.
e de notas escuras de violoncelo e pungentes de clarineta.
supervalorizo alguns e subvalorizo os que merecem.
eu sou má.
mas sou ingênua.
todos os amores: vivam para sempre.

até que o tédio inexplicável nos separe.


os relacionametos têm a duração de uma geladeira: já são construídos para não durar. no primeiro mau humor, já vão-se coisas pela janela.

fred góes.

17.6.05

come and rest your bones with me

você não se sente, às vezes, fora da sua vida? você não estranha de ser você? de ter feito as coisas que fez? não parece que as coisas nunca mudaram?
andou por um caminho velho conhecido. com os ouvidos ainda zumbindo do disparo do alarme: eu me apaixonei por alguém nesse caminho - ele disse assim. desde quando ela não existe mesmo? ficou muito confuso - havia jaboticabas no caminho.

e ainda bem.

14.6.05

eu não sou uma pessoa depoimentadora.

tanto que só escrevi, em vida - porque em morte ninguém sabe, três testimonials:
um ao samuel kobayashi, outro à marina lima e outro à mariana lima.
(veja só como os nomes delas coincidem. adoro.)

todos os depoimentos foram uma tiração de sarro.
porque eu não sei escrever sério pra uma pessoa.
eu não sei captar essências, embora isso esteja longe do que se espera de um sistema de recados do orkut. mas a falta de consciência da essência das pessoas - como da minha própria - é uma coisa que me impede de sintetizá-las.
por isso sou tão múltipla.
acho que só dá pra se captar a essência de alguém quando ele morre.

porque, para que servem os depoimentos/páginas de recados/comunidades/ o orkut em geral?
é tudo propaganda.
propaganda de traquinas,
propaganda de universidade,
propaganda de filmes,
séries,
livros,
bandas,
refrigerante,
requeijão,
cidades,
canais de tevê,
chiclete,
eras,
propaganda de pessoas quadradinhas ali do lado direito.

(eu adoro o orkut)

e até eu sou uma mercadoria.
só faltam criar uma comunidade: "eu sou amigo da fernandinha" (o que é o cúmulo da redundância, porque se você está na lista da pessoa, quer dizer que você é amigo da pobre).
adicionem, que é conteúdo, é significado e não só significante: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=2694254409127534411

10.6.05

i'm sick but i'm pretty baby

é um troço sério.
todo mundo com quem eu falo esteve resfriado por esses dias.
eu perdi a prova de latim e a agora a magistra vai ser ferox.

2.6.05

eu quero andar sem me preocupar em dizer "olá" e sem sorrir.
concentrar-me no deslocamento dos átomos e no carregamento das hemácias.
nas células mitocondriais e nas coisas que me fazem funcionar.

as though you were kissed by god full on the lips

do pó da terra formou deus-jeovah o homem e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida.
gênesis 2,7

estou escuro, mas deus soprou em mim uma melancólica nota musical, numa respiração boca-a-boca. 0,0025 milésimos de segundos de disâtncia da minha boca da dela. "o desejo é a distância entre dois corpos."
se eu pudesse não saber o que carrego, estaria a salvo? talvez, assim, o pecado não me habitasse, mas eu nele.

31.5.05

o primeiro soneto decassí­labo

atenta p'ra feitura de um soneto
abraça a conssonância neoclássica
apreende a feiúra do soneto
engole cada estrofe democrática

a primeira leitura do soneto
- a mais dramática para quem ama -
quem ama as flores e o som do coreto,
a matemática parnasiana

o homem - matéria plástica, fria -
que afirma não haver poesia
que, enquanto vivo, não se inebria

este entende a amargura do soneto
mergulha em sentimento o esqueleto
agora que acabara o meu lamento

[novembro de 2004.meu primeiro soneto decassílabo]

29.5.05

overwhelmed

this must be the greatest word ever invented: to be overwhelmed is to be like an overfloating river.
it is not, however, discontinuing our courses - the water changes its recipient and, perhaps, its finishing line. it never dies.

22.5.05

cada um tem o amigo gay que merece.

eu tô me sentindo tão abandonada pelos meus amigos gays...
na televisão, qualquer menininha - hetero ou não - tem seu parceiro/alma gêmea/psicólogo/irmão funcionando como amigo gay, e dão conselhos pra eles.

na verdade, ocasionalmente, até aparece aqui um expulso de casa.
talvez nunca exista o "casado" no quadradinho do estado civil.
e a gente vai aprendendo a se desligar de tudo, pois somos arranjos temporários.
que arranjos, afinal, são permanentes?

19.5.05

technologic

Buy it, use it, break it, fix it,
trash it, change it, mail - upgrade it,
charge it, point it, zoom it, press it,
snap it, work it, quick - erase it,
write it, cut it, paste it, save it,
load it, check it, quit - rewrite it,
plug it, play it, burn it, rip it,
drag and drop it, zip - unzip it,
lock it, fill it, call it, find it,
view it, code it, jam - unlock it,
surf it, scroll it, pause it, click it,
cross it, crack it, switch - update it,
name it, read it, tune it, print it,
scan it, send it, fax - rename it,
touch it, bring it babe, watch it,
turn it, leave it, start - format it.

Buy it, use it, break it, fix it,
trash it, change it, mail - upgrade it,
charge it, point it, zoom it, press it,
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write it, cut it, paste it, save it,
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drag and drop it, zip - unzip it,
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surf it, scroll it, pause it, click it,
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name it, read it, tune it, print it,
scan it, send it, fax - rename it,
touch it, bring it, pay it, watch it,
turn it, leave it, start - format it.

Technologic, technologic, technologic, technologic.

Buy it, use it, break it, fix it,
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turn it, leave it, start - format it.


Technologic, technologic, technologic, technologic.
Technologic, technologic, technologic, technologic.

Technologic, technologic, technologic, technologic.

[daft punk]

what's the point of trying to dream anymore?

they say it is more creative to write sleep deprived.
perhaps it's when our subconscience is awaken - when you should be sleeping.
(try to study, however, being sleep-deprived. these things are for desoccupied people)

they also say that
you can't fuck your way to the top, but i'm the living example that you can! this is for you, really!
a.m.'s alterego.

would not come

if i make a lot of tinsel then people will want to
if i am hardened no fear of further abandonment
if i am famous then maybe i'll feel good in this skin
if i am cultured my words will somehow garner respect

i would throw a party still it would not come
i would bike, run, swim and still it would not come
i'd go travelling and still it would not come
i would starve myself and still it would not come


if i am masculine i'll be taken more seriously
if i take a break it would make me irresponsible

if i'm elusive i will surely be sought after often
if i need assistance then i must be incapable

i'd be filthy rich and still it would not come
i would seduce them and still it would not come
i would drink vodka and still it would not come
i'd have an orgasm still it would not come


if i accumulate knowledge i'll be impenetrable
if i am aloof no one will know when they strike a nerve
if i keep my mouth shut the boat will not have to be rocked
if i am vulnerable i will be trampled upon


i would go shopping and still it would not come
i'd leave the country and still it would not come
i would scream and rebel still it would not come

i would stuff my face and still it would not come

(...)
i'd be the hero and still i would not come
i'd renunciate and still it would not come.

eu ando ouvindo muito o supposed former infatuation junkie, desde que essa música foi "a da semana", lá no site.
até inventei de gravá-la e revertê-la (tocar ao contrário, pra ouvir a mensagem do diabo ou pra ver se acredito no contrário desses predicamentos).

13.5.05

quebra de paradigma

em off: sobre o que anda acontecendo no meu blog.

fico muito tempo sem postar/responder e-mails porque quebro todos os computadores que vejo pela frente. espírito hulk, mesmo.
ainda vivo - ainda não botei a pedra dentro do casaco -, moro no mesmo lugar e atendo aos mesmos números telefônicos. mas suicí­dio internético é muito bom, às vezes.
desaprendi a digitar, mas você acaba descobrindo os imensos prazeres de manutenções de diários e escrita à lápis em papéis, cadernos, contra-capas de livros, sacos de pão, rótulos de bebida e, principalmente, guardanapos.
esses MEUS últimos textos têm sido tirados de diários, agendas, papéis, cadernos, contra-capas de livros, sacos de pão, rótulos de bebida e, principalmente, guardanapos.

vou expandir o alcance desse blog. mas, por favor, não se inibam nos comentários.
sempre tive medo de mostrar o que escrevo. ainda tenho. mas algo mudou quase imperceptivelmente: tenho orgulho de alguns textos. e são essas obras-primas que exponho aqui. ou não. ou são lixos que repudio. mas há espaço para tudo.
até meu hd se suicidar de novo, é claro.

12.5.05

Post Scriptum

aos póstumos: posso passar por uma criança problemática e depressiva, se um dia tentarem analizar minha difusa-esparsa obra. não fui. era feliz. talvez, pelas minhas prematuras influências pessimistas, posso ter, mais freqüentemente, procurado a dor do que a reprimido. caderninhos, como esse, então, não são depósitos do meu inconsciente-sofredor-prato-cheio-para-psicanalistas-de-plantão. não sei ao certo, entretanto. o pesar parece um tanto maior quando há um grande contingente de desconhecido - como havia nos meus doze anos. espero que o incognoscí­vel nunca me abandone. é ele que alimenta a avidez e me faz rabiscar mais.

11.5.05

are you ready (i am, aren't i?)?

minha missão é encher de letrinhas e (des)continuidade essas bobas páginas em branco - ou em pardo e salmão, com a cara do mickey estampada.
profundas divagações e estranhas filosofias pedem cadernos novos com cheiro de árvore e lápis recém-apontados.

4.5.05

que mistérios tem clarice?

clarice me desperta como um não-sei-o-quê.
enchi páginas diferentes hoje, é uma escrita que abre a boca do estômago e a gente interjeita: YUM!

(adoro apertar o link "criar": http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=8273582)

2.5.05

a casa verde

todo dia eu passo por uma casa verde com um azulejo azul em que está desenhado um santo desconhecido segurando no colo uma criança. todo dia sorri para mim uma janela de vidros torcidos - certo dia, embaçados - porque alguém se banha no segundo andar. e despem-se, no primeiro, dois desembaraçados, em uma transa.
e vivem na casa verde filhos escolhidos por deus para não sofrer. a ovelha negra sente-se sozinha. pecaminosamente, pensa-se desacompanhada de deus.
holí­sticamente, junto ao meu olhar oni-pres-ciente do que acontece atrás do vidro torto do segundo andar da casa verde com o santo na porta, há a ovelha gauche e muda diante da nudez do eu.

24.4.05

variação sobre o mesmo tema

até o barulho de outro motor que não o cotidiano é pacífico. não se valorizam as geografias de certas paisagens quando se está sempre junto delas.
aos oito anos, nunca saberia sua raridade.
aos dezoito, depois de tanto gelo e locações áridas, revisito os lugares de minha infância com olhos que não serão os mesmos dos sessenta e oito - se é que se viverá até quando.

- olha só a nuvem preta, ó! ó!

o tempo encoberto dá um ar blasé e estrangeiro à ilha velha conhecida.
o fato de eu me vestir de cáqui e chapéu torna-me francesa. e francesa, como anaïs, serei, se um dia branca e noutro esquelética e tão anti-social, com meu shicschic junto ao som das ondas.
variação de lua, de vento no mar, cuja fala é tão diferente da dos caos passando pelas ruas. acabava por confundir os dois rumorejares, depois de um longo hiato de ambos. as velocidades, nervosas, permaneciam iguais.
(velocidade de lâmbida,
que é igual ao comprimento das que me lambem, sendo aquele proporcional à força com que estas o fazem.)
padrões detectados pelo medo mudo da sua ausência. desordem (não) traz progresso.
anarquia que acalma tanto que me ama muito que ama esses escritos e esse grafite apagável e inconstante como as lambidas nos meus pés, dado que vê é igual a lâmbida-efe. minha velocidade não igual a velocidade da carne da água tangendo-me co'a força de lâmbida, da lambida, do mi, do ni e do ksi (e de todos os erros possí­veis de transliteração em todos os alfabetos e de todos os verbos passí­veis de serem conjugados em concordância com os equí­vocos). força de inconstantes cheiros e vozes e gostos. porque ver é igual à inconstância de todas as constantes fí­sicas e de todas as consoantes gregas. ver é a inconstância dos nossos corpos ocupando os mesmos espaços, às mesmas horas, com os mesmos pensamentos. se vejo, realmente, é quando te sinto. agora vejo, porque - mesmo em tua falta - te sinto.
andaremos dentro de nuvens frias, escuras, más.
envolveremo-nos em fumaças e vapores e estrelas e nós.
morreremo-nos sempre.

20.4.05

i have actually no idea of what to say

i will try to fall asleep again so that my writing skills improve.
i always dream of something interesting and end up not remembering what it was.
i am sure it was about shadows and darkness and "unknowledgeness", though.

the more i think about my approach to this dark and chaotic world, i am convinced that it is reasoned in a "soul saving mission". i have no interest in taking part on chaos itself.
poor of them.
*sigh*

posted by somebody else.

18.4.05

it's in the dna

na minha família, há predisposição genética para começar a assistir a um filme no último segundo antes dos créditos finais e para, mesmo assim, dormir antes deles chegarem.
está no sangue, também, nunca carregarmos guarda-chuva, a não ser que não pareçaa que vai cair um toró.
(estou me sentindo tão só,
oh, tenha dó de miiiiim)

12.4.05

- pára pedro, pedro pára.
peça a pedro para parar
por perseu, senão pedra.
pelo pomar de pommes.
pedro pára paralelamente à praça
para politicar; prática portuguesa.
posteriormente, partiu.

3.4.05

friburgo, sábado, 26/03/2005; 2:05 PM

no jardim, parece que estou em um lugar completamente desconhecido e aberto a insights virginianos. agora mesmo um beija-flor suga o néctar de pequenos cálices de seda vermelha. qual dos idealizadores de "2001 - uma odisséia no espaço" teria pensado que cenas assim ainda seriam vistas, a essa altura?
dá vontade de dizer que eu também tenho um amor. pode alguém me dar apoio nisso? ficar feliz por mim?
senão, só o que eu sinto - que é escondido de alguns - é suficiente para apoiar-me.
por outro lado, sinto-me mocinha de novela das oito, ví­tima de um amor sem aprovação - por seu par diferir-se-lhe socioeconomicamente e embaraçar-se na questão ética do relacionamento. pois é.
qu'est-ce qu'on va faire?

sinto-me mais múltipla que fernando-álvaro-ricardo-alberto. "eu não tenho filosofia. tenho sentidos." e o que fazer com eles, muitas vezes opostos? como posso ser verdadeiramente eu, mesmo que temporariamente influenciada por outros? cheguei a pensar, hoje que só longe de certas pessoas que nos cercam - mas, ao mesmo tempo, perto de outras - conseguimos ser nous-mêmes. pensei que, só na viagem, consegui cortar a camada que separava a fernanda-boiola-festeira-zégzi-80's-electro-dark da fernanda-que-acha-os-anos-80-a-década-perdida-da-música-que-é-caseira-roqueira-sambista-neohippie-punkeca-pseudo-intelectual-artista-gay-incompreendido-farofeira-musicista-fancha-brasileira-rata-de-praia-branca-gótchica-fascinada-por-corvos-e-cemitérios-esmaltes-coloridos-nepalenses-nihilista-budista-mahaiana-boba-que-sacaneia-as-obras-de-arte-anti-social-bitchney-sperm-vinhaaaado-musculoso-de-óculos-escuros etc; e tantas coisas tantos caeteras que é impossí­vel caber tudo isso no meu metro e cinqüenta. cortando todas essas divisórias - e vencendo o preconceito conflitante e residente de mim mesma - é possí­vel que, um dia, tenha quase sucedido em conhecer e ser, simultaneamente, tantas partes de mim mesma quanto alcançar.
foi fundamental que eu derrubasse a parede para que eu reconhecesse que valores eu tomara para mim que não eram verdadeiramente meus, mas dos morcegões com quem me relacionava.

29.3.05

imago uiuit (dead on arrival)

oftalmologista,
otorrinolarigologista
nenhum conseguiu
convencer-me de que o amor é cego,
surdo e mudo
de que eu preciso de óculos
de que eu preciso de aparelhos auditivos
de que eu preciso aprender a linguagem
dos sinais.

já sei a linguagem do amar,
tão diferente da que era antes.

dentista,
dermatologista,
pneumologista
algum conseguiu
curar-me
da doença de vida
que se instala em mim quando
apaixono-me.

analista
não insista,
não me consultarei mais,
o que eu tenho é alma de artista,
e nisso, não se volta atrás.

nem monge budista,
curandeiro
ou pagodeiro
há de compreender
em que tipo de viveiro
crescemos antes de morrer.

é na melodia
do letrista,
na montanha russa
do ofí­cio do ascensorista,
que se sobe e desce na vida.

e que nenhum linguista
teime em me examinar
para achar alguma afasia
contesto-lhe; sei a linguagem
da aprazia
do eterno momento passado da poesia.


fernanda drummond.

26.3.05

amar [edição do diretor]

spine-full @ 2005-03-25 17:41 said:

oh.
verbo intransitivo.
ou não: de ligação
entre dois termos semelhantes.
quer ser meu predicado ou meu sujeito?

oh.
marry me.

22.3.05

diário

hoje eu encontrei com uma menina que já fez um curso, que eu fiz, de literatura, no real gabinete, sobre amor.
que sempre pinta a unha de azul.
que faz francês instrumental um junto com um garoto bizarrí­ssimo da minha sala.
que é de literatura da ufrj.
que toca violino, ou algo que o valha, porque hoje ela pegou o case, o 485 e me reconheceu.

pode deixar, amor, que eu não me apaixonei por outra e tal.

procurei vários livros. maldito fundão que estraga o meu celular.
achei um bukowski.

parece que isso aqui é
CAAAAALMA!!!! NÃO GRITAAAA!!!! AAAAH!!!
enquanto eu estou falando baixo pelos botecos.

ela vivia ele morria; sempre

somos mais que produção de comida de minhoca no espaço entre célula e cocô de verme. uma sucessão de seres simbólicos e psicológicos sem muita importância para a manutenção da natureza tal qual ela deve ser.
soa como carpe diem, tempus fugit.

(2 de outubro de 2004)

18.3.05

lembrar

que são ambíguas por demais. mas não vá pensando que querem dominar o mundo - também não sei o que querem. sei que são intrigantes e também eu gostaria de endendê-las.
e entender o porque de seus jogos de sedução, mesmo quando não estão interessadas.
à minha metáfora falta sua metafísica. seu ení­gma.
lembrar que todas nós somos antitésicas.

17.3.05

montreal, 4a feira, 2 de fevereiro de 2005. 2:24 am.

"palavras bonitas me escapam e correm pela crueldade - cortante - da neve. palavras sobre a minha prisão sob o sol, que ainda nasce redondo, mesmo imediatamente abaixo do cí­rculo polar ártico."

meu bloqueio, talvez causado pela escuridão, talvez pelo desânimo de manter tudo mal resolvido enquanto viajava - que me impedia até de comer, no canadá.

ah, cara, eu não tô afim de ler a apostila de teoria literária. eu sei, eu quis tanto e tanto e tanto, mas eu tenho muito sono de-manhã-de-tarde-e-de-noite.
minhas frases preferidas são:
"ahhh, comi demais." e "que sono!"

12.3.05

eu gosto do seu corpo
eu gosto do que ele faz
eu gosto de como ele faz
eu gosto de sentir as formas do seu corpo
dos seus ossos
e de sentir o tremor firme e doce de quando eu lhe beijo
e volto a beijar.
e volto a beijar.
e volto a beijar.

1.3.05

and all i really want is a wavelenght

enfim, viagem acabando, deprê baixando...
queria ir embora, porque tem tanta coisa acontecendo dentro de mim, e no brasil, sem eu estar lá - e nem dentro de mim, estou, direito...
mas queria morar aqui, queria ter mais tempo pra fazer todas as coisas que eu tinha planejado... os 300 filmes, e festival de cinema daqui, jogar boliche, jogar sinuca enquanto bebo tequila, tomar expresso com chocolate quente da starbucks, ir à loucura comprando livros e discos que não existem nas lojas de usados - simplesmente porque ninguém quer vendê-los, por serem muito bons...
queria ter tido a primeira aula grátis de yoga - e depois abandonado o curso, porque ia ter que voltar, mesmo - na osborne st, queria ter andado de snowmobile, mesmo que 10 minutos de real diversão custassem 50 dólares e horas andando de ônibus.
bem, "no one can have it all see, i have to, they want me to... (com todas as diferenças de pronúnicia entre 'two', 'too' e 'to' a que os anglosaxãos têm direito)".
beth (/bethabrances) e eu ouvimos os nossos delírios consumistas, hoje, e torramos uma porrada de dinheiro em coisas inúteis, com as quais não tí­nhamos paciência de lidar até alguns anos atrás.
milkshake de capuccino, suéteres pequenos demais - mas um incentivo para o regime -, roupas esquisitas que não temos ocasião para usar.
me senti tão saudável, embora fossem somente coisas - objetos de que não preciso, realmente - que depois me deixariam com o óbvio sentimento de vazio.
há quantos anos não saí­a assim, irresponsavelmente, e gastava montes de dinheiro - dólares, ainda por cima - e horas que nunca iria reaver?
é horrível ver, em cada loja que você gasta com coisas inúteis, caixas dizendo "ajude a aliviar a situação do tsunami", "doe seu troco para uma instituição de caridade", "ajude a manter o templo budista chin tóin" e "existe gente passando frio e fome enquanto você está no aquecimento, torrando dinheiro em mais roupa e comida que você não precisa, ajude-as" - tudo bem que, num templo de consumismo, não haveria essa reflexão da última caixa, mas...

não há salvação pra esse tipo de culpa. o dinheiro já tá gasto, e depois de amanhã estarei bem.
sim, haverá um depois de amanhã, porque "eu sou um nada tão insignificante que não posso nem me matar".
(essa frase aí é do filme "sideways", que nós vimos hoje.)
não sou escritora; sou, no máximo, uma rabiscadora de paredes, enjaulada, e escrevendo com sangue e agulha no ínfimo espaço em branco restante.
haverá amanhã e depois, porque preciso ser publicada antes de morrer, mesmo que o mundo não dê merda nenhuma pro que eu tenho - se é que tenho algo - a dizer. depois do mundo me "ouvir", eu não sei mais, parece que é a sina dos escritores de que gosto: hemingway, woolf...; não é como pintura; é difí­cil de os escritores serem descobertos e fazerem muito mais sucesso do que fariam enquanto vivos, depois de mortos.

sempre influenciada pelo que eu estou lendo - dessa vez, "hell", de lolita pille. acho que ainda não traduziram pro português. sobre essa menina - dezenove anos - parisiense, podre de rica, do arrondissement 16 - área dos ricos de paris - que entope o nariz de cocaí­na e dá pra todo mundo e, obviamente, quando se sente vazia vai fazer compras pra melhorar - como eu acho que eu fiz, mas na ordem inversa. neste capí­tulo ela se apresenta e diz:

"i felt i had put my finger on the crux of my unhappiness. i was haunted by a simple question: "what's the point?"
it was just so intolerable. all the corruption of a humanity that i had so desperately wanted to believe in, that black hole called "the future" and which led ineductably to death, and real black holes that suck you up atom by atom, and other similar reflections that i could not even begin to address in detail.
(...) at first i felt nothing except abject satisfaction at seeing my intuition of being born to suffer come true.
then, astonishingly, i stopped suffering.
(...)
the crisis that immeadiately followed was crushing.
not because it was so powerful. because it was uncontrollable.
it was a strange paradox, as if the fact of thinking about my emotions had protected me from the real pain, a pain that was not free-floating any more, but from a tangible source. i had previously been the puppet of my senses, crying when i wanted to cry, and laughing when i wanted to laugh.
(...)
i was all of seventeen when i understood that suffering was no way to escape the vapid nature of live, and certainly no route to the sublime. and yet it was neither this awful experience, not the pain it wreaked on me and continues to wreak to this day, that made me what i now am.
it's still a mystery somehow, the crashing despair against whose force i am powerless."

talvez lolita pille um dia se mate.

eu só quero paz enquanto eu espanco o teclado.

25.2.05

i come as undone as my shoelaces

to meet this tainted love,
with my heart as tattered as scrapbooks
heels broken as dry skin.

under the circumstances above,
i invite you in,
to come upon me, the lover of your sin.

14.2.05

you saw me run from the house in the snow, melodramaticaly

nao deu pra fazer nada de festa na neve hoje.
eles queriam ficar, e cuidar do dedé, e lavar roupa...
e hoje tá + 1 grau, e amanhã vai esfriar e a gente não vai fazer nada.
eu tive um momento dramático desse, quando eu achei que eles iam embora daqui a 1 mês do canadá, largar tudo, e tentar recomeçar a vida num estabelecimento, mexendo com serviços com os quais não têm nenhuma experiência.
mas não vão sair desesperadamente, desse jeito.
o léo, pelo menos, vai terminar a faculdade.

eu nao tô mais querendo falar com a minha mãe. ela tá me irritando. toda vez que ela fala comigo ela me dá bronca, por coisas que não são nem da conta dela.

eu tô com medo, mas i'll curb it.

vou tentar ver "garden state" pela milésima vez.

9.2.05

winnipeg - cause i`ve got one hand in my pocket and the other one is on the other pocket.

então, nós chegamos ontem. estava chovendo em montréal, e fazendo 5 graus positivos, quando saí­mos. hoje está nevando lá. desde que a gente chegou, a neve - caí­da do céu - não fez contato imediato com a gente.
aqui tá a maior secura, à la "educação pela pedra", ontem fez -30. só andamos na rua 5 minutos, mas eu morri de frio. meu sobrinho é super macho. anda sem ceroula, sem luvas, sem chapéu... até porque é um saco fazê-lo colocar isso tudo.
o engraçado é quando, em teresópolis, sai uma fumacinha da boca, todo mundo já acha o máximo. aqui, dentro do carro, parece que você tá fumando algo que seja muito forte, parece que você é uma fábrica.
bem, esqueci como fala português.
no nosso último dia em montréal, fomos a um restaurante grego com belinda e daniel, e o último falou em português com a garçonete e em francês com a namorada anglo-canadense.
até eu, ao conhecer um francês, misturei inglês, português e francês pra me comunicar.
fizemos também um programa de rádio, apresentado pelo pai do bernardo, que se chama "made in brazil", que pode ser ouvido online pelo www.ckut.ca, sob "archives" e digitando monday, feb 7th 2005 e hora: 9:05 AM. a gente fala algumas coisas e também fez a seleção de músicas.

o tempo voa quando você está se divertindo. parece que já estávamos aqui há séculos, mas ainda falta um mês. e, ao mesmo tempo, é a última parte da nossa viagem. vamos sentir falta do nosso macho-vinhado-fancho-grosso bernardo. mormente nas intervenções para que eu e beth não discutamos e nas minhas criiiiiiises de "i just don`t know what to do with myself".
ao chegar, levei bronca da mamãe por coisas incrivelmente ortodoxas, e tudo o que eu havia ensaiado, de dizer que seria melhor pra gente, que estarí­amos mais felizes e menos angustiados no final, sumiu do script.

putz, agora a gente tem que ir lá, lavar a roupa e a louça e tudo mais.
é quarta feira de cinzas e eu me recuso a deixar-nos virar cinzas.

4.2.05

from the cyber-laundry

nhaiiiiiii?????????
eu estou numa lavanderia-cybercafe, do lado do aquecedor e ta desgracadamente quente, e nao tem acento nenhum nesse teclado que eu compreenda.
ontem nos escorregamos no mont royal, que e o unico de montreal...
e eh por isso que montreal 'e chamada de montreal.
a minha bunda ficou doendo muito.

e tomamos cafe num lugar chamado cafe da night - que se chama cafe olympico - open day and night -, so que as letras foram caindo e ele ficou conhecido assim.
e eu to viciada em cafe, agora, tamb'em.

hoje nos visitamos o jardim botanico, do lado de um negocio chamado biodome, que recria varios tipos diferentes de ecossistemas...
e, bem, em todo o lugar toca muita musica boa, tem muita gente feliz e tal.

E A GENTE PASSOU!!! PRA UERJ! WEEEEE!!!!
bernardo esta falando com a veronika.
so....
we`re off.
te mais.

PS: marina, aparece, porra!

31.1.05

live from montréal

eu estou viva.
em montréal.
thank u for the ... umm.... homage.
you are the best.
vodka é forte.
eu sou maior de idade aqui. yay!
só trouxe "o suicídio", de durkeim e "mme bovary", de flaubert.
alanis morissette, sim. björk e portishead.
semi-paixão também veio.
li manoel de barros agora... "no descomeço era o verbo" e so on...
going off.
'bye.

12.1.05

ah, respirando fundo pra ver se esqueço de que eu quero casar contigo.

fui, não deixei em banho-maria. usei algemas emocionais; eu tô tão acostumada com isso. eu tô tão acostumada a me iludir com elas, ficar me afirmando, dizendo que tudo se foi - até meu ânimo de recomeçar.
e é pior do que realimentar as esperanças sempre.
"leva o teu olhar que a saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar."
lambuzaste menos que o recomendável, babe. o doce nunca fora teu.
"acabou. agora tá tudo acabado."
mas "o caminho da água também é cheio de pedras e o rio não pára".
cheios de pedras no caminho - de pessoa - pra gente se deliciar no tropeço e na queda e reter nas nossas retinas.
é aquela pedra enorme do apartamento de benjamin zambraia. diz-se "bom dia, pedra!", gosta-se da pedra. e que nunca cheguem, mesmo que prometido outrora, com o demolidor de pedra. porque a pedra já é parte de mim, de ti. a pedra está aí­ e é impossível ignorá-la. não pode-se viver sem ela. mesmo sabendo-se que, talvez, pudéssemos ser felizes - reprovadas, mas felizes; "feliz-tipo-amor-cadê-minhas-meias" - sem ela.
mas a poetisa viciou-se no empecilho. na dor. no pedir perdão por levar consigo um terço de ti. porque a dor é tão exata, tão velha conhecida; tão bem acatada pelo sentimento católico-apostólico-romano de culpa - e já não o é o nosso amor. que podia dar certo.

"tudo passa e eu ainda ando pensando em você". porque eu ainda quero. porque eu me recuso a deixar de pensar-te. resisto ao esquecimento. desacato ao sumiço do desejo. fico na encruzilhada entre meu provável destino e a luta contra ele. e ainda enfrento as horas. uma hora é difí­cil, e está ficando cansativo passar por vinte e quatro delas.

pra não morrer, respiro fundo, babe, os lençóis, na procura da sua colônia para homens e do shampoo que usavas para ficar bonita para mim. não é muito difí­cil encontrá-los - embora os lençóis tenham sido lavados - onde "confundimos tanto as nossas pernas" nas noites travessas em que não ias embora: eu não deixava.
de repente - é triste: "malvada! não deixou sequer uma gotinha para eu segui-la?" a verdade é que a saudade já fora muita e gastara o perfume.

fui extremista; gosto de pedir perdão pelos buracos no teu peito.
não direciono mais o meu caminho. ele é onde tiver uma garrafa de vodka (and still it would not come). e, assim espero, uma cova, que é pra eu terminar de me conformar.

7.1.05

the years change, but not me.

i crave for the day in which i will feel no longer haunted by my previous experiences.
i crave for the day when i will be happy to make a change in my positions.
i crave for the day to which i will be thankful to be in the present.
so in that day, i will not symptomathize that as the beginning of happiness, but happiness itself.
i crave for the day i will realize that i am powerful enough to choose the path in which i stand and that i am the master of my decisions.
i crave for the day my objects of desire will be no longer material nor represent pain to others.
i crave for the day my expectations will not lead to a certain way of disappointment and sadness.
i crave for the day i will not be seeking doubt, confusion or desillusion anymore.
i crave for the day i will be satisfied with the life i chose, not thinking that it was imposed to me.
i crave for the day i will not fantasize with nives.

10.12.04

and maybe some faith would do me good.

sumi porque sou tal qual um reles mortal que precisa passar por processos - não-democráticos - seletivos discentes para qualquer universidade aí­. já que perdi o t.h.e. da unirio, só me resta umas macumbas pra conseguir passar para a minha querida universidade do brasil, ter aula com o tio sequinho (antônio carlos secchin).

"não é escritora coisa nenhuma, não de verdade; é apenas uma excêntrica bem-dotada." [michael cunningham.as horas]

"você não é escritora, você tem um diário!"
você nunca será escritora, fernanda. você será ainda mais gauche na vida.
quando você nasceu, fernanda drummond, três anjos tortos, desses que vivem nas sombras, saudaram-te e disseram: "vai, fernanda, ser gauche na vida". ali estava, após seis meses de gestação, três ao cubo - vinte e sete vezes gauche na vida. tão esquerda que pode ser que um dia vire centro-esquerda, ou mesmo direita; de tanta translação.
mulher, branca, budista, deficiente física, bissexual.
talvez algum dia endireite.
mas nunca será escritora. isso não.

24.11.04

,

o sonho dessa sem-ambição é escrever linhas nunca antes tracejadas, nunca dantes viajadas.
a gente se mete a fazer poesia em linha reta, mas nunca é capaz de começar nada com uma vírgula.
e, um dia, ser brotinho.

23.11.04

krakow

comi, para comemorar o aniversário de seu thadée, num restaurante cracoviano, com ele falando e cantando em polonês à beça.
comi demais.
socorro.

é, cracóvia, lembra de o terminal?

22.11.04

besteiras de uma jovem... sem noção


isso aí­, baía do sancho (ou da fancha) e pontal da sapata, fernando de noronha.
tá bom, a pessoa é boba, mas tava olhando aqui pro calendário de fernando de noronha e riu muito.

21.11.04

unirio

fiz 43 pontos. acertei METADE da prova de história - ainda bem que todo mundo concordou comigo que tava difí­cil. e só errei uma questão de matemática. quando a prova é na puc tudo vira ao contrário.
estou satisfeita. estou passada. só falta eu querer ir.
(várias pessoas: mineiro foi a surpresa. e continuo achando que não deu pra fazer 1 milésimo do que era pra ser feito naquele colégio. era pra eu ser um daqueles estudantes de 25 anos, que vive de organizar grêmio e fazer os alunos do colégio felizes.
mas eu tô doida pra sair de lá.)

aniversáurio do zazá

engraçado quando as pessoas têm os hormônios à flor da pele.
eu estava empolgada pra me acabar na pista, mas só tocou música ruim na meia hora que antecedia o silêncio.
eu vou equalizar vócê.
eu dormi durante muito tempo e o pessoal jogou war.
uó, fiquei trancada fora de casa. mamãe acordou às 5 só pra me socorrer.

PS: muito bom o bolo do zazá. acabou rapidinho. e eu inda fiquei comendo as partes que as pessoas não gostam, enquanto via os exércitos amarelinhos dele sendo dizimados e ele quase tendo um orgasmo quando sacudia os dados. hehe.

20.11.04

QUEDÊ?!

oh, vazia manhã de sábado. vazia de 583, vazia de pensamentos polifásicos, vazia de raiva por acordar tão cedo - ou nem ter dormido -, vazia de lápis preto ainda no olho, vazia de conhecimento passado adiante por osmose, vazia de "zé luiz, aula feliz!".
cheia, porém, de ressentimento, cheia de culpa, cheia de "desculpadesculpadesculpa pelo amor de deus", cheia de choro, cheia de saudade e suspiros poéticos, cheia de sono e olheiras.

cadê cp2?

19.11.04

mais copia-e-cola c.l. (brought to you by coca-cola)

Não quero ter a terrí­vel limitação de quem vive apenas do que é passí­vel de fazer sentido. Eu não: Quero é uma verdade inventada.

[Por não estarem distraí­dos]
Havia a leví­ssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vá que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à leví­ssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraí­dos.

[Clarice Lispector]

eu ia mandar pra alguém esse texto, because i need closure (desperately), mas achei que tudo ia ficar mais estranho e bagunçado e confuso do que já está.

só dessa vez, eu deixo o tempo cuidar de tudo. se for do nosso "destino" nos vermos sempre e perpetuarmos esse mal-estar entravado em nossos corações por causa das algemas de sentimentos, assim faremos. talvez o "destino" nos dê uma mãozinha pra esquecer isso tudo. a idéia é deixá-lo levar-nos pelos cabelos. muito provavelmente acabou, agora tá tudo acabado...
pois é, a tristeza vem aí­, e tudo o que eu fiz foi chorar e encher a cara de cachaça e não esperar mais nada. descontam-se as besteiras que fiz/falei. porque nada vai ser verdade, já que eu não quero que seja.
ainda tento entender a ironia disso tudo - no sentido de o acontecido ou falado ou escrito ser o contrário do que se esperava. antes era divertido, agora não faz mais sentido. então sejamos felizes conhecendo nossos novos amores, passando na rua conosco. você não fez nada. você não entende nada. e não é sua culpa. mea culpa.

precisamos esquecer o brasil

e agora, josé? o ano acabou, gilda me passou, a luz apagou, a cortina se abriu, pátria que me pariu.

assisti às 2 primeiras apresentações do jogral; meio sem palavras, porque tudo aconteceu hoje, tudo; eu nem percebi, mas era a última vez que veria várias daquelas pessoas, aqueles educadores mal educados, aqueles que falham no ofí­cio da administração de cabecinhas vazias.
eu estava conseguindo me controlar até ouvir "seringueiro, dorme".
como a gente dorme durante 7 anos, assim?
quanto tempo até sai baba nos absolver?
como a gente passa por tantas experiências e as negligencia?
apego, não; emoção.
entrei e saí de uma certa instituição sem achar que fiz nada, que mudei nada, e pior: ainda botei a culpa na burocracia e na falta de vontade de membros da direção.

ai.

eu e nandóviski tentamos ver as instalações dos poemas de augusto de campos, mas quando chegamos lá já tinha acabado. há muito tempo. dia 17 de outubro. haha. só eu mesmo.

o homem da portaria me viu sentada na escada, do lado do auditório, e me perguntou se eu tava passando mal.

ai.

18.11.04

ah, sim.

eu quase pensei que fossem tocar "para ver as meninas".

show de marquinhos de oswaldo cruz

sem saber o que veria, fui com o pai e a madrasta a um show no rival. de noite.
legal, porque o pessoal de samba não tem muito dessas rivalidades com outras escolas, fora do carnaval.
digo, as pessoas de uma determinada escola cantam sambas e em terreiros de outras, é a maior zona.
metade das pessoas no palco estava doente. mas foi muito lindo e suas vozes estavam frescas.
e o pessoal todo gente boa, sem termos lhes feito nada, nos dão cds, autógrafos e convites, e sentamos na primeira mesa, batemos palmas com vontade, como turistas.
o ex-moço do garganta profunda (o grupo vocal), sem ser o pedrão, verei-o num bar chamado catedral, na lapa, que meu pai cisma em abrir, dia 2 de dezembro. ou no sesc nova friburgo no dia seguinte. não lembro o nome dele (e ele me chamou de fê, olha), então não consigo descobrir que horas é e quanto custa.
mas é sambão, não é pagode e é do bão.

a piada no parágrafo acima só vai ter graça - e nem tanta graça assim - pra mim. o monopólio da graça das coisas...

can anybody stop this thing?

tens razão, mas é estranho que sintas raiva. deves senti-la, embora não seja muito essa a nomenclatura. mea culpa. mea culpa. mea maxima culpa. engraçado é; que a culpa seja sempre minha - na minha cabeça - antes de ser compartilhada. but i blame everyone else not my own partaking.

are you still mad i kicked you out of bed?
are you still mad i seemed to focus only on your potential?
are you still mad i had emotional affairs?
are you still mad i tried to mold into who i wanted you to be?
are you still mad i had a tendency to mother you?
are you still mad i shared our problems with everybody?
are you still mad i threw in the towel?
are you still mad that i gave up long before you did?

of course you are.

quem mexeu nas minhas férias?

porque eu tô muito preguiçosa, não fiz nada de prova de unirio de novo.
não consegui imprimir minha redação, também, só a da laura (aquela que inspiraria um debate), também não teve debate, também fiquei com 5,7 em quí­mica (mas passei), também tô adquirindo uma certa repulsa ao colégio...

uma boa coisa: a anna tem um gosto musical muuuuito parecido com o meu. coldplay+radiohead+portishead+travis...
ficamos conversando um monte.

também tenho que voltar a estudar a clarice lispector porque vou ter que apresentar E tomar conta das apresentações - não tem jeito - dos contos. e, logo depois, assistir brasil e fazer teste de livro, sendo que eu já estava quase de fééééérias.

17.11.04

raskólnikov

a tua córnea é um ponto no espelho
e toda vez - toda vez, babe -
que eu fecho os olhos
eu sinto as tuas mãos e vejo tuas curvas e me espantam
os teus cabelos.
e esquecem-me os teus seios

dentro de um bate um coração provecto
de seu rí­tmo não fiz cômputo conspecto
dele inadvertidamente tirei proveito
e não usufruí­
ruim é não pensar mas sentir.

ainda sinto o teu cheiro em meus ossos perpretado.
penso - não sinto - o resí­gnio perpetuado.

[álibi por fiodor dostoiévski]

16.11.04

morgue

o dia mais vagabundo do mundo. é capaz de eu morfar, dentro da minha morgação. dormi por horas e horas e horas. tocou o telefone, mas nunca era alguém com quem eu quisesse falar por horas e horas e horas.
ou, se era, não se podia falar.

/everybody dance now! mode.

PS: eu sou louca. e eu preciso me libertar.

15.11.04

não-aceitação

o mundo é tão pequeno, às vezes parece que só tem uma rua. uma rua de reencontros inesperados, acidentes de percurso e mortes. sem outra rua pra se encostar.

"Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande."


concentração meio impossí­vel. (Kc= [ ]p)
___
[ ]r
nenhuma fórmula para alcançar o trampolim para o nirvana. talvez a supervalorização do objeto que é o corpo humano.

"Meu coração não sabe.
Estúpido, ridí­culo e frágil é meu coração.
Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas."


as coisas que ignorei. "que tristes são as coisas consideradas sem ênfase". é tudo tão novo e difícil e eu não quero perder nada, nenhum momento. mesmo se tiver de pisar na cabeça de alguém. ISSO é triste.
isso depende de mim, triste de mim, que trago a alma desnuda. isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender.
uma distância dessa nossa distância.

ei, feliz aniversário.
tua córnea é um espelho.

14.11.04

do porque de termos de concluir fases

eu sei, mas é meio difí­cil.
nostalgia rolando solta em aulas, autógrafos em camisetas, redes e discursos em inglês.
achava-me preparada, mas não consigo nem escrever. chico buarque bem me avisou "vai acabar", mas só eu não vi.
comendo muito mal esses dias. o mac dia feliz foi bizarro. altas figuronas de "malhação", que eu já não conheço - talvez só por capas de revistas.

fui com o povo gastronômico comer uma coisa com pouco colesterol, por causa do kaially, e depois foram brincar na minha casa.

12.11.04

the show-offy one

na semana que vem, minha redação inspirará um debate acerca da educação. mas na verdade, nem sei o que é isso, a que vem, nem se fui "educada" propriamente, no sentido "postura e ética" do termo. um dos sentidos pra essa palavra - e bem disse isso na redação - é "adestrada", e isso sei que fui.
é estranho, nesse ano de vestibular, é tudo tão massificante, um mundo tão cheios de macetes, probabilidades e estatí­sticas, estudos sérios sobre os métodos que vêm sendo utilizados nesses concursos. eu, que questionava tanto a ineficácia dessa prova, e se avaliava ou não o conhecimento construí­do durante 10 anos... eu, que disse tanto que não ia entrar na paranóia, no moedor de criancinhas, no "another brick in the wall"... EU não estou nem um pouco preocupada. disse "foda-se" o ano inteiro, basicamente. estudei bastante pra passar no colégio. estudei bastante só o que eu gostava. percebi, anteontem, que só peguei no livro de biologia nas vésperas de prova.
enfim, não tô preocupada, mas entrei na dança dos macetes e engoli passivamente muitas fórmulas e vias únicas de pensamentos ocidentais. é difí­cil reagir, nesse momento. lembrei-me, esse ano inteiro, de posturas que eu tinha, decididamente contra o que me é, hoje, posto, e que nesse momento esqueceram-me. lembrei-me de questionamentos que eu podia ter feito a respeito de pensamentos cartesianos que não faço por medo de "perder tempo com frivolidades", por medo de me contestarem e eu não saber sair da situação ou achar que perdi por provarem que estou errada.
não tô nem um pouco preocupada, porque, apesar de detestar competição - e eu sempre jogo limpo -, eu sempre fiz concursos pra passar pros lugares onde estudei - na 1a série para o colégio cruzeiro e na 5a para o (snif) pedro II -, e não tive nenhum problema com colocações (não que os pontos, pra mim, signifiquem grande coisa). but, then again, vou fazer letras e são 10 vagas por candidato. hahaha.
tem ufrj depois de amanhã e eu fico me achando só porque uma vez gabaritei uma prova de português de lá.
enfim, foda é vestibulando achar que tudo na vida tem a ver com a sua rotina pesada de colégio+cursinho, e as provas no domingo e os simulados. tipo:
- oi, como é que você está?
- tudo bem, meio cansada por causa do vestibular.
- e a família?
- vai bem, todos muito preocupados se eu vou passar ou não no vestibular...
- e aí­? vamos ver aquele filme do michael moore?
- eu tenho que estudar por vestibular, mas só vou porque essa matéria cai na prova de geografia...
- pode ser umas 9 da noite?
- tem que ser mais cedo porque senão eu não acordo amanhã pra estudar pro vestibular.
- você pode dormir lá em casa...
- não, tenho que dormir na minha casa, porque se eu não dormir na minha cama, sobre o meu braço esquerdo, com os pés em direção à porta eu não passo no vestibular. aliás, esse "a" a que eu me referi anteriormente tem que ter sinal indicativo de crase, porque é junção de preposição e artigo, e tem que ter uma vírgula aqui, porque você sabe que o uso de acento grave e pontuação contam muitos pontos no vestibular...

the one in which i explain something

eu não posso. de alguma forma, tentar censurar-me não apaga as minhas epifanias, só me deixa esquecida delas. apagara a vela, entretanto, o pavio ainda estava lá, de modo que agora - agora - preciso reacendê-lo. porque a questão não é a "falta de tempo" para sentar e organizar os pensamentos em um manuscrito. a questão é o feedback. não vou nem chamar de narcisismo, porque esse blog não é um simples mecanismo pretensioso a exaltar minhas capacidades crônico-dissertativas ou minhas ambições como escritora. esse blog, não sei bem o que é, pra que serve, mas expressa algo porque senão eu morro. e não dá pra expressar me tolhendo daquele jeito, não dá mesmo.
então, faço um voto a mim mesma, para escrever para mim mesma, e dane-se se choca ou toca ou magoa alguém. vocês estão aqui por um motivo. vocês me ouvem, comentam, digitam dábliodábliodábliopontovamospronirvanapontocom porque querem. a gente argumenta e educa e censura as pessoas, mas no final elas fazem o que querem. até o deus deu-lhes livre arbítrio. por que infringiria eu lei tão nobre?
eu não posso. sejam bem-vindos. arrumem-se nas suas cadeiras, porque alguém algum dia me disse que eu sou viciante.